FAZER LOGINDesde pequena, Valentina Moreira aprendeu que precisava ser perfeita para merecer amor. Filha adotiva de uma das famílias mais influentes da cidade, ela sempre foi a jovem educada, responsável e incapaz de causar problemas. Aceitou viver à sombra da irmã adotiva, cedeu espaço para a felicidade dos outros e acreditou que, ao lado do noivo que amava, finalmente construiria a própria família. Mas, poucos dias antes do casamento, seu mundo desaba. Valentina encontra Henrique Albuquerque, o homem com quem dividiu anos de sonhos e promessas, nos braços de Lívia Moreira, a irmã que ela sempre protegeu. O que dói ainda mais do que a traição é descobrir que sua própria família sabia de tudo... e escolheu ficar ao lado da filha "verdadeira". Humilhada, expulsa de casa e tratada como uma estranha, Valentina faz uma promessa: nunca mais implorar pelo amor de ninguém. É então que surge uma oportunidade inesperada. Para escapar de uma crise que ameaça seu império, o reservado e poderoso empresário Leonardo Vasconcelos, seu chefe e um dos homens mais influentes do país, precisa de uma esposa. Em troca de um casamento de fachada, ele oferece a Valentina proteção, independência e a chance de recomeçar. O acordo deveria ser simples: um contrato, uma aliança e nenhum sentimento. Mas viver sob o mesmo teto revela que Leonardo esconde cicatrizes tão profundas quanto as dela, enquanto Valentina descobre que a linha entre vingança e amor pode desaparecer quando menos se espera. Agora, a mulher que todos desprezaram está prestes a se tornar a esposa do homem mais poderoso da cidade. E aqueles que a traíram terão que assistir, impotentes, enquanto ela se ergue das cinzas. Porque Valentina não quer apenas seguir em frente. Ela quer que cada pessoa que destruiu sua vida enfrente as consequências... uma por uma.
Ver maisValentina Moreira sorriu para o próprio reflexo no espelho.
Sobre a cama, havia catálogos de decoração, amostras de flores e uma pequena caixa de veludo onde descansavam as alianças que ela e Henrique haviam escolhido semanas antes. Faltavam apenas vinte dias para o casamento. Vinte dias para deixar para trás a sensação de nunca pertencer à família que a adotou e construir a sua própria.
Ela acreditava nisso.
Acreditava que, depois de anos ouvindo que precisava ceder, compreender e não criar problemas, finalmente seria feliz.
Seu celular vibrou sobre a penteadeira.
Henrique: "Desculpa, meu amor. Vou me atrasar de novo. A Lívia não está bem, estou levando ela ao médico."
Valentina releu a mensagem duas vezes.
Nos últimos meses, aquela justificativa havia se tornado frequente demais. Sempre era Lívia. Sempre a irmã adotiva que havia retornado para a família há poucos anos e rapidamente se tornado o centro do universo de todos.
— Tudo bem... — murmurou para si mesma. — Ela é sua amiga também.
Era o que repetia para acalmar o aperto no peito.
Ela pegou as chaves do carro. Precisava entregar alguns documentos na empresa onde trabalhava como diretora financeira. O presidente do grupo, Leonardo Vasconcelos, era conhecido por ser um homem exigente e extremamente reservado. Quase ninguém o via pelos corredores. Diziam que ele passava mais tempo viajando do que no próprio escritório.
E, quando aparecia, o silêncio tomava conta do prédio.
Valentina nunca tinha conversado com ele além do estritamente necessário. Ainda assim, bastava a presença daquele homem para fazer executivos experientes abaixarem a cabeça.
Ela afastou esse pensamento.
Naquele dia, a única coisa que importava era terminar o expediente cedo e encontrar Henrique para provar o terno do casamento.
Ou pelo menos era esse o plano.
Ao chegar ao prédio da empresa, percebeu que havia esquecido uma pasta importante em casa. Resmungando baixinho, deu meia-volta e dirigiu de volta para a mansão dos Moreira.
A casa estava estranhamente silenciosa.
Os empregados não estavam no jardim. A governanta também não apareceu para cumprimentá-la. Valentina subiu as escadas carregando a bolsa e, quando passou pelo corredor do segundo andar, ouviu uma risada conhecida.
Era a voz de Lívia.
Ela parou.
A porta do antigo quarto de hóspedes, agora ocupado pela irmã, estava entreaberta. Sem querer, seus olhos encontraram a cena do outro lado.
Henrique estava ali.
Não estava conversando.
Nem consolando.
Ele segurava o rosto de Lívia com as duas mãos enquanto a beijava como um homem que havia esperado por aquele momento durante anos.
A pasta escorregou dos dedos de Valentina e caiu no chão com um estrondo.
Os dois se afastaram imediatamente.
Henrique empalideceu.
— Va... Valentina...
Lívia, ao contrário, não parecia assustada. Apenas ajeitou o vestido e encarou a irmã com um olhar quase desafiador.
— Você não ia para a empresa? — perguntou, sem o menor sinal de culpa.
Valentina olhou para o homem que amava.
Esperou uma explicação.
Uma mentira qualquer.
Um pedido de desculpas.
Mas Henrique apenas abaixou a cabeça.
E, naquele instante, ela entendeu a verdade mais cruel de todas.
Aquilo não tinha acabado de acontecer.
Ela não estava descobrindo um erro.
Estava descobrindo um segredo.
Um segredo do qual ela era a única pessoa que não sabia.
As lágrimas ameaçaram cair, mas ela as conteve. Não daria esse espetáculo a eles.
Com a voz trêmula, mas firme, fez apenas uma pergunta:
— Há quanto tempo?
Henrique abriu a boca, incapaz de responder.
Quem respondeu foi Lívia.
Com um sorriso pequeno, quase vitorioso, ela segurou a mão dele e disse:
— Tempo suficiente para você entender que ele nunca foi realmente seu.
Um ano havia passado desde o dia em que Leonardo Vasconcelos completara trinta anos.Um ano desde que o Conselho deixara de existir.Um ano desde que os últimos documentos foram entregues às autoridades e os arquivos que durante décadas haviam sido usados para controlar famílias foram destruídos.Um ano desde que Leonardo finalmente deixara de ser o herdeiro de uma história que nunca escolhera.Agora, diante do mar, ele não era presidente de nenhuma organização.Não era líder de família.Não era sucessor de um império secreto.Era apenas Leonardo.E, para ele, aquilo significava tudo.A casa branca construída sobre a encosta estava silenciosa naquela manhã.As janelas abertas deixavam entrar a brisa do oceano.As cortinas dançavam suavemente.No jardim, os quatro cachorros corriam atrás de uma bola que havia sido abandonada por algum deles.Na varanda, Valentina estava sentada com uma xícara de café nas mãos.Ela observava o horizonte.Leonardo apareceu atrás dela.Vestia apenas uma c
Trinta e um dias.Era tudo que restava.Leonardo passou os primeiros dois dias organizando documentos.Os seguintes foram usados para encontrar os membros do Conselho.Não houve ataques.Não houve assassinatos.Não houve vingança.Leonardo escolheu outro caminho.Convocou cada família.Cada representante.Cada pessoa que havia herdado algum fragmento daquela estrutura.E apresentou as provas.Não ameaçou.Não negociou.Apenas mostrou a verdade.Bellini cuidou dos documentos.Gabriel reuniu as provas deixadas pelo pai.Cecília forneceu informações preservadas pelos Arquivos Vivos.Rafael apresentou os registros antigos.Isabela contou o que sabia.Helena revelou os nomes das pessoas que haviam desaparecido.E Valentina permaneceu ao lado de Leonardo em cada reunião.No décimo quinto dia, a primeira família abandonou o Conselho.No décimo oitavo, foram três.No vigésimo segundo, metade da estrutura já havia desaparecido.Caio cumpriu sua promessa.Não assumiu liderança.Alexandre também
Leonardo permaneceu imóvel.A mulher diante dele parecia ter saído de uma fotografia antiga.Os mesmos olhos de Isabela.O mesmo formato delicado do rosto.Até a maneira como segurava as próprias mãos lembrava a mãe.Mas havia algo diferente.Uma tristeza profunda.Como se aquela mulher também tivesse passado anos procurando respostas.Valentina continuava segurando a mão de Leonardo.Ele apertou os dedos dela.Precisava sentir algo real.Precisava lembrar que ainda estava ali.— Helena...O nome saiu de sua boca quase sem voz.A mulher assentiu.— Sim.Leonardo olhou para Isabela.— Ela é realmente minha irmã?Isabela começou a chorar.— Sim.A resposta simples destruiu o pouco equilíbrio que ainda restava dentro dele.Leonardo deu um passo para trás.— Por que ninguém me contou?Isabela aproximou-se.— Porque acreditávamos que ela estava morta.— Vocês disseram isso sobre você também.A dor na voz dele fez Isabela parar.— Eu sei.— Então me explique.Isabela respirou profundamente.
A antiga capela ficava no ponto mais afastado da propriedade.Leonardo conhecia aquele lugar.Quando era criança, acreditava que a construção estava abandonada havia décadas.As janelas permaneciam cobertas por tábuas.A porta principal estava trancada.E seu pai nunca permitia que ele se aproximasse.Agora, enquanto o carro avançava pela estrada estreita, Leonardo começava a entender por quê.Valentina estava ao lado dele.Bellini dirigia.Gabriel permanecia no banco da frente, atento ao movimento ao redor.Nenhum deles falava.A mensagem de Caio continuava aberta no celular."Então venha buscá-la."Leonardo olhou novamente para a localização.— Isso pode ser uma armadilha.Bellini respondeu:— É uma armadilha.— E mesmo assim vamos.— Porque alguém está usando sua família para atrair você.Leonardo guardou o telefone.— Não vou deixar ninguém machucar minha mãe.Valentina segurou sua mão.— Nem eu.Ele olhou para ela.— Se algo acontecer...— Não.Ela o interrompeu.— Não comece.—








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