Mag-log inNão respondi.— Eu sei que nada do que eu disser agora vai adiantar. — Ele enxugou as lágrimas com a mão. — Mas eu realmente mudei. Transferi Alice para outro lugar e cortei todo e qualquer contato com ela. Todos os dias, meus pensamentos acabam voltando para você. Penso se você está se alimentando bem, se está dormindo direito, como está o seu trabalho. Tenho vontade de ligar, mas fico com medo de incomodar. Tenho vontade de ver você, mas receio que a minha presença a irrite.Ele ergueu a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos.— Mas eu não aguento mais. Eu não sei viver sem você.Olhei nos olhos dele. Havia medo, súplica, sinceridade e culpa.— Mas eu já não amo você.Um silêncio sepulcral tomou conta do apartamento.Muito tempo depois, ele falou, com a voz rouca e áspera:— Eu... Não tenho mais nenhuma chance?Não respondi.Ele sustentou meu olhar, como se tentasse encontrar nele uma resposta. Por fim, baixou a cabeça e terminou de comer o macarrão.Pousou os talheres e se levantou.—
Ergui a cabeça.— Mas, naquele dia, foi só isso que você disse.Ele ficou atônito.— Você não disse que queria se casar comigo.A expressão dele mudou de imediato.— Você disse que me protegeria por toda a vida e que me amaria para sempre. Disse muitas coisas, mas não disse: "Quero me casar com você". — Retirei minha mão da dele. — Na época, não dei importância. Achei que você estivesse nervoso e tivesse se esquecido. Mas depois comecei a pensar que talvez você nunca tivesse sequer cogitado se casar comigo.— Eu cogitei! — A voz dele se elevou de repente. — Eu queria! Passei tanto tempo preparando tudo para nós...— Então, por que você não foi ao cartório oficializar nosso casamento civil?Ele abriu a boca, mas não conseguiu responder.— Porque, para você, eu já fazia parte da sua vida. Oficializar ou não o casamento civil não mudaria isso. Mas você se esqueceu de que, perante a lei, nós não somos marido e mulher.O rosto dele perdeu toda a cor.— Alexandre, volte para casa.Me virei e
Meu francês estava cada vez mais fluente, e eu me sentia cada vez mais à vontade no trabalho.Pierre disse que, na primavera do ano seguinte, me deixaria assumir um caso sozinha.Naquela noite, depois de trabalhar até mais tarde, voltei para o apartamento e avistei uma silhueta familiar diante do prédio.Envolto em um sobretudo preto, ele estava parado sob a luz de um poste, segurando um buquê.Assim que me viu, se apressou em minha direção.— Margarida.Era ele: Alexandre. Estava tão magro que parecia outra pessoa. Seus olhos estavam fundos, as maçãs do rosto salientes e os lábios ressecados, como se não comesse nem dormisse direito havia um mês.Fiquei parada onde estava.— O que você está fazendo aqui?— Vim procurar você. — Respondeu, com a voz rouca. — Não consegui esperar mais.— Esperar o quê?— Você voltar. — Disse ele. — Mas você não responde às minhas mensagens nem atende às minhas ligações. Não tive outra escolha senão vir atrás de você.Olhei para as flores em suas mãos. Er
— Margarida!— Alexandre, me deixe em paz. — Encerrei a ligação e desliguei o celular.O colega que viera me buscar correu até mim, se desculpando em francês pelo atraso.Sorri e balancei a cabeça, o seguindo para fora do terminal.A noite em Paris era mais fria do que em meu país, e o vento trazia consigo um aroma desconhecido.Respirei fundo, como se pudesse deixar para trás aqueles cinco anos.Um mês depois, em um pequeno estabelecimento chamado Café de Lumière, perto do 9º arrondissement de Paris. Eu estava sentada junto à janela, com um croissant e um latte diante de mim.Do lado de fora, os pedestres caminhavam apressados pela rua. Alguns passeavam com seus cães, outros empurravam carrinhos de bebê, e havia ainda quem parasse diante das bancas de livros na calçada.— Margarida?Ergui os olhos. Um francês loiro, de olhos azuis, estava parado diante da mesa, com um documento nas mãos.— Pierre. — Cumprimentei em francês fluente, enquanto me levantava. — Pode se sentar, por favor.P
No instante em que o avião atravessou as nuvens, desliguei o celular. Do outro lado da janela, a brancura ofuscante fazia meus olhos arderem.Fechei os olhos, e lembranças daqueles cinco anos passaram pela minha mente.Quando vi Alexandre pela primeira vez no escritório de advocacia, ele usava um terno cinza-escuro e discursava com eloquência durante um júri simulado.Em nosso primeiro encontro, ele me levou para comer em uma barraca de rua, dizendo que aquilo era a verdadeira essência da vida.Na primeira vez em que conheci os pais dele, Alexandre segurou minha mão e disse: "Não tenha medo. Estou aqui."No dia do casamento, ele bebeu demais, me abraçou e disse: "Margarida, casar com você foi a maior bênção da minha vida."Bênção. Abri os olhos e sorri.Pelo visto, até as coisas boas tinham prazo de validade.Depois de doze horas de voo, aterrissei no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Eram sete da noite no horário local.Assim que liguei o celular, as mensagens chegaram como uma e
— Ontem eu disse que estava te devendo um presente, mas não tive tempo. Hoje, estou compensando.Fiquei paralisada por um instante.Só então me lembrei do que ele disse antes de sair no dia anterior: "Quando eu voltar hoje à noite, vou trazer um presente para você."Não esperava que ele ainda se lembrasse. Mas a nota fiscal indicava que a compra havia sido feita apenas meia hora antes.Provavelmente tinha visto que eu havia curtido a publicação de Alice e se sentira culpado.Então, provavelmente aproveitou o caminho para comprar uma bolsa de marca como uma forma de compensação.Não peguei a bolsa nem disse nada.Alexandre a colocou sobre a cama e hesitou por um instante.— Ah, sobre a escolha da funcionária de destaque do escritório no mês que vem... Você poderia...— Ceder o prêmio para Alice?Ele não esperava que eu me antecipasse e assentiu, constrangido.— Ela está apenas começando na profissão e precisa muito desse reconhecimento. Você já ganhou várias vezes...Então, até aquele p







