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Capítulo 2

Author: Nada Mais
Eu sabia que Alexandre, embora tivesse dito ao meio-dia que voltaria para casa, não apareceria mais naquele dia. Aquilo já havia acontecido vezes demais durante aqueles seis meses de casamento.

Depois do jantar, não deixei comida para Alexandre como costumava fazer. Em vez disso, abri meu e-mail.

Entre os convites enviados por escritórios de advocacia de mais de dez países, cliquei diretamente naquele que havia vindo da França. Sem pensar duas vezes, aceitei a proposta e comprei uma passagem para Paris para dali a dois dias.

Na manhã seguinte, comecei a arrumar as malas. No guarda-roupa do quarto do casal, minhas roupas ficavam do lado esquerdo, enquanto as de Alexandre ocupavam o lado direito. Havia camisas de todas as cores. Antes, Alexandre jamais usaria algo assim. Mas, depois que Alice apareceu, ele disse que aquele estilo o fazia parecer mais acessível e conquistava mais a simpatia dos clientes.

Por isso, os ternos de alta-costura que eu havia escolhido com tanto cuidado para ele agora acumulavam poeira no fundo do armário.

Com um sorriso discreto, comecei a colocar minhas roupas na mala, uma por uma.

Eu ainda não havia chegado nem à metade quando Alexandre voltou para casa.

Na camisa cor-de-rosa que ele vestia, ainda permanecia o perfume de que Alice tanto gostava.

Ao me ver, ele se surpreendeu e rapidamente tentou se explicar:

— Ontem à noite, Alice insistiu em sair para fazer compras. Quando voltamos, já estava tarde demais, então peguei um quarto de hotel.

Apenas assenti. Em seis meses de casamento, aquela era a primeira vez que ele tomava a iniciativa de se explicar.

Ele deu dois passos em minha direção e olhou para a mala.

— Você vai viajar a trabalho?

— Vou.

Por algum motivo, ele pareceu aliviado.

— Tenho algumas coisas para resolver hoje. Só voltei para pegar algo e já vou sair.

— Está bem.

Sem levantar a cabeça, continuei dobrando as roupas.

Eu pretendia contar durante o almoço que havia pedido demissão. Agora, porém, aquilo já não parecia necessário.

Ele respondeu apenas com um murmúrio, tirou uma sacola de presente vermelha de dentro do armário, pegou o casaco próximo à porta e saiu novamente às pressas.

No instante em que a porta se fechou, o porta-retratos pendurado na parede despencou de repente. O vidro se estilhaçou pelo chão.

Era uma foto tirada no dia do nosso casamento. Nela, ele vestia o terno que eu havia escolhido, e eu usava um vestido de noiva.

Naquele dia, ele prometeu que me amaria para sempre, que cuidaria de mim e me protegeria. Com os olhos marejados, eu sorria ingenuamente.

Mas bastou Alice aparecer para que ele deixasse todas aquelas promessas esquecidas.

Fiquei encarando a fotografia por um longo tempo antes de recolher todos os cacos de vidro do chão.

Depois, joguei no lixo aquela foto repleta de felicidade, junto com o último vestígio de hesitação que ainda restava em meu coração.

Ao anoitecer, eu mal havia me deitado quando recebi uma ligação de minha melhor amiga, Leonor:

— Você viu a publicação da Alice? O que está acontecendo entre ela e o Alexandre?

Abri a publicação no celular.

Alice tinha acabado de postar um mosaico com nove fotos. No centro, estava o novo colar em seu pescoço.

A legenda dizia: [Feliz aniversário de vinte e dois anos para mim. Obrigada pelo presente, Alexandre.]

Na foto do canto inferior direito, aparecia metade de uma sacola de presente vermelha.

Então Alexandre havia voltado ao meio-dia apenas para buscar o presente de aniversário de Alice.

Leonor continuava xingando do outro lado da linha:

— Vocês estão casados há apenas seis meses, e ela já tem coragem de se exibir desse jeito? O Alexandre perdeu a cabeça?

Eu disse:

— Nós não registramos o casamento no cartório.

Do outro lado da linha, se instalou um silêncio absoluto. Só muito tempo depois ouvi sua voz, tomada pela incredulidade:

— O quê?

— Fizemos a cerimônia, mas não assinamos os papéis.

Repeti aquilo sem qualquer oscilação na voz.

Se seguiu outro longo silêncio. Por fim, Leonor falou mais baixo, com um toque de compaixão:

— E o que você vai fazer?

Olhei para a mala já pronta e sorri.

— Amanhã vou para Paris. O escritório de lá me enviou um convite há muito tempo.

— Ele não vai tentar impedir você?

— Ele não sabe.

E também não se importaria. Depois de desligar, voltei a olhar para a publicação de Alice.

Pensei por um instante e acabei curtindo. Considerei aquilo meu último gesto de aceitação da relação dos dois.

Às dez da noite, Alexandre voltou. Assim que entrou, estendeu a mão por hábito para pendurar o casaco, mas interrompeu o movimento no meio do caminho.

— Onde está a foto atrás da porta? — Sem sequer guardar o casaco, ele entrou no quarto, com um leve pânico na voz. — Amor, onde está a nossa foto?

Recostada na cabeceira da cama, respondi com indiferença:

— Caiu e quebrou.

Ao ouvir isso, ele olhou para os cacos de vidro na lixeira e sua expressão relaxou.

Em seguida, tirou de dentro da bolsa uma sacola de uma marca de luxo e a estendeu para mim.

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