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Capítulo 3

Author: Nada Mais
— Ontem eu disse que estava te devendo um presente, mas não tive tempo. Hoje, estou compensando.

Fiquei paralisada por um instante.

Só então me lembrei do que ele disse antes de sair no dia anterior: "Quando eu voltar hoje à noite, vou trazer um presente para você."

Não esperava que ele ainda se lembrasse. Mas a nota fiscal indicava que a compra havia sido feita apenas meia hora antes.

Provavelmente tinha visto que eu havia curtido a publicação de Alice e se sentira culpado.

Então, provavelmente aproveitou o caminho para comprar uma bolsa de marca como uma forma de compensação.

Não peguei a bolsa nem disse nada.

Alexandre a colocou sobre a cama e hesitou por um instante.

— Ah, sobre a escolha da funcionária de destaque do escritório no mês que vem... Você poderia...

— Ceder o prêmio para Alice?

Ele não esperava que eu me antecipasse e assentiu, constrangido.

— Ela está apenas começando na profissão e precisa muito desse reconhecimento. Você já ganhou várias vezes...

Então, até aquele presente comprado apenas por conveniência já vinha com uma condição implícita.

Assenti:

— Tudo bem.

Ele ficou imóvel, talvez por não esperar que eu concordasse com tanta facilidade.

— Você... Não está com raiva?

Balancei a cabeça. Não havia por que ficar com raiva. Porque, a partir daquele momento, eu não queria mais nada daquilo que ela tanto desejava, fosse o prêmio de funcionária de destaque, fosse a preferência de Alexandre.

A expressão dele relaxou, e ele acrescentou:

— Alice é minha estagiária, e você, de certa forma, é mais experiente do que ela. É natural que seja mais generosa. Ah, amanhã de manhã, podemos aproveitar para passar no cartório.

Olhei para ele sem dizer nada.

Como se de repente tivesse se lembrado de alguma coisa, ele perguntou:

— Quase me esqueci de que você ainda vai viajar a trabalho. Que horas é o seu voo amanhã?

— Às três da tarde.

— Então dá tempo. — Respondeu de imediato, com absoluta certeza. — Amanhã, às dez, nos encontramos na porta do cartório. Já contratei até o fotógrafo e paguei o sinal.

Eu estava prestes a dizer que não era necessário, que já não fazia sentido oficializarmos qualquer coisa entre nós.

Mas, naquele exato momento, o celular dele voltou a tocar. Na tela, mais uma vez, aparecia o nome de Alice.

Ao telefone, ela disse, com voz suave, que estava sentindo uma dor terrível no abdômen e perguntou se Alexandre poderia levá-la ao hospital.

Depois de desligar, uma rara hesitação surgiu no rosto dele.

Eu disse:

— Vá.

Aliviado, ele se aproximou e me abraçou.

— Amanhã, se arrume bem bonita. Eu estarei lá, sem falta. Não vou deixar você esperando. — Assim que terminou de falar, pegou o casaco e saiu.

No instante em que a porta se fechou, olhei para a bolsa sobre a cama. A nota fiscal ainda estava presa em uma das frestas.

Não abri, apenas coloquei de volta na sacola, exatamente como estava, e a guardei na prateleira mais alta do armário.

Ali dentro, havia outras duas bolsas do mesmo modelo, em cores diferentes, que ele também tinha comprado "por acaso" no passado.

Às nove e meia da manhã seguinte.

Fechei a última mala e passei os olhos pelo quarto.

As roupas de Alexandre estavam perfeitamente alinhadas no armário. O meu lado estava completamente vazio.

Às nove e quarenta e cinco, faltavam quinze minutos para o horário que ele havia marcado para o casamento civil.

Chamei um carro e segui para o aeroporto.

Às dez em ponto, continuávamos sem trocar nenhuma palavra. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação.

E, até o meio-dia, não recebi nenhum telefonema de Alexandre perguntando por que eu não havia ido ao cartório.

À tarde, depois de pegar meu cartão de embarque, caminhei até o portão. Quando estava prestes a embarcar, meu celular finalmente vibrou. Era uma mensagem de Alexandre. Na verdade duas, enviadas uma logo após a outra.

[Amor, Alice não pode ficar sozinha no hospital. Acho que hoje não vou conseguir chegar a tempo para o casamento civil.]

[Quando você voltar dessa viagem, eu vou buscá-la no aeroporto e iremos direto ao cartório. Desta vez, não vou me atrasar de jeito nenhum.]

Ao ler aquelas mensagens, não senti nada.

Como eu já esperava, nem na décima oitava tentativa Alexandre apareceu para o casamento civil.

Com a expressão serena, segurei o celular e respondi, palavra por palavra:

[Não precisa, Alexandre. Eu já pedi demissão e estou prestes a começar um novo emprego no exterior.]

[A partir de hoje, não teremos mais nenhuma relação.]

Depois de enviar a última mensagem, me preparei para desligar o celular. Mas, no segundo seguinte, a tela se acendeu de repente.

O número conhecido apareceu na tela repetidamente, uma vez após outra.

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