— Margarida!— Alexandre, me deixe em paz. — Encerrei a ligação e desliguei o celular.O colega que viera me buscar correu até mim, se desculpando em francês pelo atraso.Sorri e balancei a cabeça, o seguindo para fora do terminal.A noite em Paris era mais fria do que em meu país, e o vento trazia consigo um aroma desconhecido.Respirei fundo, como se pudesse deixar para trás aqueles cinco anos.Um mês depois, em um pequeno estabelecimento chamado Café de Lumière, perto do 9º arrondissement de Paris. Eu estava sentada junto à janela, com um croissant e um latte diante de mim.Do lado de fora, os pedestres caminhavam apressados pela rua. Alguns passeavam com seus cães, outros empurravam carrinhos de bebê, e havia ainda quem parasse diante das bancas de livros na calçada.— Margarida?Ergui os olhos. Um francês loiro, de olhos azuis, estava parado diante da mesa, com um documento nas mãos.— Pierre. — Cumprimentei em francês fluente, enquanto me levantava. — Pode se sentar, por favor.P
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