ANMELDEN
Adrian deu um passo à frente naquele instante.Não me tocou.Apenas se posicionou entre Luca e eu com uma calma quase silenciosa.— Don Luca.Sua voz permaneceu serena.— A Donna Elena já deixou sua decisão muito clara.Só então Luca pareceu notar sua presença.Seu olhar passou por Adrian e voltou para mim.Estava cheio de dor.E de incredulidade.— O que lhe dá o direito de ficar ao lado dela?Adrian não caiu na provocação.Apenas respondeu:— Ela me permitiu.Aquelas palavras atingiram Luca com muito mais força do que qualquer discussão poderia atingir.Ele abaixou a cabeça.Uma breve risada escapou de seus lábios.Era uma risada quebrada.Quase sem vida.Então levou os dedos até a pequena cicatriz próxima à sobrancelha.— Você se lembra disto?Olhou para mim.— Depois do nosso primeiro casamento...Sua voz vacilou.— Quando corri atrás de você e me ajoelhei diante do carro do seu pai...Passei por cima de cacos de vidro.Foi assim que fiquei com essa cicatr
Na noite seguinte, encontrei Luca novamente durante uma recepção privada entre as famílias em Mônaco.A reunião da Comissão já havia terminado, mas algumas famílias permaneceram para concluir acordos particulares.Na varanda, as famílias Moretti e Bellini discutiam um tratado de compartilhamento da rota do porto sul.Adrian Bellini estava sentado à minha frente.Era o herdeiro da família Bellini.E também o homem que meu pai havia escolhido como candidato a uma aliança entre nossas famílias.Diferente de Luca...Adrian nunca me perguntou sobre os sete casamentos que não aconteceram.Nunca usou o meu passado para me testar.Apenas aguardou o fim da negociação.Então empurrou uma elegante caixa de couro azul-escuro na minha direção.— Isto não é uma pressão.Sua voz permaneceu tranquila.— É apenas uma opção.Abri a caixa.Dentro dela havia uma antiga ficha de prata gravada com o brasão da família Bellini.Adrian aproximou a caixa um pouco mais de mim.— Se você aceitar.
O avião pousou no aeródromo particular de Palermo pouco depois do amanhecer.Quando desci a escada da aeronave, meu pai já me esperava no fim da pista.Três anos haviam acrescentado fios grisalhos às suas têmporas.Mas sua postura permanecia tão firme quanto sempre.Atrás dele, a comitiva da família Moretti aguardava em silêncio.Diversos "caporegimes" mantinham a cabeça baixa.Ninguém dizia uma única palavra.Parei diante dele.— Papai.Seu olhar repousou durante alguns segundos sobre o brasão da família Moretti preso ao meu peito.Depois...Ergueu lentamente a mão.Afastou uma mecha de cabelo que o vento havia jogado sobre meu rosto.Então disse apenas:— Você voltou para casa.Sua voz permaneceu calma.— Agora pare de esperar do lado de fora da porta de outra pessoa.Senti um nó apertar minha garganta.Por causa de Luca...Permaneci em Nova York.Desobedeci ao meu pai.Permiti que o nome Moretti fosse humilhado diante da capela da família Romano.Durante muito
Quando Luca voltou para a mansão da família Romano, encontrou Celeste esperando por ele no quarto principal.Ela vestia o roupão de Elena.No pulso...Brilhava a mesma pulseira de diamantes que havia "emprestado" no dia do quarto casamento.Luca parou na porta.Seu olhar permaneceu fixo no roupão.Depois na pulseira.Sua voz saiu fria.— Quem deixou você entrar aqui?Celeste abaixou a cabeça.Parecia surpresa com o tom dele.— Eu estava preocupada com você.Levantou os olhos lentamente.— Depois do que aconteceu hoje... achei que você não deveria ficar sozinho.Luca não respondeu.Continuava olhando para as roupas que pertenciam a Elena.Então falou:— Tire as coisas da Elena.O rosto de Celeste perdeu completamente a cor.Ela levou as mãos às pressas até o fecho da pulseira.Mas seus dedos tremiam tanto que mal conseguiam soltá-lo.— Me desculpa...Sua voz saiu baixa.— Eu só vi o roupão aqui... e acabei lembrando daquele casamento.Sorriu sem jeito.— Você me
Depois que Mia disse:— Ela não vai voltar.Luca finalmente pareceu entender.A capela mergulhou em um silêncio pesado.Os convidados começaram a cochichar discretamente.O sacerdote fechou o livro dos votos.Ao redor do altar, as rosas brancas pareciam estranhamente imóveis.Luca ignorou todos ao seu redor.Virou-se imediatamente para a saída.— Descubram como ela foi embora.Seus homens não demoraram a voltar.— Don Luca.Um deles respirou fundo antes de continuar.— As câmeras da porta lateral foram desligadas.— Os seguranças da saída dos fundos foram substituídos.— Há cerca de meia hora, um carro preto, sem placas da família Romano, saiu da garagem.Ele baixou a cabeça.— Todos os rastros foram apagados.Luca permaneceu imóvel.Aquilo...Não era raiva.Também não era uma encenação para fazê-lo correr atrás dela.Elena havia planejado sua partida muito antes daquele dia.Ele pegou o celular e ligou para ela.Uma vez.Duas.Três.De novo.E outra vez.T
Nos dias que se seguiram, Luca passou a me ligar com uma frequência que nunca tivera antes.Às vezes perguntava sobre os preparativos do casamento.Outras vezes, queria apenas saber se eu havia comido.Em algumas ligações, permanecia vários segundos em silêncio antes de perguntar, quase em um sussurro:— Você ainda está brava comigo?Na maioria das vezes, eu não respondia.E, quando respondia...Eram apenas poucas palavras.Alguns dias depois, Mia me contou que Luca e Celeste haviam discutido durante um jantar da família Romano.Segundo ela, Celeste chorou diante de todos, dizendo que nunca quis se tornar um peso para ninguém.Mas, dessa vez...Luca não saiu com ela.Limitou-se a ordenar que alguém a levasse de volta para a casa segura.Depois deixou o jantar sozinho.Mia parecia satisfeita enquanto contava aquilo.Eu apenas sorri.Luca finalmente começava a perceber o meu silêncio.Mas...Eu já não precisava que ele percebesse.Na noite em que completaríamos sete an







