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CAPÍTULO 4

Anna Smith
Nos dias que se seguiram, Luca passou a me ligar com uma frequência que nunca tivera antes.

Às vezes perguntava sobre os preparativos do casamento.

Outras vezes, queria apenas saber se eu havia comido.

Em algumas ligações, permanecia vários segundos em silêncio antes de perguntar, quase em um sussurro:

— Você ainda está brava comigo?

Na maioria das vezes, eu não respondia.

E, quando respondia...

Eram apenas poucas palavras.

Alguns dias depois, Mia me contou que Luca e Celeste haviam discutido durante um jantar da família Romano.

Segundo ela, Celeste chorou diante de todos, dizendo que nunca quis se tornar um peso para ninguém.

Mas, dessa vez...

Luca não saiu com ela.

Limitou-se a ordenar que alguém a levasse de volta para a casa segura.

Depois deixou o jantar sozinho.

Mia parecia satisfeita enquanto contava aquilo.

Eu apenas sorri.

Luca finalmente começava a perceber o meu silêncio.

Mas...

Eu já não precisava que ele percebesse.

Na noite em que completaríamos sete anos desde que nos apaixonamos, ele enviou um vestido.

Também mandou um broche de safiras.

E um cartão escrito à mão.

"Elena, desta vez... apenas nós dois."

Ele havia reservado o teatro particular à beira-mar.

O mesmo teatro que, anos atrás, eu mencionara casualmente.

Naquela época, imaginei nós dois sentados no camarote do segundo andar, assistindo à ópera inteira enquanto, do lado de fora, o mar escurecia lentamente.

Eu fui.

Mas não porque ainda acreditasse nele.

Fui porque queria me despedir daquele sonho da maneira certa.

Quando cheguei, o camarote já estava preparado.

Rosas brancas.

Uma garrafa de vinho tinto.

E uma vista perfeita para o mar.

Luca...

Não estava lá.

Faltavam apenas dez minutos para o início da apresentação quando recebi uma mensagem de voz.

Ao fundo, ouvi o barulho de um carro.

Misturado ao choro baixo de Celeste.

— Me desculpa, Elena.

A voz de Luca soava cansada.

— Homens da família Vitale apareceram na frente da casa segura da Celeste. Ela está apavorada. Eu preciso ir até lá pessoalmente.

Ele fez uma breve pausa.

A culpa era evidente em sua voz.

— Ainda teremos muitas outras noites.

Respirou fundo.

— Depois do casamento, eu trago você aqui quantas vezes quiser.

Não respondi.

Quando as luzes do teatro se apagaram...

Meu celular vibrou novamente.

Era uma nova publicação de Celeste.

Na fotografia...

O casaco de Luca envolvia seus ombros.

Ele estava ao lado do carro, inclinando a cabeça enquanto fechava cuidadosamente a gola da roupa para protegê-la do frio.

A legenda dizia:

"Algumas pessoas não têm para onde ir. Graças a Deus, ele nunca me deixa sozinha."

Olhei aquela fotografia apenas uma vez.

Depois...

Desliguei o celular.

Foi a última vez que esperei por Luca.

Poucos dias depois...

Chegou o nosso oitavo casamento.

Dessa vez, Luca realmente organizou tudo sozinho.

A capela da família Romano estava completamente decorada com rosas brancas.

A lista de convidados havia sido conferida pessoalmente por ele.

Toda a segurança fora substituída por seus homens de maior confiança.

E a aliança que eu nunca experimentara...

Foi enviada para o quarto da noiva em três tamanhos diferentes.

Todos acreditavam que, finalmente...

Aquele casamento aconteceria.

Apenas eu sabia...

Que não aconteceria.

Naquela manhã, Mia me ajudou a vestir o vestido de noiva.

O véu caiu delicadamente sobre meus ombros.

A saia espalhou-se pelo chão.

Parecia um sonho...

Que havia sido preparado vezes demais.

Quando ela fechou o último botão de pérola...

Percebi que seus olhos estavam vermelhos.

— Você realmente não vai vê-lo uma última vez?

Balancei a cabeça.

— Se eu olhar para ele...

Minha voz saiu baixa.

— Talvez eu me lembre de coisas demais.

Mia não insistiu.

Permaneceu em silêncio.

No instante em que coloquei meu anel de noivado dentro da caixa de veludo branco...

Meu celular tocou.

Era meu pai.

Atendi imediatamente.

Sua voz soou firme.

— O helicóptero já está pronto.

Respirei fundo.

— Estou indo.

Depois de desligar...

Desliguei também meu celular.

Então saí discretamente pela porta lateral.

Enquanto isso...

Na capela...

Luca aguardava diante do altar usando o terno que eu havia escolhido para ele.

As abotoaduras brilhavam sob a luz das velas.

Na palma de sua mão repousava a aliança destinada ao meu dedo.

Todos os convidados já estavam sentados.

O sacerdote havia aberto o livro dos votos.

Mas...

A noiva nunca apareceu.

No início, Luca apenas franziu a testa.

Imaginou que eu ainda estivesse no quarto ajustando o véu.

Dez minutos se passaram.

Foi então que Mia entrou sozinha na capela.

Caminhou lentamente até o altar.

Sem dizer uma palavra...

Colocou a pequena caixa de veludo branco nas mãos de Luca.

No instante em que ele abriu a caixa e viu meu anel de noivado...

Seu rosto perdeu completamente a cor.

— Para onde ela foi?

Sua voz saiu trêmula.

Mia olhou para as grandes portas da capela, agora abertas.

Depois voltou os olhos para ele.

Sua resposta foi calma.

Definitiva.

— Ela foi embora, Luca.

Fez uma pequena pausa.

— E desta vez...

— Ela não vai voltar.

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