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Quatro da manhã

last update Veröffentlichungsdatum: 19.09.2026 09:08:44

O romance nunca havia preparado Rafael para aquilo. Nem os livros. Nem os filmes. Nem qualquer fantasia que um dia tivesse alimentado sobre a paternidade. Alice chorava. Olivia chorava. Carmem estava sentada na cama com os cabelos presos de qualquer jeito, uma mancha de leite na camiseta e uma expressão de quem poderia cometer um crime.

— Sua filha está chorando.

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    Carmem voltou do jantar antes das dez. O colega da universidade era agradável. Inteligente. Divertido. Conversaram sobre trabalho, alunos, livros e os absurdos da vida acadêmica. Nada aconteceu entre eles. E esse era justamente o problema: Carmem percebeu que não desejava que acontecesse. Durante todo o jantar, Carmem pensou em Rafael. No beijo. Na maneira como ele havia parado quando percebeu que poderia ultrapassar um limite. Na expressão de ciúme que tentou esconder. E principalmente no homem que saíra de sua casa sem perguntar quando poderia voltar. Quando entrou no apartamento, encontrou Rosalina no sofá.— Cedo.— Estou cansada.Rosalina olhou para ela.— Mentira.Carmem deix

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    As meninas completaram quatro meses. Rosalina praticamente expulsou Carmem de casa.— Vá jantar.— Não quero.— Quer sim.— Estou cansada.— Exatamente.— E as meninas?— Têm uma tia.— Alice só dorme...— Carmem.Rosalina apontou para a porta.— Vá viver duas horas.Carmem ainda hesitou. Desde o nascimento das meninas, sua vida parecia medida em mamadas, fraldas, consultas e hor

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    O romance nunca havia preparado Rafael para aquilo. Nem os livros. Nem os filmes. Nem qualquer fantasia que um dia tivesse alimentado sobre a paternidade. Alice chorava. Olivia chorava. Carmem estava sentada na cama com os cabelos presos de qualquer jeito, uma mancha de leite na camiseta e uma expressão de quem poderia cometer um crime.— Sua filha está chorando.Rafael, segurando Olivia, olhou para Alice.— Qual delas?— As duas são suas.— Quando choram, aparentemente são minhas.Carmem começou a rir. Depois chorou. Rafael congelou.— O que aconteceu?— N&a

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    Alice decidiu nascer primeiro. Olivia veio sete minutos depois. Até aquele momento chegar, porém, Carmem teve certeza de que não conseguiria. A bolsa rompeu numa madrugada. O quarto ainda estava escuro, cortado apenas pela luz azulada do relógio e pelos faróis que atravessavam a cortina. Minutos depois, tudo se tornou movimento: bolsa, documentos, telefone, respirações curtas e o elevador que parecia descer devagar demais. No hospital, o cheiro de antisséptico, as luzes brancas e o som ritmado dos monitores tornaram real aquilo que até então existira como expectativa. Dessa vez não havia dúvida. Rosalina a levou ao hospital porque Rafael estava em outra cidade para uma audiência.No caminho, Carmem segurava a barriga.— Liga para ele.Rosalina olhou.— Tem certeza?

  • Quando o Destino Nos Reencontra   Antes da hora

    Às três e dezessete da manhã, Carmem acordou com uma dor diferente. Abriu os olhos. Esperou. Passou.— Tudo bem.Sussurrou para si mesma. Virou de lado. Oito minutos depois, outra. Mais forte. Carmem sentou-se. Colocou a mão sobre a barriga.— Meninas, ainda não.Respirou. Talvez fosse normal, tentou convencer-se. A médica havia explicado contrações de treinamento. Levantou-se para beber água. Então sentiu outra. Mas alguma coisa dentro dela soube antes que a razão pudesse negar. Pegou o celular. Pensou em Rosalina. Na médica. No hospital. Depois seus dedos encontraram um nome. Rafael. Parou. A contração seguinte decidiu por ela. Ligou. Ele atendeu sonolento.— Carmem?— Acho que está acontecendo

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