LOGINPOV: Lorenzo De LucaBianca entrou na mansão acompanhada por Alessandro. Eu estava esperando no hall. Quando a vi inteira, andando normalmente, uma tensão que eu não tinha percebido carregar deixou meus ombros.Ela parou diante de mim.— Estou bem — adiantou-se Bianca, lendo minha preocupação.— Eu sei.— Seu rosto discorda.Segurei sua cintura e a trouxe para perto, sem me importar com a presença de Alessandro logo atrás dela.— Renato Balestri levou um tiro — relatei de forma direta.Bianca perdeu o sorriso no mesmo instante.— Morreu?— Ainda não.Ela olhou por cima do meu ombro na direção de Alessandro.— Enzo Mancini?— Está bem — respondeu Alessandro.Bianca respirou fundo, processando o cenário.— Por que fui retirada da Fundação?— Porque quem atirou em Renato sabia exatamente onde ele estava.Seus olhos voltaram para mim, compreendendo a gravidade.— Vazamento.— Sim.— Dentro dos De Luca?— Provavelmente.Ela ficou em silêncio por alguns instantes.— E você quer que eu perma
A porta do motorista do sedã abriu abruptamente, e o homem correu em direção aos becos. Mancini partiu no encalço dele sem hesitar. Fui diretamente para o lado do passageiro.Renato Balestri saiu caminhando da cabine destruída. Havia sangue escorrendo de um corte em sua testa, mas ele estava visivelmente vivo. Ele me reconheceu na mesma hora; vi o terror e o choque em seus olhos.— Alessandro... — murmurou ele, com a voz trêmula.— Mãos onde eu possa ver, Renato.— Você não entende o que está acontecendo aqui.— Então explique de uma vez.— Eles vão me matar se eu falar.Aquilo me fez parar o avanço por um segundo.— Quem vai matar você?Renato olhou desesperadamente para trás. O motorista em fuga já estava sendo imobilizado por Mancini no chão do beco.— Renato — cobrei, aproximando-me.Ele começou a tremer visivelmente sob a minha custódia.— Eu não devia ter encontrado Valenti de jeito nenhum.Me aproximei mais, contendo seus movimentos.— Por que você o encontrou então?— Mandaram
POV: Alessandro FerraroO acesso ao arquivo de Giovanni terminou às duas e onze da manhã. Ninguém saiu da Torre De Luca. Ninguém correu. Ninguém fez uma ligação que pudéssemos interceptar. Isso me preocupava mais do que uma fuga; quem estava do outro lado sabia esperar.Às sete da manhã, Matteo ainda estava diante dos monitores quando coloquei uma xícara de café ao lado dele.— Se continuar assim, suas três filhas vão culpar Lorenzo quando você morrer sentado nessa cadeira — comentei, tentando aliviar o clima.Matteo pegou a xícara com as duas mãos.— Minhas filhas culpam Lorenzo por metade dos meus cabelos brancos.— E a outra metade?— Enzo.Sorri.— Seu sobrinho ficaria emocionado.— Ele ficaria preocupado em saber quando herdará o comando dos Ricci.— Então ainda existe esperança.O vislumbre de bom humor desapareceu por completo quando Matteo abriu o registro detalhado da madrugada.— Não consegui chegar ao terminal exato — revelou ele, apontando para as linhas de código.— Mas?
— É sua casa — explicou o consigliere, apontando para o Don. — Matteo faz.Lorenzo voltou o olhar para mim.— À meia-noite.Assenti.Passei o restante do dia preparando a ausência digital de Luca Bernardi nos bancos de dados. Nenhum alerta foi gerado, nenhuma exclusão definitiva foi feita; apenas permissões alteradas e referências ocultadas cirurgicamente. Para qualquer funcionário comum da organização De Luca, nada mudaria. Para alguém que acompanhasse os movimentos de Bernardi por interesse próprio, seria impossível não notar o sumiço.Às vinte e três e cinquenta e oito, Alessandro estava comigo na central da Torre De Luca. Lorenzo permanecia na mansão com Bianca; Vittorio insistira nisso. Se alguma coisa de fato acontecesse, ele seria acionado imediatamente.À meia-noite em ponto, pressionei a tecla de execução. Bernardi desapareceu do sistema intermediário.— Agora? — Alessandro perguntou, os olhos fixos nos monitores.— Esperamos.Vinte minutos se passaram. Nada. Quarenta minutos
POV: Matteo RicciGiovanni De Luca tinha deixado poucas coisas ao acaso. Quanto mais eu examinava seus registros, mais entendia isso: rotas alternativas, mudanças de horários, informações distribuídas em níveis diferentes, reuniões registradas com o mínimo necessário. Nos dois meses anteriores à sua morte, porém, aquilo tinha se intensificado. Não parecia paranoia; parecia método.Às sete e vinte da manhã, Carmine colocou uma xícara de café ao lado do meu computador.— Ainda não dormiu? — perguntou o velho consigliere.— Dormir está superestimado.— Lorenzo também pensa assim.— Bianca está corrigindo esse defeito nele.Carmine quase sorriu. Estávamos numa sala reservada da Villa Bellini. Vittorio queria que a análise histórica permanecesse fora dos sistemas principais até entendermos o que tínhamos em mãos.Na tela havia vinte e três nomes: homens que, em algum momento, tiveram acesso a informações operacionais de Giovanni nos últimos meses de seu comando. Alguns estavam mortos; outr
POV: Alessandro FerraroEu conhecia aquele rosto. Foi isso que mais me incomodou. Não era um homem que eu encontrava toda semana, nem alguém que participava das reuniões restritas de Lorenzo, mas eu o conhecia. E meu pai também.Coloquei a fotografia sobre a mesa da Villa Bellini. Lorenzo estava diante de mim. Vittorio permanecia sentado, com Carmine à direita. Matteo tinha três arquivos abertos no computador, enquanto Enzo Mancini observava em silêncio.— Confirmou? — perguntou Lorenzo.— Sim — respondi.— Então fale.Respirei fundo.— Renato Balestri.O nome permaneceu no ambiente. Lorenzo estreitou os olhos.— Balestri.— Primo do atual capo da família Balestri — expliquei. — Não ocupa posição pública importante na estrutura. Oficialmente administra empresas da família.— E estava encontrando Ettore Valenti.— Sim.Matteo colocou duas fotografias lado a lado.— Confirmação facial de noventa e seis por cento — informou o consigliere.Lorenzo continuou olhando para a imagem.— Os Bale







