LOGINA noite já havia caído quando eles deixaram a antiga sala de registros.Ninguém estava disposto a voltar para a segurança da construção.Não depois do que haviam encontrado.Kael caminhava em silêncio.A pergunta continuava martelando em sua cabeça.E se seu pai nunca tivesse morrido?Ele tentou afastá-la.Era absurdo.Seu pai havia sido declarado morto muitos anos atrás. Havia um funeral. Havia um túmulo. Havia documentos.Tudo estava registrado.Mas também havia aquela assinatura.E Leôncio.Victor caminhava ao seu lado, carregando a pasta com os documentos.— Vamos primeiro ao cemitério — disse ele.Kael assentiu.— Precisamos encontrar o túmulo.Aldric os observava alguns passos atrás.— E depois?— Depois procuramos os registros do enterro.Selene olhou para Kael.— Você nunca foi ao túmulo do seu pai?— Fui.— Quando?Kael hesitou.— Quando era mais jovem.— E depois?Ele ficou em silêncio.— Faz muitos anos.Elena percebeu.— Você nunca voltou?Kael balançou a cabeça.— Não.Vi
Victor continuava com o certificado de óbito nas mãos.Ninguém falava.A assinatura no final do documento permanecia ali, quase apagada pelo tempo, mas suficientemente visível para ser reconhecida.Kael não conseguia tirar os olhos dela.Elena percebeu primeiro.— Kael... você conhece essa assinatura?Ele não respondeu.Aldric observava seu rosto.— Conhece.Kael respirou fundo.— Sim.Victor levantou os olhos.— De quem é?Kael pegou o documento novamente.Passou o dedo sobre a assinatura.— Do meu pai.Victor ficou imóvel.Selene arregalou os olhos.— Mas isso é impossível.Kael assentiu.— É.Elena se aproximou.— Por quê?Kael demorou alguns segundos antes de responder.— Porque meu pai morreu antes de Leôncio.Victor franziu a testa.— Tem certeza?— Tenho.Kael conhecia a história da própria família. A morte de seu pai sempre fora um fato. Uma data registrada. Um acontecimento que ninguém jamais questionara.E, segundo aqueles registros, ele havia morrido antes do desapareciment
Victor não conseguiu seguir em frente.Depois de alguns passos, parou.Aquela dúvida já não era mais uma dúvida.Era uma necessidade.— Precisamos voltar.Kael o encarou.— Voltar para onde?— Para o arquivo.Aldric franziu a testa.— O arquivo já foi abandonado.— Então encontramos outro caminho.Victor respirou fundo.— Se existe um registro da morte do meu pai, ele precisa estar em algum lugar.Kael ficou em silêncio por alguns segundos.— Você quer procurar sozinho?— Não.Victor olhou diretamente para ele.— Quero que você venha.A resposta surpreendeu Kael.— Depois do que eu acabei de dizer?— Justamente por isso.Victor se aproximou.— Se você realmente acredita que meu pai era o terceiro homem, quero descobrir a verdade tanto quanto você.Elena olhou para Kael.— Vamos.Selene assentiu.— Eu também quero saber.Aldric foi o último a se manifestar.— Então não perderemos mais tempo.---Horas depois, conseguiram chegar a uma antiga sala de registros que ainda não havia sido de
na passagem....Ninguém disse nada.O nome de Leôncio parecia ter parado o tempo dentro daquela passagem.Leôncio... quando Kael falou esse nome ecoou na passagem, Victor ficou paralisado pensando e lembrando de seu paiVictor continuava olhando para Kael, como se esperasse que ele dissesse que havia cometido um engano.— Meu pai... — sua voz saiu baixa. — Você está dizendo que meu pai era o terceiro homem?— Estou.Victor balançou a cabeça.— Não.— Victor...— Não! — ele interrompeu. — Meu pai morreu.Kael não desviou o olhar.— Você mesmo disse que nunca viu o corpo.Victor ficou em silêncio.Elena percebeu a tensão aumentando.— Victor, respira.Ele passou a mão pelo rosto.— Eu era criança quando aconteceu. Minha mãe disse que ele tinha morrido. Todos disseram.— E ninguém encontrou o corpo? — Kael perguntou.Victor não respondeu.Aldric finalmente falou:— Isso precisa ser verificado.Victor olhou para ele.— Você também acredita nisso?— Eu acredito que, depois de tudo que desc
A passagem era estreita e escura.Kael seguia na frente, com Elena logo atrás. Selene e Victor vinham alguns passos depois, enquanto Aldric fechava o grupo.A construção abandonada já ficava para trás.O homem que os havia ajudado permanecera lá dentro, deliberadamente mais distante, atraindo a atenção dos perseguidores para longe deles.Por alguns minutos, ninguém disse nada.Só o som dos passos apressados ecoava pelo caminho.Até Kael parar.Victor quase esbarrou nele.— O que foi?Kael virou-se lentamente.Seus olhos estavam diferentes.Frios.— Qual era o nome do seu pai?Victor franziu a testa.— O quê?— Seu pai. Qual era o nome dele?— Leôncio.Kael não reagiu.Mas Elena percebeu a mudança em seu rosto.— Kael...Ele continuou olhando para Victor.— Quando ele morreu?Victor pareceu confuso com a pergunta.— Faz muitos anos.— Você viu o corpo?O silêncio veio imediatamente.Victor abaixou os olhos por um instante.— Não.Kael deu um passo na direção dele.— Nunca?— Não.— Ent
Ninguém se moveu.Por alguns segundos, os cinco permaneceram completamente imóveis.A voz que havia surgido na escuridão ainda ecoava na cabeça de Kael.— A pergunta certa é... quantos de vocês ainda estão sendo observados?Kael estreitou os olhos.Ele não conseguia enxergar quem havia falado.A construção estava mergulhada em uma escuridão quase completa. A única claridade vinha de uma pequena fresta na madeira de uma das janelas.E então Kael percebeu.A voz não tinha vindo da rua.Tinha vindo de dentro.Do mesmo lugar onde eles estavam.— Quem está aí? — perguntou Kael.Nenhuma resposta.Elena se aproximou dele imediatamente.Selene deu um passo para trás.Victor levou a mão discretamente até a cintura.Aldric, porém, não parecia surpreso.Kael percebeu.— Você sabia que havia alguém aqui.Aldric permaneceu em silêncio.— Aldric.— Não sabia quem era — respondeu o Conselheiro.Kael virou o rosto para ele.— Mas sabia que não estávamos sozinhos.Antes que Aldric pudesse responder, u







