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Capítulo 3

Penulis: Yuri Zuan
A noite estava escura como tinta, impossível de dissipar.

Um Maserati entrou no Residencial Bela Vista Sul e parou diante de uma vila completamente iluminada.

Helena desligou o motor, mas não desceu imediatamente.

Recostada no banco, ficou observando em silêncio aquela faixa de luz.

Ali ficava a casa que ela e Marcelo chamavam de lar conjugal.

Cada detalhe do projeto, cada móvel, carregava as expectativas que ela tinha depositado no futuro.

Agora, aquela luz parecia uma agulha, espetando os olhos dela até doer.

Na tela do celular, a imagem da câmera disfarçada de difusor de aromas ainda estava congelada em uma cena de dez minutos antes.

Na sala, Marcelo entregava uma taça de vinho tinto a Leticia, sentada no sofá.

No olhar dele havia uma ternura e um carinho que Helena nunca tinha visto.

Leticia sorria como uma flor delicada, aninhada nos braços de Marcelo.

Era o sofá que Helena tinha mandado fazer sob medida.

E Leticia vestia o pijama dela.

— Amor, quando Helena der à luz o bebê, nós vamos...

O resto da frase, Helena já não escutou.

Ela apagou a tela do celular, que refletiu o rosto pálido dela, sem nenhuma cor.

Usando a desculpa de uma viagem a trabalho, ela passou três dias em um hotel, e três dias assistindo àquela farsa, como se estivesse diante de um espetáculo grotesco.

Do frio absoluto do começo, passando pela dor lancinante de ter o coração dilacerado, até chegar ao entorpecimento de agora.

Ao abrir a porta, a luz suave do hall acendeu.

Da sala, vinha a risada sedutora de uma mulher.

Helena interrompeu o gesto de tirar os sapatos por um instante e, em seguida, um sorriso gelado apareceu nos lábios dela.

Calçando os chinelos macios, ela avançou em direção à sala como um felino elegante e mortal.

No sofá caríssimo da sala, Marcelo abraçava Leticia com intimidade excessiva.

Na mão de Leticia havia uma maçã recém-descascada por Marcelo; ela estava prestes a morder.

— O que vocês estão fazendo?

A voz fria, cortante como um espinho de gelo, atravessou os ouvidos dos dois.

Marcelo e Leticia ficaram rígidos, como gatos que tiveram o rabo pisado, e se levantaram de um salto.

Marcelo foi o primeiro a reagir.

Ajustou rapidamente o colarinho, forçou um sorriso e caminhou na direção dela.

— Você não disse que só voltaria amanhã? Por que voltou antes?

Enquanto falava, ele ficou entre Leticia e Helena, tentando esconder o pijama que Leticia usava.

— A negociação do projeto terminou antes do previsto, então troquei o voo. — O olhar de Helena passou por cima do ombro dele e pousou em Leticia, que se mexia desconfortável no sofá, com um leve ar de incerteza nos olhos.

O sorriso de Marcelo congelou na mesma hora.

Ele virou para Helena, um lampejo de pânico atravessando o olhar.

— Se você ia voltar antes, podia ter me avisado. Eu teria ido buscar você no aeroporto.

Leticia estava ainda mais apavorada.

A maçã caiu da mão dela, rolou pelo tapete e parou aos pés de Helena.

Ela tentou ajeitar o pijama amassado, o rosto completamente pálido, e explicou, gaguejando:

— Helena, você voltou! Eu... eu vim procurar você para brincar um pouco, queria fazer uma surpresa. Mas o Marcelo disse que você estava viajando a trabalho. Eu já estava indo embora.

A voz dela era doce demais, carregada de uma falsa inocência e de um ar de injustiça, como se fosse apenas alguém que tinha ido encontrar uma amiga e tivesse dado de cara com uma situação constrangedora.

Se fosse antes, talvez Helena tivesse acreditado.

Mas agora, olhando para aquela encenação hipócrita, ela sentia apenas o estômago revirar.

Brincar com ela?

Brincar daquele tipo em que todo mundo tira a roupa?

Ela não olhou para Marcelo, em pânico.

O olhar dela pousou no rosto de Leticia, sereno, porém afiado, como se fosse capaz de atravessar aquela máscara falsa até o fundo.

Ela não se enfureceu.

Pelo contrário, chegou até a sorrir, mas o sorriso não alcançava os olhos.

— Me procurar para brincar?

Em seguida, caminhou devagar para a frente, pegou a maçã caída no tapete com a ponta dos dedos e jogou no lixo, sem hesitar.

Só então levantou o olhar e encarou Leticia diretamente.

A voz saiu extremamente baixa, mas carregada de um peso esmagador:

— A gente é íntima, por acaso?

A pergunta caiu como um tapa invisível no rosto de Leticia.

O sangue sumiu da face dela em um instante.

O sorriso forçado congelou nos lábios, ficando grotesco.

De fato, elas não eram próximas.

Tudo o que existia entre as duas eram alguns encontros ocasionais em eventos sociais por causa de Marcelo, meia dúzia de frases trocadas por educação.

Em particular, nem amigas eram.

A desculpa de "vir brincar com Helena" não passava de uma mentira mal disfarçada.

Aquela pergunta simples rasgou o véu de hipocrisia de Leticia, deixando ela exposta naquele ar constrangedor.

Sem saber como sair da situação, os olhos dela se encheram de lágrimas quase imediatamente.

Com uma expressão à beira do choro, lançou um olhar de socorro para Marcelo.

Marcelo sentiu o coração apertar na hora.

Franziu a testa, deu um passo à frente e ficou na frente de Leticia, o tom já carregado de reprovação.

— Helena, que jeito é esse de falar? A Leticia só teve boa intenção. Ela é simples, só queria se dar bem com você.

Ele segurou a mão de Helena, tentando usar um gesto de intimidade para suavizar o clima:

— Talvez tenha havido algum mal-entendido entre vocês duas. Achei que, já que vocês vão acabar convivendo, era melhor ajudar a melhorar essa relação.

Leticia encontrou imediatamente uma saída.

Ela assentiu várias vezes, recuperando aquela expressão de fragilidade calculada.

— É isso mesmo. O Marcelo só pensou no nosso bem. Afinal, depois que você se casar com ele, vamos ser uma família. Vamos nos ver com frequência... não é bom deixar o clima tão pesado.

Ao dizer isso, havia na voz dela uma ostentação deliberada, uma provocação sutil que apenas os três conseguiam perceber.

Era uma declaração silenciosa de território, dizendo claramente a Helena: "Mesmo que você se case com Marcelo, eu ainda vou fazer parte da vida de vocês."

— Uma família?

Helena riu por dentro.

Uma esposa às claras e outra às escondidas, só de imaginar já era ridículo.

Mas no rosto dela surgiu uma expressão confusa.

Ela inclinou levemente a cabeça, os olhos claros fixos em Marcelo, cheios de uma ingenuidade quase desconcertante.

— Por que a gente iria se ver com frequência?

Ela repetiu, a voz cristalina, batendo como um martelo no coração dos dois.

A pergunta era pura demais, lógica demais.

— Você é meu marido e o genro da família Costa. Ela é apenas alguém de fora. Por que nós iríamos nos encontrar sempre?

O olhar de Helena deslizou do rosto endurecido de Marcelo para o rosto lívido de Leticia.

O tom continuava inocente, como se ela estivesse apenas pedindo um esclarecimento sincero.

— Marcelo, explica para mim. Eu realmente não entendo.
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