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Capítulo 2

Penulis: Yuri Zuan
No cartório, havia um fluxo constante de pessoas entrando e saindo.

No ar, pairava um cheiro adocicado e enjoativo.

Casais de noivos se apoiavam um no outro, todos com sorrisos no rosto.

Helena e Gabriel Silva estavam sentados ali no meio, sem trocar palavras, sem se olhar, como duas ilhas isoladas.

A funcionária era uma jovem que já tinha visto de tudo quando o assunto era intimidade, mas era a primeira vez que encontrava um casal com um clima tão opressivo.

Ao entregar os formulários, até o sorriso dela pareceu meio travado:

— Assinem aqui, por favor.

Helena pegou a caneta sem hesitar.

Ao assinar, o traço saiu afiado, carregado de uma determinação sem volta.

Quando terminou, ela empurrou a caneta na direção de Gabriel.

Gabriel estava recostado na cadeira, com a postura relaxada, mas emanando uma pressão invisível.

Ele pegou a caneta. Os dedos longos e bem desenhados pareciam limpos demais.

Os movimentos dele não eram rápidos, mas firmes e seguros.

[Gabriel Silva].

O nome apareceu no papel, lado a lado com o dela, como se aquele fosse exatamente o lugar dele.

O olhar de Helena passou por aquele nome, e o coração pareceu ser apertado por uma mão invisível.

Não era dor, apenas uma contração estranha.

Ela desviou os olhos rapidamente e concentrou a atenção nas próprias mãos entrelaçadas.

O primeiro passo da vingança estava concluído.

Desde a assinatura até o momento em que receberam as duas certidões de casamento, tudo levou menos de dez minutos, rápido como um piscar de olhos

A funcionária entregou os documentos e forçou uma frase de felicitação:

— Desejo felicidades aos recém-casados.

Helena recebeu sem expressão, agradecendo de maneira protocolar.

Gabriel também pegou o dele.

Os dedos passaram de leve pela capa da certidão antes de ele guardar no bolso interno do paletó.

Os dois saíram do saguão, e a luz do sol bateu de frente.

Helena semicerrou os olhos por instinto.

Somente quando entrou naquele Bentley preto, com a porta fechando e isolando o barulho do mundo lá fora, as costas tensas dela finalmente relaxaram.

O interior do carro mergulhou em um silêncio absoluto.

Helena olhava pela janela.

As ruas correndo para trás deixavam a mente dela levemente à deriva.

Nos pensamentos dela, surgiu a imagem do contrato que tinha assinado no dia anterior, no escritório da Mansão dos Silva, um documento que transmitia mais segurança do que aquela certidão de casamento.

[Parte A: Gabriel. Parte B: Helena. Prazo de vigência do casamento: um ano. A Parte B deverá cooperar com a Parte A, cumprindo o papel de esposa, lidando com os membros mais velhos da família e participando das ocasiões sociais necessárias.]

[A Parte A deverá fornecer à Parte B os recursos financeiros e as condições necessárias, oferecendo apoio sempre que preciso. Durante a vigência do casamento, ambas as partes não interferirão na vida privada uma da outra, não havendo relação conjugal de fato.]

[Ao término do prazo de um ano, ambas as partes se divorciarão de forma amigável. A Parte A transferirá para a Parte B um imóvel no Condomínio Monte Real e pagará cinquenta milhões de dólares como compensação.]

......

As cláusulas eram claras, os direitos e deveres estavam bem definidos.

Era uma transação.

Ela trocava um ano de liberdade por uma identidade e uma posição capazes de jogar Marcelo e Leticia na lama.

Um negócio extremamente vantajoso.

Muito mais limpo do que aquele relacionamento cheio de mentiras e cálculos.

— Chi...

O som agudo de uma freada brusca fez o corpo de Helena se projetar para frente por causa da inércia.

O impacto, porém, não aconteceu.

Uma mão quente surgiu diante dela, bloqueando com firmeza.

A palma pousou no ombro dela, trazendo um calor seco e intenso que deixou o corpo inteiro rígido.

O calor atravessou o tecido fino da roupa e fez o coração dela estremecer.

Os músculos do braço de Gabriel estavam tensos, formando um escudo sólido.

Ele nem chegou a olhar para Helena; o olhar afiado estava fixo na motocicleta que tinha surgido de repente à frente, a testa levemente franzida.

Só depois que o perigo passou, ele recolheu a mão com naturalidade e voltou a apoiar as duas no volante.

Como se aquele gesto de proteção nunca tivesse existido.

— Senta direito.

Ele falou, a voz grave, sem revelar emoção alguma.

Helena ainda sentia no ombro o resquício do calor da mão dele.

Apertou os dedos com força, obrigando o próprio coração a se acalmar e a não pensar demais.

Ele era apenas um parceiro de cooperação competente, agindo por educação, ou melhor, protegendo a parceira do acordo.

Ela respirou fundo, recostou novamente no banco e quebrou o silêncio estranho dentro do carro.

— Gabriel, sobre o nosso casamento... eu espero que, por enquanto, isso não se torne público.

Gabriel manteve os olhos à frente.

Os dedos que seguravam o volante bateram de leve uma vez:

— Por quê?

A voz de Helena saiu fria:

— Não quero alarde. Marcelo e Leticia ainda acham que eu continuo no escuro. Essa é a melhor forma de me proteger. Quando eu tiver em mãos todas as provas das armações deles, aí sim vou desferir o golpe final.

O que ela queria não era uma simples queda em desgraça.

Ela queria que eles nunca mais tivessem chance de se levantar.

Gabriel lançou um olhar para ela pelo retrovisor.

O perfil dela estava rígido, o olhar tomado por gelo, sem vestígio algum daquela suavidade luminosa de antes.

Parecia um gato que havia guardado a doçura, revelando apenas as garras.

"Interessante."

— Tudo bem. — Ele concordou.

Helena soltou um suspiro de alívio.

O que ela mais temia era que Gabriel tivesse outros planos.

Mas esse alívio não durou, porque ele completou logo em seguida:

— Mas, a partir de hoje, nós vamos morar juntos.

Helena virou o rosto e olhou para ele com cautela:

— Por quê? Isso não está no acordo.

Morar com ele não fazia parte do plano.

Ela precisava de um espaço privado para arquitetar tudo, não de viver o tempo inteiro sob os olhos de Gabriel.

O rosto dele tinha contornos bem definidos; a linha do maxilar estava tensa, formando um traço frio e firme.

Ele explicou com tranquilidade:

— Se é encenação, tem que ser completa. Minha avó pode mandar alguém verificar a qualquer momento, ou até aparecer pessoalmente. Por quanto tempo você acha que conseguiríamos esconder dela uma separação?

O argumento era irrefutável.

A avó de Gabriel, Zuleide, era a figura de maior autoridade da família Silva e também quem mais desejava ver o casamento dele.

Se ela descobrisse que aquilo tudo era um casamento de fachada, não apenas a vingança iria por água abaixo, Helena e a família Costa também seriam arrastadas para o problema.

Os lábios de Helena se comprimiram em uma linha fina.

Ela sabia que Gabriel estava certo.

Ainda assim, concordou com a cabeça.

Era a escolha mais racional.

— Então ficamos na minha casa. Lá é mais tranquilo.

Ela se referia à vila registrada no nome dela, presente que a mãe tinha deixado antes de morrer.

— Certo. — Respondeu Gabriel.

O carro seguiu em ritmo constante pelo centro da cidade e, por fim, parou em frente à casa de Helena.

Ela soltou o cinto de segurança e se preparou para descer.

— Sra. Silva. — Gabriel falou de repente.

Helena hesitou.

Aquele tratamento ainda soava estranho demais.

Ela virou a cabeça, com um leve ar de pergunta.

Gabriel também olhava para ela.

Nos olhos dele, a emoção era difícil de decifrar.

Os lábios finos se moveram:

— Boa parceria.
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