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Capítulo 6

Penulis: Yuri Zuan
O jantar transcorreu em meio a tensões invisíveis.

Helena manteve o sorriso do começo ao fim, lidando com elegância com o entusiasmo exagerado de Célia e respondendo, na medida certa, às perguntas de Paulo sobre o mercado.

Ela parecia a nora perfeita, educada, segura, impecável, oferecendo a Marcelo todo o prestígio possível.

Na segunda metade do jantar, o celular de Marcelo tocou.

Ele abaixou a cabeça para olhar, e um sorriso quase imperceptível apareceu nos lábios, desaparecendo logo depois, substituído pela expressão habitual.

Ele levantou e pediu desculpas aos presentes:

— Surgiu uma urgência na empresa. Preciso ir ao escritório participar de uma videoconferência.

O olhar de Helena passou de leve pelo rosto dele, carregado de uma preocupação na medida certa:

— Vá, o trabalho é prioridade.

Marcelo lançou um olhar afetuoso para ela e saiu apressado.

Célia imediatamente tentou aliviar o clima:

— Ele é viciado em trabalho. Até durante o jantar precisa resolver coisas da empresa. Helena, no futuro você vai ter que ser compreensiva.

— Claro. É bom que um homem tenha ambição profissional. — Helena abaixou o olhar e tomou um pequeno gole da sopa, respondendo com docilidade.

Na borda da tigela, refletiu por um instante o frio cortante que atravessou os olhos dela.

Urgência? Videoconferência?

No breve instante em que a tela do celular de Marcelo se acendeu, bastou um olhar de relance para que ela reconhecesse imediatamente o avatar.

Era Leticia.

O jantar finalmente chegou ao fim, e anfitriões e convidados pareciam satisfeitos.

Os empregados serviram frutas de sobremesa, e todos conversavam na sala, em um clima que parecia harmonioso.

Helena pousou o palito de dente e, como quem não quer nada, olhou ao redor antes de perguntar em voz baixa:

— A reunião do Marcelo ainda não acabou? Já faz quase meia hora.

O sorriso de Célia vacilou por um instante; o olhar dela desviou levemente:

— Talvez seja algo mais complicado... não se preocupe com isso.

Helena levantou devagar e se espreguiçou.

As curvas perfeitas chamaram atenção na mesma hora.

— A comida estava tão boa que acho que eu comi demais.

Ela passou a mão pelo abdômen, com uma expressão inocente e um leve ar de desconforto.

— Já que estamos sem fazer nada, que tal dar uma volta para ajudar na digestão? Ouvi dizer que o jardim foi projetado por um paisagista renomado. Eu sempre quis ver com calma, mas nunca tive oportunidade.

A sugestão era lógica, impossível de recusar.

Paulo concordou imediatamente:

— Ótima ideia. Já que é a primeira vez da Helena aqui, vamos mostrar o jardim.

No rosto de Célia, porém, passou um lampejo de nervosismo.

Ela forçou um sorriso:

— Tem muito mosquito no jardim, não tem nada demais para ver. Melhor ficarmos aqui conversando.

Helena enlaçou o braço de Célia com intimidade, o tom carregado de um carinho insistente que não deixava espaço para recusa:

— Considere isso como uma forma de me ajudar a me familiarizar com o lugar.

Diante disso, Célia não encontrou mais nenhuma desculpa.

Ela apenas conseguiu levantar com esforço, o coração em total desordem.

O grupo saiu da casa.

A brisa da noite vinha carregada do perfume das flores e da vegetação do jardim, agradável e suave.

O jardim era realmente amplo, com caminhos sinuosos que se cruzavam, a cada passo, uma nova paisagem.

Para Helena, era a primeira vez ali.

Ora ela apontava para um canteiro de roseiras e elogiava, ora demonstrava interesse pelas carpas coloridas no lago.

— E esse caminho leva para onde? — Perguntou, apontando para uma trilha estreita que seguia em direção a uma parte mais profunda do jardim, os olhos cheios de curiosidade.

— Ali não tem nada demais, só um quiosque antigo. Quase ninguém vai até lá. — Respondeu Paulo, de maneira casual.

O coração de Célia disparou.

Ela tentou mudar de assunto às pressas:

— Aquele quiosque está bem velho. Melhor irmos ver o muro de flores ali na frente, aquilo sim é bonito!

— Justamente por ser antigo é que tem charme. — Helena não se deixou convencer. Pelo contrário, puxou Célia em direção à trilha, com passos leves. — Eu gosto desse tipo de lugar mais tranquilo.

Arrastada por ela, Célia seguiu em frente.

A palma da mão já começava a suar.

Quanto mais avançavam, mais isolado ficava o caminho, e mais escura era a iluminação.

Árvores altas dos dois lados bloqueavam a luz da lua, restando apenas o brilho amarelado das luminárias baixas no chão.

No ar, parecia haver um leve perfume feminino.

Era a fragrância preferida de Leticia.

Nos cantos de sombra onde ninguém podia ver, o canto dos lábios de Helena se curvou em um sorriso de escárnio.

Ela diminuiu o passo de propósito. Enquanto conversava distraidamente com Paulo sobre assuntos irrelevantes de economia, observava de lado o rosto de Célia, cada vez mais tenso.

Logo à frente, atrás de algumas árvores, ficava o quiosque.

— Está muito quente... melhor voltarmos, para ninguém passar mal. — Célia finalmente não aguentou mais e parou.

— Então a gente pode descansar um pouco no quiosque. — Disse Helena, contornando as árvores adiante.

No instante seguinte, ela parou de repente e soltou um grito abafado:

— Ah!

Paulo e Célia se aproximaram e seguiram o olhar dela, congelaram no lugar.

Não muito longe, dentro do quiosque mal iluminado, duas silhuetas estavam grudadas uma na outra.

O homem, alto, estava de costas para eles. Um braço envolvia a cintura da mulher, enquanto a outra mão acariciava com delicadeza os cabelos longos dela.

A mulher pequena se aninhava nos braços dele, a cabeça apoiada no ombro dele.

O perfil delicado, sob a luz difusa da lua, parecia frágil.

Era Leticia.

E aquele homem, bastava o contorno das costas para reconhecer, era Marcelo, o mesmo que supostamente estava em uma videoconferência.

O ar pareceu congelar naquele instante.

Célia sentiu o sangue subir violentamente à cabeça.

A visão escureceu, e ela quase perdeu o equilíbrio.

As pessoas no quiosque também ouviram o barulho e se separaram de repente.

Marcelo virou em pânico.

Ao ver Helena à frente do grupo, o rosto dele perdeu completamente a cor.

— Pai, mãe, Helena... O que vocês estão fazendo aqui? — A voz saiu seca, tomada pelo terror.

Atrás dele, Leticia estava ainda mais apavorada.

Ela recuou para se esconder atrás de Marcelo, os olhos cheios de lágrimas, como um animalzinho assustado.

Que cena perfeita de flagrante.

Helena riu friamente por dentro.

Por fora, porém, mostrou apenas surpresa e confusão absolutas.

Primeiro, ficou olhando, atônita, para os dois no quiosque. Depois, virou para Paulo, com o rosto rígido, e para Célia, à beira de desabar, como se realmente não entendesse o que estava acontecendo.

Um silêncio sufocante tomou conta do lugar.

Os lábios de Marcelo tremiam, prestes a inventar alguma desculpa, quando Helena, de repente, sorriu.

— Marcelo? Então era aqui que você estava.
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