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Capítulo 5

Penulis: Yuri Zuan
O som da água atrás da porta parou de repente.

Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente, como se até o ar tivesse congelado.

Alguns segundos depois, a voz de Marcelo apareceu, visivelmente mais aguda e tensa.

— Helena, por que você subiu? Estou me arrumando. Usa o banheiro lá de baixo por enquanto.

A voz vinha abafada pela porta, mas a tentativa forçada de manter a calma era clara demais para os ouvidos de Helena.

Ela se apoiou no batente como uma gata preguiçosa, os dedos batendo de leve na maçaneta metálica.

Cada toque soava como um golpe direto no coração dos dois que estavam lá dentro.

O tom de Helena se elevou, carregado de um carinho provocador e absolutamente natural.

— Não quero descer. Ficar subindo e descendo é um saco. Vamos tomar banho juntos, assim é mais rápido. Eu esfrego suas costas.

Ela prolongou de propósito o final da frase, doce a ponto de enjoar.

Aquelas palavras foram como uma pedra jogada na água, criando ondas violentas no mesmo instante.

— CLANG!

O barulho alto de algo caindo no piso de cerâmica ecoou, seguido de um grito feminino extremamente abafado, imediatamente contido por uma mão.

Depois vieram ruídos caóticos de roupas sendo puxadas às pressas, além de algo sendo chutado para o lado com força.

Maravilhoso.

O canto dos lábios de Helena se curvou em um sorriso satisfeito.

Ela conseguia imaginar perfeitamente a cena: Leticia tapando a boca em pânico, os olhos arregalados, enquanto Marcelo, branco como papel, se vestia às pressas, fazendo sinal para ela não emitir nenhum som.

Esse jogo ainda não tinha acabado.

O tormento estava apenas começando.

Já tendo alcançado o efeito desejado, Helena se endireitou.

A voz voltou a ser gentil e carinhosa, como se não tivesse sido ela quem sugeriu tomar banho juntos segundos antes.

— Tá bom, era brincadeira. Anda logo. Vou esperar você lá embaixo. Ah, lembra de chamar a Leticia. Eu bati na porta do quarto dela agora há pouco e não tive resposta, acho que ela ainda está dormindo.

— Se apressem. Não vamos deixar seus pais esperando.

Depois de falar isso, ela desceu as escadas com passos leves.

O som ritmado dos saltos ecoava pelos degraus como o hino de uma vencedora.

Quinze minutos depois, Marcelo desceu.

Vestia um terno, o cabelo ainda levemente úmido, e o rosto continuava pálido.

Ao ver Helena sentada no sofá, tomando café com tranquilidade, ele forçou um sorriso:

— Desculpa a demora.

— Tudo bem.

Helena pousou a xícara, levantou e ajeitou o colarinho da camisa dele.

De propósito, a ponta dos dedos passou pelo pescoço de Marcelo. O toque gelado fez o corpo dele estremecer.

Ele abriu a boca, como se quisesse dizer algo, mas ao encarar aqueles olhos límpidos de Helena, todas as palavras morreram na garganta.

"Ela não sabe de nada. Isso mesmo. Ela não sabe. Sou eu que estou pensando demais."

Marcelo só conseguiu se consolar dessa forma.

No caminho até a Casa dos Silva, o clima dentro do carro era estranho.

Marcelo tentou puxar conversa várias vezes, contando curiosidades e histórias leves, mas Helena apenas respondia de maneira distante.

O olhar permanecia fixo na paisagem passando pela janela, claramente desinteressada.

O perfil dela surgia e desaparecia sob a luz do sol, belo, porém frio, mantendo todos afastados.

O coração de Marcelo afundava aos poucos.

De repente, ele teve a sensação de que nunca tinha realmente entendido essa mulher.

A Casa dos Silva não se comparava à grandiosidade da Mansão dos Silva, mas ainda assim exalava luxo e prosperidade.

Assim que o carro parou, uma mulher de meia-idade, elegante e imponente, saiu sorrindo para receber os dois.

Era a mãe de Marcelo, Célia.

— Até que enfim você chegou, Helena! Entra logo, está frio aqui fora! — Célia segurou a mão de Helena com entusiasmo, apertando com força.

Helena deixou que ela conduzisse, sorrindo com educação.

— Bom dia, Dona Célia.

— Já tiraram a certidão de casamento, agora você tem que me chamar de mãe.

Célia deu alguns tapinhas afetuosos na mão de Helena, o olhar percorrendo ela de cima a baixo, como se estivesse avaliando uma mercadoria de valor inestimável.

Na sala de estar, o pai de Marcelo, Paulo Silva, e outros parentes já estavam sentados.

Ao ver Helena entrar, todos levantaram imediatamente, os rostos cheios de entusiasmo.

— A Helena chegou!

— Ela é realmente linda!

— O Marcelo é um homem de muita sorte!

Os elogios vieram como uma enxurrada.

Helena sorriu e cumprimentou cada um com postura impecável, sem deixar espaço para qualquer crítica.

Ela sabia muito bem que não estavam recebendo Helena, mas a herdeira da família Costa, e os benefícios ilimitados que essa identidade podia trazer.

Era simplesmente repugnante.

À noite, um jantar farto ocupava toda a mesa.

Célia serviu pessoalmente uma tigela de sopa para Helena.

— Prova o ninho de andorinha que eu fiz. É bom para fortalecer o corpo. Vocês já vão organizar o casamento, vai ser corrido... você não pode se cansar demais.

— Obrigada. — Helena recebeu a tigela e mexeu a sopa com elegância usando a colher.

— Marcelo, cuide bem da Helena! — Paulo finalmente falou. Ele olhou para o filho com expectativa nos olhos. — O projeto de cooperação com a família Costa vai começar em breve. Quero ver você se saindo bem. Não faça seu sogro passar vergonha, nem deixe que eles menosprezem a gente!

— Eu sei. — Marcelo respondeu às pressas.

O clima à mesa foi cuidadosamente conduzido para parecer harmonioso.

Todos falavam animadamente, imaginando o futuro promissor da união entre as duas famílias.

Foi então que, sentada em um canto, a prima Luana tomou um gole de suco e falou de repente:

— Marcelo, eu encontrei a Leticia esses dias! Ela não veio hoje? Por que eu não vi ela por aqui?

O nome de Leticia fez o ar congelar no mesmo instante.

A mão de Marcelo, segurando o garfo, tremeu com força.

O sorriso de Célia ficou rígido.

Os olhares dos mais velhos ganharam um brilho estranho.

Luana, porém, não percebeu nada e continuou:

— Ela disse que anda se sentindo bem melhor ultimamente, e comentou que...

— Luana! — Célia interrompeu com dureza. O sorriso tinha desaparecido, restando apenas constrangimento e irritação. — Os adultos estão conversando. Quem deu permissão para você se meter? Come direito!

Luana levou um susto, fez um bico de mágoa e não ousou falar mais nada.

O constrangimento chegou ao auge.

Helena agiu como se não tivesse entendido o subtexto, como se nem tivesse ouvido aquela frase.

Ela levantou o olhar e, ao ver Luana quase chorando, abriu um sorriso gentil.

— Eu também estou curiosa. A Leticia veio com a gente, não foi? Por que eu não vi ela desde que chegamos?

Na verdade, Helena tinha visto tudo.

Assim que entraram na casa, alguém chamou Leticia com alguma desculpa, e ela não voltou mais.

Célia forçou um sorriso constrangido:

— Parece que ela não estava se sentindo bem e acabou indo embora antes.

— Ah, entendi...

Helena fez uma pausa significativa e então voltou a atenção para Célia, levantando levemente a tigela de sopa, com um sorriso doce e elegante.

— Essa sopa está deliciosa. A senhora cozinha muito bem.

Não houve questionamento, nem suspeita, nem sequer um traço de desagrado.

Com extrema leveza, Helena simplesmente deixou o assunto morrer ali.

Marcelo e Célia trocaram um olhar e, nos olhos um do outro, enxergaram o mesmo alívio disfarçado.

— Que bom que gostou. Toma mais um pouco.
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