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Capítulo 7

Penulis: Yuri Zuan
A voz de Helena soou leve e cristalina, carregada da alegria de finalmente ter encontrado alguém, como se a cena ambígua de instantes atrás não tivesse passado de um mal-entendido.

Ela se aproximou, o olhar pousando em Leticia como se só naquele momento tivesse notado a presença dela, e perguntou com curiosidade genuína:

— A Leticia também está aqui? Sobre o que vocês estavam conversando, tão concentrados assim? A gente chegou perto e vocês nem perceberam.

As palavras eram como uma lâmina macia: pareciam inofensivas, mas atingiam com precisão o ponto mais sensível de todos.

Um suor frio apareceu na testa de Marcelo.

Ele gaguejou, incapaz de formular uma resposta.

Célia cerrou os dentes e deu um passo à frente:

— Leticia, você não disse que estava se sentindo mal e que já tinha ido embora?

Leticia entendeu o recado na hora. Um sorriso constrangido surgiu no rosto dela.

— Eu ia mesmo voltar para casa, mas acabei me perdendo, bati em uma teia de aranha, ainda bem que encontrei o Marcelo...

Ao dizer aquilo, ela deixou claro o motivo da intimidade com Marcelo instantes antes.

Célia assentiu com um sorriso rígido:

— Entendi. Vou pedir para uma empregada levar você até a saída.

Depois de se despedir rapidamente, Leticia virou para ir embora.

— Espera.

A voz de Helena surgiu de repente.

Marcelo avançou para a frente, ficando diante de Leticia, e se apressou em explicar:

— Helena, não pensa errado. Entre mim e a Leticia não tem nada. Ela é como uma irmã para mim.

Helena sorriu de leve, passou por ele e foi até Leticia, estendendo a mão.

Quando todos imaginaram que ela iria dar um tapa e já se preparavam para intervir, Helena apenas passou a mão pelos cabelos de Leticia e falou, sorrindo:

— Ainda tem um pouco de sujeira no seu cabelo.

Leticia ficou surpresa por um instante. Com o rosto pálido, forçou um sorriso:

— Obrigada.

Depois que Leticia saiu, Helena virou novamente para os outros:

— Vamos voltar também. Realmente está quente demais.

O carro se misturou ao fluxo da cidade.

Helena abaixou o vidro, deixando o vento da noite, misturado às luzes de néon, invadir o interior e levar embora aquele cheiro enjoativo da Casa dos Silva preso nos cabelos dela.

Ela ligou o som e colocou um rock de batida intensa.

O ritmo preciso da bateria martelava o peito dela, não como irritação, mas como catarse.

Ela tinha vencido o primeiro round.

Ver a expressão de Marcelo e Leticia mudar da falsa segurança para o pânico, e depois para um branco cadavérico, foi mais revigorante do que qualquer café.

Principalmente Leticia.

A mão tapando a boca, o cálculo nos olhos completamente apagado pelo medo, restando apenas um pânico quase animal.

Patético.

O canto dos lábios de Helena se levantou.

Aquilo era só o começo.

Só de pensar nos inúmeros dispositivos de vigilância espalhados pela casa, o jogo ficava cada vez mais interessante.

Ela seria uma espectadora paciente, assistindo enquanto eles, presos na teia de mentiras que tinham tecido, caminhavam passo a passo em direção à loucura, até acabarem se machucando mutuamente.

O carro entrou na garagem subterrânea.

No instante em que os pés dela tocaram os chinelos, o cansaço de uma noite inteira sem dormir, misturado ao relaxamento depois de tanta tensão, veio como uma onda avassaladora.

Helena nem sabia quanto tempo tinha dormido quando acordou com sede.

A garganta estava seca, ardendo, e a cabeça pesada, tonta.

Ela sentou na cama.

No quarto, apenas um fio de luz difusa entrava pela fresta da cortina.

Ela balançou a cabeça ainda entorpecida, saiu tateando e foi em direção à cozinha em busca de água.

Mas a porta que ela empurrou era a do banheiro ao lado da suíte principal.

Não estava trancada, apenas entreaberta.

O som da água, misturado ao vapor quente, veio ao encontro dela, envolvendo tudo.

Os passos de Helena pararam.

Através do vidro fosco, a silhueta alta era perfeitamente visível.

Ombros largos, cintura estreita, linhas musculares bem definidas sob o fluxo da água, transbordando força.

Era Gabriel.

O som do chuveiro parou de repente.

Ele também percebeu a presença na porta e virou levemente o corpo.

Mesmo separados pelo vidro, Helena sentiu o olhar que ele lançou na direção dela, carregado de surpresa por ter sido interrompido.

No lugar de qualquer outra mulher, a reação natural seria um grito, seguido de virar o rosto e sair correndo.

Mas Helena apenas ficou ali.

A mente ainda enevoada clareou completamente no instante em que a cena diante dela se definiu.

Ela não fez questão de fingir pudor.

Pelo contrário, deu mais um passo à frente, encostou no batente da porta, cruzou os braços sobre o peito e encarou o vidro sem desviar os olhos.

A voz saiu rouca, típica de quem tinha acabado de acordar, mas clara o suficiente para atravessar o vapor.

— Seu corpo é muito bonito. Muito melhor do que o do Marcelo, que só tem aparência e não serve para nada.

O banheiro mergulhou em silêncio.

Até o som das gotas pareceu suspenso.

Alguns segundos depois, uma mão de dedos longos desligou o chuveiro.

Gabriel saiu de trás do vidro.

Uma toalha estava frouxamente enrolada na cintura dele.

Gotas de água deslizavam pelos músculos do abdômen e desapareciam sob a borda do tecido, provocando imaginações inevitáveis.

Os cabelos molhados caíam sobre a testa.

Aqueles olhos profundos, normalmente insondáveis, agora pareciam mais claros, suavizados pelo vapor quente.

Ele olhou para Helena na porta.

No olhar, não havia a irritação que ela esperava.

Helena continuava ali, apoiada com naturalidade.

Vestia uma camisola cor de champanhe, amassada pelo sono, o tecido marcado por dobras.

Os cabelos estavam levemente bagunçados, o rosto limpo e vivo sob a névoa do vapor, e aqueles olhos, especialmente, brilhavam de maneira impressionante.

— Sai. — Gabriel disse, a voz baixa, tensa.

Helena arqueou uma sobrancelha.

Em vez de obedecer, sorriu:

— Somos casados. Ver agora ou mais tarde, que diferença faz? No fim, todo mundo vai acabar vendo.

Ela ainda fez questão de avaliar com calma, deixando o olhar repousar por dois segundos no abdômen dele antes de completar:

— Além disso, eu não saí perdendo.

A provocação foi como um fósforo riscado, acendendo na mesma hora a tensão no ar.

Os olhos de Gabriel escureceram de repente.

Ele encarou Helena, aquela postura segura, quase desafiadora, e o pomo de Adão se moveu em um reflexo involuntário.

Essa mulher sempre conseguia surpreender.

Ele tinha imaginado que Helena iria chorar, fazer escândalo, ou ao menos se assustar.

Mas não.

Ela tinha planejado tudo com frieza, trocado de parceiro sem hesitar e agora ainda ousava provocar.

Interessante.

No instante seguinte, Helena sentiu o mundo girar.

Gabriel, que estava a alguns passos de distância, apareceu diante dela em um piscar de olhos.

Um aroma misturado de sabonete e feromônios masculinos envolveu tudo.

Com um baque surdo, as costas dela bateram contra a parede.

Gabriel apoiou uma das mãos na parede, ao lado do rosto dela, prendendo Helena ali sem qualquer chance de fuga.

Ele se inclinou. O calor da respiração roçou a pele dela.

Gotas de água caíram dos cabelos dele, atingindo a clavícula dela e provocando um arrepio intenso.

Quase encostado no ouvido dela, a voz saiu baixa, perigosa:

— Você sabe com o que está brincando?

O coração de Helena falhou por um segundo, mas ela não recuou.

Pelo contrário, ergueu o queixo e sustentou o olhar dele.

O sorriso que apareceu nos lábios dela era o de uma raposa astuta.

— Não sei. Já que eu vi tudo... você pretende me obrigar a assumir a responsabilidade?
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