Compartir

Quis Me Punir Até a Morte
Quis Me Punir Até a Morte
Autor: Leo Carmo

Capítulo 1

Autor: Leo Carmo
Após um longo dia de trabalho, Raul olhou as horas.

— Já se passaram três dias e Vivian ainda não admitiu o erro?

— Essa mulher é teimosa demais!

Seu primeiro amor, Daniela Martins, entrou na sala trazendo uma tigela de canja de galinha.

— Raul, deixa isso para lá. Ela não fez por mal.

— Três dias já são suficientes.

A expressão de Raul suavizou ao vê-la.

— Você é bondosa demais. Se Vivian tivesse um décimo da sua compreensão, as coisas seriam diferentes.

— Não se aborreça assim por minha causa, ela só se importa demais com você.

Ao ouvir isso, Raul pegou o celular e perguntou a um de seus subordinados:

— Vivian já assumiu a culpa?

— Não, não se ouve nada lá dentro. Diretor Lima, será que aconteceu alguma coisa?

— O que poderia acontecer? Já que ela se recusa a pedir perdão, deixem-na lá!

Ao desligar o telefone, seu semblante voltou a ser de pura frieza, enquanto Daniela, ao seu lado, exibia uma satisfação indisfarçável.

"Raul, você jamais terá uma resposta minha. Porque eu, Vivian Simões, já estou morta!"

Há três dias, eu já havia morrido.

Aquela câmara frigorífica supostamente desativada ligou automaticamente assim que eles partiram. Eu estava lá, sozinha, gritando por socorro, mas ninguém veio me salvar.

No início, ainda havia o som de vozes do lado de fora. Eu bati na porta com todas as minhas forças, implorando, mas tudo que recebi foi a indiferença dos guardas.

— O Diretor Lima ordenou que a senhora reflita lá dentro. Por favor, senhora, não torne o nosso trabalho mais difícil.

— Não! Por favor, a câmara ligou! Alguém me ajude, por favor!

Mas o silêncio tomou conta do lado de fora. Eles haviam ido embora.

No começo, ainda consegui manter a calma e procurar uma maneira de sair.

Contudo, à medida que a temperatura despencava, tornou-se impossível pensar. A única coisa que eu podia fazer era correr em círculos para tentar gerar algum calor corporal.

No fim, eu já não tinha forças sequer para dar um passo. Sentia que meu corpo inteiro já estava enrijecendo.

Encolhi-me em um canto, alimentando a falsa esperança de me aquecer um pouco.

Aquele lugar era usado para armazenar frutos do mar congelados. Após a retirada das mercadorias, restavam apenas as prateleiras de metal.

Empilhei todas as prateleiras na minha frente, torcendo para que bloqueassem o ar gélido.

Mas foi tudo em vão.

No instante em que percebi que a morte era inevitável, meu coração esfriou por completo, pedaço por pedaço.

Quando vi meu próprio cadáver, fiquei em choque.

Aquela versão de mim, coberta de geada no canto, tinha os olhos repletos de puro desespero. A porta e as paredes estavam marcadas com os arranhões das minhas unhas, e os meus dez dedos estavam ensanguentados.

Assim que fiz menção de me aproximar, no segundo seguinte fui puxada por uma força invisível e lançada diretamente para o lado de Raul.

Ao ouvir suas palavras agora, achei tudo patético.

Raul, eu usei a minha própria vida para refletir. E na próxima vida, eu nunca mais precisarei ver o seu rosto!

Fiquei ali ao lado, observando Raul e Daniela trocarem olhares intensos. Ela pegou o celular e mostrou a ele.

— Raul, eu comprei ingressos para uma exposição de arte. Venha comigo amanhã!

— Tudo bem. Já está tarde, vá descansar.

Daniela, no entanto, segurou a mão dele.

— Eu tenho medo do escuro. Fique comigo.

Sem alternativa, Raul se levantou.

Eu quase tinha me esquecido de que Daniela estava morando na minha casa.

A primeira coisa que ela fez após retornar do exterior foi entrar em contato com Raul.

Usando como desculpa o fato de não conhecer mais direito a cidade, exigiu ficar hospedada na nossa casa.

Chegava a ser cômico. Ela era nativa daqui. Como poderia ter se esquecido de tudo após apenas cinco anos fora do país?

Quando me opus, Raul demonstrou clara irritação:

— Vivian, os pais dela não moram mais aqui. Você sabe o quão perigoso é para uma mulher morar sozinha!

Eu sabia muito bem, pois antes de nos casarmos, eu também alugava um apartamento e morava sozinha.

Naquela época, Raul havia me dito:

— Vivian, uma mulher deve se dar ao respeito. Eu não quero morar junto antes do casamento.

Pensando nisso agora, a hipocrisia dele não conhecia limites.

Raul acompanhou Daniela até o quarto de hóspedes.

Digo quarto de hóspedes, mas ficava bem ao lado da nossa suíte principal. Originalmente, eu planejava transformá-lo no quarto do bebê.

Porém, assim que Daniela chegou, comentou que aquele quarto tinha uma ótima iluminação e que havia gostado dele. Raul simplesmente o entregou a ela.
Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Quis Me Punir Até a Morte   Capítulo 9

    — Eu falei que tinha amante na história! Esse Raul é podre!— Que nojo! Só de olhar para a cara dela, dá para ver que é uma víbora!— Será que os homens são cegos para mulheres dissimuladas? Matar a própria esposa por causa de uma megera dessas... Quero saber quantos anos de cadeia ele vai pegar!— Alguém com o dinheiro dele vai molhar a mão de alguns figurões e sair logo!Os internautas eram perspicazes. Adivinharam os próximos passos de Raul em um piscar de olhos.Ele contratou os melhores advogados. Além disso, o ocorrido começou essencialmente como uma briga conjugal.Ele teve sua parcela de responsabilidade pelo que passei, mas quem planejou a minha morte indiretamente foi Daniela.Graças a isso, após pagar uma fiança exorbitante, Raul conseguiu responder em liberdade.Eu não queria mais vê-lo. Contudo, jamais imaginei que ele apareceria no cemitério abraçado à minha urna.Suspirei resignada. Tive que suportar a presença dele.Mas como esse canalha teve a audácia de mandar grava

  • Quis Me Punir Até a Morte   Capítulo 8

    Raul, no entanto, não se importou.— Testemunhar? Ir para a cadeia seria um castigo brando demais para você!— Joguem ele lá dentro!Por mais que o homem implorasse, Raul não cedeu. Trancou-o na câmara fria e ordenou que seus homens vigiassem a porta.Em poucas horas, não havia mais qualquer som vindo lá de dentro.Encarando o homem já enrijecido pelo frio, Raul ordenou com uma frieza inabalável:— Tragam a Daniela.Provavelmente, Daniela não imaginava que todo o seu plano perfeito fosse desmoronar assim.Quando foi arrastada por Raul até a câmara fria, ela começou a tremer como vara verde.Bastava olhar para a expressão dela para saber que tinha envolvimento direto na minha morte.— Raul, o que está acontecendo com você?— Daniela, naquele dia em que você ficou trancada, foi realmente a Vivian quem fez aquilo?A pergunta repentina a pegou de surpresa.Com um olhar apreensivo, Daniela gaguejou:— Eu não a culpo... A Vivian não fez por mal!— Raul, isso já faz tanto tempo. Por que e

  • Quis Me Punir Até a Morte   Capítulo 7

    Raul congelou imediatamente, encarando o policial com total incredulidade. Ao lado dele, Daniela cobriu a boca num gesto exagerado.— A Vivian estava grávida? Como isso é possível! Senhor policial, vocês não cometeram um engano? Raul, você e a Vivian não tinham nenhum sentimento um pelo outro. Você mesmo disse que nunca tocou nela!— Então, de quem é o filho...Como se tivesse acabado de descobrir algo chocante, ela tapou a boca rapidamente.A expressão de Raul escureceu.— Não. O filho é meu.O rosto de Daniela perdeu toda a cor. Eu sorri. Sim, o bebê era de Raul.Tudo aconteceu no dia em que Daniela foi a um show com outra pessoa e postou fotos nas redes sociais. Raul viu, ficou furioso e bebeu demais naquela noite.Ele foi excepcionalmente agressivo na cama. Fiquei tão exausta que perdi todas as minhas forças e acabei esquecendo de tomar a pílula. O resultado foi que engravidei.Pensando bem agora, eu era muito idiota. Ele claramente me usou apenas para aliviar suas frustrações,

  • Quis Me Punir Até a Morte   Capítulo 6

    — Raul, não importa se você não acredita em mim. Naturalmente, alguém acreditará.Antes mesmo de o relatório da autópsia sair, não sei quem vazou a notícia da minha morte.O vídeo daquele dia, em que Raul me abraçava e gritava histericamente no hospital, foi postado na internet.Os internautas ficaram em choque!— A esposa do grande CEO morreu congelada em uma câmara fria? Que piada é essa?— A esposa morre e o marido é o maior suspeito. Sugiro que a polícia investigue isso a fundo!— O desespero dele não parece fingimento!— Para mim, ele é apenas um ótimo ator! A esposa dele foi congelada viva na câmara fria!— Meu Deus! Eu conheço essa câmara fria, tem um caminho que dá acesso pelos fundos. Mas quem teria atraído a Sra. Lima até lá?— Fontes internas dizem que o próprio Raul a trancou lá por causa da amante!— Chocante! Ele não passa de um assassino, como tem a audácia de gritar no hospital?As palavras dos internautas eram como veneno puro, sem dar a mínima trégua a Raul.Observe

  • Quis Me Punir Até a Morte   Capítulo 5

    Em deferência à posição social de Raul, a polícia teve cautela. Após muita persuasão, conseguiram remover o meu corpo para que o médico legista realizasse a autópsia.A princípio, Raul foi terminantemente contra. A única razão pela qual cedeu foi a necessidade obsessiva de descobrir as circunstâncias reais da minha morte.Ver aquele semblante dilacerado me arrancou um sorriso melancólico.— Raul, quando você souber de toda a verdade, é bom que não ouse derramar uma lágrima sequer diante do meu túmulo!A notícia do meu trágico fim espalhou-se feito pólvora. Raul permanecia sentado no corredor do hospital, imerso em um mutismo perturbador, quando Daniela apareceu.Ela o envolveu em um abraço apertado.— Raul, os mortos não podem voltar à vida. Você precisa se reerguer o quanto antes.— Por que isso aconteceu? Quem desejou com tanto afinco tirar a vida dela?— Eu só queria que ela pedisse desculpas. Por que ela fez isso comigo?Diante dessas palavras lamuriosas, um lampejo de pura malíc

  • Quis Me Punir Até a Morte   Capítulo 4

    Raul explodiu em fúria.— Calem a boca! Como ela poderia estar morta!Ele disparou para dentro da câmara. Atrás das fileiras de prateleiras, a silhueta encolhida de uma pessoa era visível.O corpo de Raul começou a tremer. Fui atrás dele. Embora estivesse psicologicamente preparada, ver o meu próprio cadáver ainda me causava uma pontada de horror.Meus olhos permaneciam abertos, o olhar vítreo cravado diretamente nele. Meu rosto estava coberto por uma fina camada de gelo, e meus dez dedos ostentavam crostas de sangue seco.O chão e as paredes exibiam todas as marcas da minha luta frenética pela vida.No momento em que nossos olhares se cruzaram, Raul cambaleou e desabou de joelhos diante de mim com um baque surdo.Suas mãos trêmulas ergueram-se no ar, tencionando me tocar, mas ele não teve coragem.— Não, não é ela. É impossível!— Essa câmara estava desativada, como alguém poderia congelar aqui dentro?!— Vão buscar as gravações das câmeras de segurança! Eu quero saber exatamente

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status