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Capítulo 2

Autor: Leo Carmo
Assisti com frieza enquanto Raul a escoltava até o quarto. Daniela estava prestes a entrar quando um relâmpago rasgou os céus.

O estrondo de um trovão ecoou logo em seguida. Assustada, ela soltou um grito e se jogou nos braços de Raul.

O corpo de Raul enrijeceu. Daniela o abraçou com força:

— Raul, estou com muito medo. Você pode ficar e me fazer companhia?

A mão de Raul hesitou nas costas dela por um momento antes de acariciá-la de leve.

— Está bem.

Naquele momento, senti-me como uma verdadeira palhaça, pois eu também tinha pavor de trovoadas.

Ainda me lembrava da época em que morava sozinha. Uma noite, caiu uma tempestade repentina, cheia de raios e trovões. Para piorar, faltou energia no meu apartamento e eu fiquei com tanto medo que quase chorei.

Então, liguei para ele na esperança de receber algum consolo.

Mas o que Raul me disse?

— Quantos anos você tem para ainda ter tanto medo de trovões? Vivian, não use esses truques para chamar a minha atenção. Entenda que você é uma adulta independente agora, comporte-se, está bem?

Ele desligou na minha cara. Naquela noite, passei horas encolhida, enrolada nas cobertas, contando apenas com a lanterna do celular para me acalmar.

Só consegui pegar no sono quando o dia já estava raiando.

Pensando nisso agora, vejo o quão patética eu fui.

Ficava claro que Raul não se importava nem um pouco. Entre ele e mim, parecia haver uma muralha intransponível.

Soltei um sorriso amargo. Mesmo já estando morta, aquele estrondo dos trovões ainda me aterrorizava.

Abracei meus próprios braços, tremendo incontrolavelmente. Quis ir embora, mas por algum motivo eu não conseguia sair dali. Restou-me ficar e assistir Raul abraçar e consolar Daniela.

E ela, aninhada nos braços dele, exibia um olhar que transbordava crueldade e malícia.

Suspirei. Para Raul, Daniela seria sempre a marca mais profunda em seu coração. O que eu representava diante disso?

Balancei a cabeça e lancei um olhar para o lado de fora. Mesmo na morte, o medo das tempestades não me abandonava.

Felizmente, aquela tortura não durou muito. Uma hora depois, os trovões cessaram, e Raul deixou o quarto de hóspedes.

Daniela observou as costas dele se afastando com um sorriso presunçoso e murmurou para si mesma:

— Raul, você sempre será meu. Ninguém poderá tirá-lo de mim!

Fiquei ligeiramente perplexa ao ouvir aquilo. Depois de todo esse tempo, ela ainda ansiava por Raul.

Então, por que havia ido embora no passado?

E quanto a Raul... se não conseguia esquecê-la, por que diabos havia se casado comigo?

Ao voltar para o quarto principal, Raul agiu de forma atípica. Ele olhou para uma foto minha no celular e disse com a voz sombria:

— Vivian, espero que você aprenda a lição. Se abaixar a cabeça e pedir desculpas, eu deixo você sair!

Olhar para o rosto de Raul me encheu de uma vontade de rir.

Abaixar a cabeça? Pedir desculpas!

O que foi que eu fiz de errado? Não fui eu quem trancou Daniela no escritório!

Mas Raul sequer ouviu minhas explicações. Apenas porque Daniela dissimulou, dizendo que não me culpava pelo ocorrido, ele teve a certeza absoluta de que a culpa era minha.

Ele me trancou em uma câmara frigorífica desativada e me matou, e agora ainda exigia um pedido de perdão?

Que piada de mau gosto.

Raul era um homem inteligente. Afinal, não se chega à presidência de uma empresa sendo um tolo. Porém, quando o assunto era Daniela, ele se tornava cego e surdo para a razão.

Na manhã seguinte, os guardas responsáveis por vigiar a câmara frigorífica perceberam que algo estava errado e vieram relatar isso, trêmulos de apreensão:

— Diretor Lima, não seria melhor tirar a senhora de lá? Não se ouve nenhum som vindo de dentro da câmara. Aquela tigela de água não será suficiente para cinco dias!

Raul hesitou por um breve momento antes de responder com frieza:

— Sem comer e com uma tigela de água, ainda dá para sobreviver por até dez dias. Já que ela quer ser tão obstinada, que continue lá. Quero ver até quando vai aguentar essa postura!

— Mas... não há um ruído sequer vindo de lá. Estamos preocupados, e se a senhora...

— Não se preocupem. Vivian só está fazendo teatro!
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