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Capítulo 3

Autor: Leo Carmo
Com apenas uma frase, Raul decretou a minha sentença de morte. Diante disso, os guardas não ousaram argumentar mais.

Naquele exato instante, Daniela entrou na sala. Ao ouvir as palavras dele, um sorriso sutil despontou em seus lábios.

— Raul, deixe isso para lá. Já se passaram dias e eu estou bem, não sofri nada grave!

— De jeito nenhum. Ela fez você ficar trancada naquele escritório por tanto tempo. Ela precisa ser punida.

O sorriso no rosto de Daniela se alargou, embora suas palavras dissessem o oposto:

— Raul, não acha que está sendo severo demais? Afinal de contas, ela é a sua esposa.

— Ela age assim comigo... a culpa também é minha. Eu estou sempre incomodando você, o que acabou causando ciúmes. Por favor, liberte-a!

O discurso de Daniela era dócil. Na superfície, parecia interceder por mim, mas cada palavra proferida servia apenas para cravar mais um prego no meu caixão.

E Raul engolia cada gota daquele veneno disfarçado de mel.

— Daniela, você tem um coração muito mole. Está bem, por consideração a você, vou dar mais uma chance a ela!

A expressão de Daniela travou por um segundo, claramente surpresa com a concessão de Raul.

— O que foi?

Percebendo a mudança brusca no semblante dela, Raul indagou:

— Aconteceu alguma coisa?

— Não é nada. É que pensei... já que se passaram tantos dias sem notícias, talvez fosse prudente levarmos um médico.

Daniela sendo prestativa a esse ponto?

Eu tinha minhas dúvidas. No entanto, ela não deixava de ter razão: levar um médico seria a forma perfeita de atestar o meu óbito.

Poupando-a de qualquer complicação futura.

Raul, mal posso esperar para que você descubra a verdade. Eu quero muito ver a expressão no seu rosto quando souber que estou morta.

Raul suspirou profundamente e segurou a mão de Daniela.

— Se ela tivesse ao menos um por cento da sua empatia, as coisas seriam bem melhores.

— Raul, querendo ou não, ela é a sua esposa.

O olhar de Raul tornou-se complexo. Eu, por outro lado, mal conseguia conter um riso de escárnio.

Eu nunca havia desejado competir com Daniela por nada. Esposa? Que título mais irônico.

Mesmo se essa dita punição não tivesse ocorrido, eu já estava planejando o divórcio. Eu estava farta de tudo aquilo.

O meu único arrependimento era por aquela pequena vida que não chegou a nascer.

Involuntariamente, pousei a mão sobre o meu ventre, sentindo uma dor excruciante em minha alma.

Nesse momento, o rosto de Raul escureceu, e seu tom não abriu margem para questionamentos:

— Não é necessário. Você não precisa interceder por ela. Tudo o que Vivian sabe fazer é cena!

— Toda vez é a mesma história: ou sente dor aqui, ou dor ali, ou jura de pés juntos que é inocente. Eu já conheço os truques dela!

— Ninguém aqui está autorizado a implorar por ela!

— A não ser que ela peça desculpas, ela não vai sair de lá!

Ao ouvir isso, Daniela pareceu soltar um suspiro de alívio e permaneceu calada ao seu lado. Eu, contudo, fiquei em choque.

Raul, então era assim que você me enxergava o tempo todo.

Uma pontada de dor atravessou o meu peito. Ainda bem que eu já estava morta. Agora, nada disso importava mais.

Raul finalmente se lembrou da minha existência e liderou seus homens rumo à câmara frigorífica desativada.

Ao chegarem diante da porta, os guardas tremeram visivelmente.

— Diretor Lima.

— Vivian ainda não cedeu?

— Não, Diretor Lima. Nós perguntamos através da porta várias vezes, mas não houve nenhuma resposta lá de dentro.

— Será que não aconteceu alguma coisa com a senhora?

— Eu temo que...

Raul soltou um bufo desdenhoso:

— Não há com que se preocupar! É pura encenação!

— Abram a porta. Eu quero ouvir essa mulher pedir desculpas com a própria boca!

Os lábios de Daniela se curvaram ligeiramente. Os seguranças se apressaram e, assim que abriram a pesada porta da câmara, ficaram paralisados de choque.

A voz de Raul ecoou por trás deles:

— Mandem-na sair!

— Diretor Lima... a câmara, a câmara parece estar ligada!

Raul avançou a passos largos.

— O que querem dizer com ligada? Vocês estão tentando se eximir da responsabilidade?

Ao parar no batente da porta, uma densa névoa de ar gélido transbordou para o corredor, causando calafrios até nos ossos.

O rosto de Raul perdeu a cor.

— Vivian, não ache que vou perdoá-la só porque você ativou o sistema de refrigeração. Saia já daí!

Um silêncio sepulcral reinava. Os homens ao redor trocaram olhares apreensivos.

Fervendo de raiva, Raul hesitou por um longo instante antes de ordenar asperamente:

— Tragam-na aqui para fora!

Assim que ele terminou a frase, alguns homens invadiram o recinto. Ao olharem por trás das prateleiras e encontrarem o cadáver congelado e encolhido no canto, o horror tomou conta de todos.

— A senhora... a senhora congelou até a morte!
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