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Capítulo 2

Author: Genesis
last update publish date: 2026-08-22 17:03:26

“Sim, Luna, isso mesmo — sou eu”, Lila provocou, enquanto um sorriso presunçoso se espalhava lentamente por seu rosto.

Sua aparência havia mudado completamente em relação à imagem indefesa e inocente que demonstrara no banquete. Agora, ela me encarava de cima com puro rancor brilhando em seus olhos.

Seu cabelo já não era daquele tom castanho suave; de alguma forma, havia se transformado em um vermelho intenso e flamejante naquele instante.

Droga! Lila realmente era uma bruxa? Aquele vinho tinto! Ela devia tê-lo envenenado antes.

“O que você está fazendo? O que espera ganhar com isso?” perguntei fracamente, tentando desesperadamente me conectar com Luna.

O veneno também devia tê-la atingido, pois eu não conseguia alcançá-la de jeito nenhum.

Por mais que eu relutasse em aceitar aquilo, eu estava impotente. Completamente à mercê de Lila.

“Luna inútil, duvido que algum dia você tenha imaginado que isso aconteceria com você, não é?” Lila zombou, puxando uma faca da bainha presa à cintura e agitando-a ameaçadoramente na minha direção.

“Não faça isso, Lila. Se você acabar com a minha vida, Marcus jamais vai deixar isso passar.”

Lila caiu na gargalhada, jogando a cabeça para trás enquanto se contorcia de tanto rir.

“Oh, você é hilária. Talvez devesse ter seguido carreira na comédia em vez de ser a Luna de Marcus”, comentou ela, enxugando uma lágrima no canto do olho antes de voltar a me encarar com desprezo, seus olhos ardendo de ódio. “Eu sou a verdadeira companheira de Marcus, não você. Tudo o que era seu agora é meu.”

Ela rosnou, pressionando a ponta da adaga contra minha bochecha e deixando que ela perfurasse minha pele.

Senti a ardência aguda quando a lâmina abriu um corte, seguida pelo sangue escorrendo lentamente pelo meu rosto, mas eu estava fraca demais até mesmo para levantar as mãos e afastá-la.

“Vou contar mais uma coisa, senhorita Sophia Brown — essa história entre Marcus e eu… toda a matilha estava envolvida”, ela sorriu cruelmente enquanto meu coração se despedaçava. “O Beta dele, cada um dos membros… todos sabiam há muito tempo. Você era a única completamente às cegas.”

Seu sorriso venenoso e o veneno em sua voz atravessaram meu coração como facas enquanto ela erguia a adaga, uma expressão sinistra brilhando em seus olhos.

Um arrepio de terror percorreu meu corpo quando compreendi seu plano. Olhei para cima, completamente chocada e incrédula, com os olhos arregalados, enquanto ela descia a lâmina com força, rasgando a carne do meu peito e quebrando meu esterno enquanto o aço gelado penetrava diretamente em meu coração.

“Cada pessoa que você um dia amou e em quem confiou abandonou você por mim, Sophia.”

A cena surreal diante dos meus olhos começou a ficar borrada e a desaparecer, deixando-me em um estado de completa dormência.

Eu jamais havia imaginado que minha morte aconteceria daquela maneira.

Uma raiva intensa tomou conta de mim diante de tamanha injustiça, e jurei que, se a Deusa da Lua me concedesse outra oportunidade, faria Marcus e Lila pagarem caro por sua traição, com as próprias vidas.

Eu me vi vagando sem rumo por uma floresta coberta de névoa, sem saber qual caminho seguir.

De repente, um brilho deslumbrante iluminou a floresta à minha frente, atravessando a neblina e dissipando-a enquanto seus suaves raios percorriam minha pele.

Eu havia morrido? Era aquilo o que vinha depois da morte?

Caminhei em direção à luz, estendendo o braço para alcançá-la, mas, de repente, um som ensurdecedor explodiu em meus ouvidos.

“Luna! Vamos, está na hora de acordar!”

“O quê?” gritei assustada, despertando de repente na cama dentro de um quarto que parecia familiar demais. Olhei para a Ômega Amy à minha frente, completamente atônita, lutando para entender o que estava acontecendo.

“Estou tão feliz que você finalmente acordou — você estava completamente apagada!” ela riu. “Temos um monte de coisas para resolver hoje por causa do seu terceiro aniversário com Marcus amanhã, além de toda a preparação para o banquete.”

“Espere… o quê? Você está dizendo que o banquete é amanhã?”

“Sim, claro — você não se lembra?”

Levei a mão ao peito, exatamente no lugar onde a faca havia me atingido brutalmente, mas não havia sequer um vestígio de ferimento.

Seria possível que tudo o que eu havia vivido tivesse sido apenas um pesadelo?

Pulei da cama e corri até minha escrivaninha, puxando meu diário da gaveta.

Aquele diário era essencial para organizar minha rotina. Eu anotava nele minhas emoções diárias, acontecimentos importantes, deveres oficiais e assuntos da matilha para conseguir acompanhar tudo. Todas as manhãs, eu escrevia minha lista de tarefas.

Folheei até a página em que me lembrava claramente de ter listado minhas tarefas logo depois de acordar na véspera do meu aniversário, mas ela estava vazia.

Confusa, examinei as anotações dos dias anteriores, e elas correspondiam perfeitamente às minhas lembranças.

Será que a Deusa da Lua realmente havia atendido à minha súplica?

Ingenuamente, na esperança de que as coisas mudassem dessa vez, acompanhei Amy até o local onde o banquete estava sendo preparado, enquanto as imagens de Lila e Marcus nos braços um do outro continuavam passando pela minha mente. As últimas palavras cruéis dela ecoavam dolorosamente na minha cabeça.

“Cada pessoa que você um dia amou e em quem confiou abandonou você por mim.”

Teria sido apenas um sonho ou realmente havia acontecido? Se fosse apenas um sonho, por que a dor no meu peito parecia tão real?

“Meus estimados membros da matilha, saúdo todos vocês e agradeço por terem comparecido prontamente. É uma honra para mim anunciar hoje que minha companheira predestinada, Lila, está se juntando à nossa matilha. Desejo sinceramente que tanto Lila quanto a Luna Sophia recebam o mesmo respeito.”

O banquete se desenrolou exatamente como no meu pesadelo, com Marcus fazendo seu anúncio palavra por palavra.

Seria possível que a Deusa da Lua tivesse ouvido meu pedido de vingança e realmente me concedido uma segunda chance?

“Sophia! Sophia!”

“Sim… Luna, é você?”

“Oh, louvada seja a Deusa — finalmente consigo me comunicar com você novamente!”

“Luna, o que está acontecendo? Nós…” gaguejei, completamente incrédula.

“Escute, querida — estou tão confusa quanto você, mas tenho certeza de que morremos antes. Não foi um sonho.”

“Então por que você me ignorou quando eu a chamei?”

“Por causa daquela vadia! Precisamos agir com cautela, Sophia.”

Antes que eu pudesse organizar meus pensamentos acelerados, Marcus empurrou Lila proativamente em minha direção dessa vez.

“Sophia, conheça Lila. Odeio dizer isso, mas preciso admitir… descobri minha verdadeira companheira.”

Observei Lila atentamente enquanto ela pegava a taça de vinho sobre a mesa e se aproximava de mim com elegância, mantendo uma postura submissa.

“Minha Luna, tenha piedade e permita que eu more em sua casa. Por favor, aceite minha gratidão com este vinho tinto.”

Examinei a taça que ela me oferecia, pegando-a cuidadosamente e estreitando os olhos para o conteúdo, mas parecia ser apenas vinho tinto comum.

Nada indicava qualquer perigo e, se eu não tivesse morrido anteriormente por causa daquele plano, jamais teria imaginado que continha um veneno tão mortal.

Balancei a cabeça e empurrei a taça de volta para ela.

“Não. Você contaminou isso com seu toque imundo — eu me recuso a beber.”

Lila parou, como se tivesse sido pega de surpresa pela minha rejeição, e, por uma fração de segundo, a fúria brilhou em sua expressão. Instantaneamente, porém, desapareceu, substituída por sua expressão inocente e miserável fingida, com os olhos cheios de lágrimas.

“Você tem razão, Luna. Minha posição é inferior à sua; eu não deveria ter…”

“Pare, Lila. Não precisa pedir desculpas”, Marcus a tranquilizou antes de se virar para mim com uma expressão furiosa. “Cuidado com o que diz, Sophia!”

Eu não suportava aquela pequena farsante! Se eu não soubesse de sua verdadeira natureza, teria caído completamente naquele papel doce e frágil que ela estava representando.

Fitei Marcus, pronta para responder com sarcasmo, mas Lila subitamente levou a taça à boca, encarando-me com um leve sorriso enquanto engolia o vinho tinto que acabara de tentar me oferecer.

Fiquei olhando para ela, completamente atônita.

Será que dessa vez ela havia desistido do veneno?

Em poucos instantes, Lila desabou, tossindo sangue, e eu recuei horrorizada enquanto suspiros de choque ecoavam ao nosso redor.

Marcus correu imediatamente até ela, o rosto contorcido pelo pânico.

“Lila! O que aconteceu?!”

Enquanto Lila desabava nos braços de Marcus, ela me lançou um olhar com uma expressão impecável de sofrimento, o lábio inferior tremendo enquanto dizia:

“Luna, eu nunca quis destruir sua união… por que você faria isso comigo?!”

O olhar de Marcus se voltou bruscamente para mim,

seus olhos encontrando os meus com uma fúria gélida. Ele apertou ainda mais Lila contra seu corpo, protegendo-a, enquanto seu olhar se tornava perigosamente intenso.

“Guardas! Prendam a Luna e levem-na para a masmorra!”

“Marcus?!”

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