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Capítulo 2

Author: Abóbora da Sorte
Quando cheguei em casa, as luzes da sala já estavam acesas.

Freya estava diante do espelho de corpo inteiro, usando um vestido de noiva branco-prateado.

Era exatamente o vestido que Roland havia escolhido pessoalmente para mim na minha vida anterior, mas ele nunca chegou a me ver usando-o.

A barra balançava suavemente sob a luz, fazendo-a parecer ainda mais delicada e frágil.

Roland estava ao lado dela, segurando-a firmemente pela cintura com uma das mãos. Era como se temesse que ela pudesse desabar a qualquer momento.

Ao ouvir meus passos, Freya instintivamente tentou se virar, mas suas pernas cederam, e ela caiu contra ele.

— Não se esforce demais.

Roland a amparou com a voz grave antes de erguer os olhos para mim. Imediatamente, franziu a testa por puro hábito.

— Freya tem os batimentos cardíacos irregulares e precisa ser monitorada. Trouxe-a para casa para cuidar dela por um tempo. Ela viu este vestido quando entrou no quarto e quis experimentá-lo, então deixei.

Na minha vida anterior, ele havia trazido Freya diretamente para a mansão sem sequer me consultar. Naquela época, perdi a cabeça.

Aquela discussão se tornou a prova definitiva, aos olhos de todos, de que eu era possessiva demais, insensível e incapaz de tolerar a pessoa que havia salvado a vida de Roland.

Dessa vez, simplesmente pendurei meu casaco e respondi com tranquilidade:

— Tudo bem. Ela pode ficar. Além disso, o vestido ficou lindo nela.

Roland ficou claramente atônito por um instante. Nem sequer conseguiu dizer as palavras reconfortantes que havia preparado.

Freya ergueu os olhos para mim. Sua voz era tão suave que mal consegui ouvi-la.

— Aurora, não fiz isso de propósito. Eu só queria mesmo experimentar o vestido.

— Se quiser usá-lo, pode usar.

Ajustei delicadamente a alça no ombro dela.

— Fique à vontade.

Roland ficou olhando para meu rosto por vários segundos, como se procurasse algum sinal de sarcasmo. Só depois de confirmar que não havia nenhum é que seus ombros relaxaram gradualmente.

— Eu sabia que você entenderia. Você sempre é tão sensata.

Houve uma época em que palavras como aquelas me deixavam nas nuvens por dias. Agora, só me pareciam ridículas.

Para ele, ser "sensata" sempre significará conveniência. Ele queria que eu ignorasse tranquilamente todas as mágoas e permitisse que voltasse sua atenção para Freya sempre que bem entendesse.

A loba dentro de mim estava estranhamente quieta.

Na minha vida anterior, sempre que Freya se aproximava dele, ela arranhava freneticamente minhas costelas por dentro, até eu mal conseguir respirar.

Agora, apenas se encolhia, como se finalmente tivesse aceitado uma verdade que eu me recusara obstinadamente a encarar. Roland podia ser meu companheiro predestinado, mas nunca havia sido verdadeiramente meu.

Tarde naquela noite, enquanto organizava minhas anotações de pesquisa, alguém bateu delicadamente à porta do meu quarto.

Freya entrou com o pingente de lua crescente na mão.

— Aurora, posso colocá-lo? — perguntou baixinho, baixando os cílios em uma expressão lamentável.

O pingente de lua crescente era uma joia que apenas a verdadeira Luna deveria usar.

Roland apareceu atrás dela e imediatamente se colocou à sua frente para protegê-la.

Ao que parecia, ele havia se esquecido completamente disso.

Ele imediatamente deu um passo à frente, colocando-se na frente de Freya para protegê-la. Seu tom era claramente defensivo.

— É apenas um pingente. Aurora, não dificulte as coisas para ela.

Enquanto falava, deu um tapinha gentil no ombro de Freya, como se estivesse consolando alguém assustado.

Peguei o pingente das mãos dela e eu mesma o prendi em seu pescoço. A corrente repousou sobre sua clavícula, e a lua crescente balançou suavemente sob a luz.

— Você deveria ficar com ele. Afinal, sempre foi seu — falei.

O sorriso de Freya desapareceu por um instante.

Roland, porém, pareceu aliviado. Aproximou-se de mim e falou no que acreditava ser um tom gentil.

— Você mudou muito ultimamente. Gosto de como está agora. Quando nosso vínculo de companheiros for confirmado, não precisaremos mais discutir por causa dela.

Lancei um olhar para minha mala, parcialmente arrumada, no canto do quarto.

— De fato, não precisaremos.

Daqui a sete dias, não haveria mais nada pelo que discutir.

Enquanto caminhavam em direção ao fim do corredor, ouvi Freya perguntar baixinho:

— A futura Luna vai mesmo ficar bem com a minha presença aqui o tempo todo? E se ela ficar chateada e deixar você?

Roland respondeu sem a menor hesitação:

— Aurora me ama demais. No máximo, ficará emburrada por alguns dias, mas nunca vai me deixar.

Continuei organizando meus documentos de contratação enquanto sorria.

Pela primeira vez, a confiança dele não me machucou. Apenas o fez parecer um tanto ridículo.

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