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Capítulo 4

Author: Abóbora da Sorte
O banquete foi realizado ao ar livre.

A lua cheia iluminava o céu noturno enquanto todos dançavam no espaçoso pátio de pedra do castelo durante a celebração.

O luar e as tochas ao redor banhavam todo o pátio em uma luz intensa e acolhedora.

Eu estava sozinha ao lado de uma coluna de pedra, em um canto. Vestida com um vestido de seda azul-escuro, observava friamente a cena diante de mim.

Como era de se esperar, a atenção de todos estava voltada para Roland e Freya.

Freya usava um vestido de noite prateado e cintilante e permanecia aconchegada ao lado de Roland. Os gestos íntimos dos dois atraíam inúmeros olhares invejosos.

"Está parecendo que Roland realmente adora a loba que o salvou. Ele está ignorando completamente a própria companheira."

"Então os rumores são verdadeiros. O Alfa Roland e Aurora realmente não têm um bom relacionamento."

Os sussurros chegaram aos meus ouvidos, mas fingi não escutá-los. Segurei minha taça de vinho enquanto meus pensamentos se concentravam exclusivamente no Instituto de Pesquisa Médica Fenrir. Faltava apenas um dia para minha partida.

— Aurora, está gostando do banquete? — perguntou um lobisomem que se aproximou com um sorriso um tanto bajulador.

Esbocei um sorriso discreto.

— Não. É entediante.

— Ah, entendo perfeitamente. — Ele baixou a voz. — Deve ser doloroso ver seu companheiro passando tanto tempo com outra loba.

Não respondi e continuei bebendo. Ele estava prestes a dizer mais alguma coisa quando Roland apareceu, com Freya logo atrás.

Seu olhar severo se fixou no outro lobisomem.

— O que você acabou de dizer à minha companheira? — perguntou Roland friamente.

O lobisomem pertencia a uma família insignificante. Aterrorizado pela presença imponente do Alfa, ele rapidamente abaixou a cabeça e recuou.

Olhei para Roland e seu comportamento possessivo, sentindo uma emoção familiar, porém complexa, brotar dentro de mim.

Sempre havia sido assim na minha vida anterior. Ele constantemente escolhia Freya em vez de mim, mas nunca fazia questão de esconder seu lado possessivo quando se tratava de mim.

Houve um tempo em que confundi aquela possessividade com amor. Só mais tarde compreendi que não tinha absolutamente nada a ver com isso.

— A propósito, Aurora... — Roland se inclinou na direção do meu ouvido. Sua voz carregava um toque de culpa. — Preciso lhe pedir uma coisa.

— O que foi? — perguntei.

— Sobre o seu quarto... — Ele hesitou, parecendo um tanto incomodado. — Freya gosta da luz do sol que entra ali. Você se importaria de deixá-la ficar lá por enquanto? Espero que entenda.

Como eu era sua companheira, aquele quarto deveria ser meu.

Agora, Freya ficaria com ele. Ele estava realmente me pedindo que cedesse meu próprio quarto à loba que o havia salvado.

— Claro — respondi com um sorriso. — Sem problema.

Roland sorriu.

— Eu sabia que você entenderia.

Justo quando o último resquício de sentimento dentro de mim finalmente desapareceu, um assobio agudo cortou repentinamente o céu noturno.

— Cuidado!

Uma flecha de prata disparou das sombras da floresta ao redor. Ela voou diretamente na direção de Freya.

A prata era letal para os membros da nossa alcateia. Um acerto direto poderia causar ferimentos graves ou até mesmo a morte.

Roland reagiu instantaneamente. Empurrou Freya para trás de si e protegeu-a com o próprio corpo. A flecha raspou em seu ombro antes de se cravar profundamente em uma coluna de pedra próxima.

Mas não havia terminado.

Uma segunda e uma terceira flecha de prata vieram em rápida sucessão, mergulhando o pátio aberto no caos. Os nobres gritaram e correram em todas as direções.

Em meio à confusão, alguém me empurrou com força. Perdi o equilíbrio e cambaleei para trás.

Naquele instante, uma flecha de prata veio voando pela lateral e atingiu meu ombro esquerdo.

Uma onda de agonia percorreu meu corpo inteiro. A prata começou a corroer minha carne, e minha visão escureceu. Quase desmaiei de tanta dor.

Apertei o ferimento com força enquanto o sangue escorria por entre meus dedos, manchando meu vestido azul de vermelho.

Em meio à multidão, vi Roland segurando Freya firmemente nos braços. Ele falava baixinho com ela, tentando acalmá-la.

— Está tudo bem. Está tudo bem. Estou aqui. — Sua voz era dolorosamente gentil.

Ele nem sequer havia percebido que eu estava caída no chão.

Só quando um ancião gritou, alarmado, foi que ele finalmente se deu conta:

— Aurora! Você foi atingida por uma flecha!

Foi então que Roland finalmente ergueu os olhos para mim. Naquele exato momento, outra onda de dor me dominou, e tudo ficou escuro.

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