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Capítulo 5

Author: Abóbora da Sorte
Acordei no dia seguinte.

Graças ao tratamento relativamente rápido, a propagação do envenenamento por prata havia sido controlada, mas minha ferida ainda latejava levemente.

Eu estava deitada na minha própria cama e, por uma fresta entre as cortinas, conseguia ver a luz do sol lá fora.

Uma curandeira estava de vigia ao lado da minha cama.

Assim que me viu acordar, ela se levantou.

— Você finalmente acordou! Vou avisar o Alfa Roland imediatamente!

— Não precisa — interrompi com a voz rouca. — Onde ele está?

— O Alfa Roland está ao lado de Freya esse tempo todo — respondeu ela com cautela. — Pelo que parece, Freya ficou muito assustada e está com febre alta persistente.

Fechei os olhos e senti um gosto amargo na boca.

Era exatamente o que eu esperava.

Mesmo quando levei um tiro e estava à beira da morte, Freya continuava sendo sua prioridade.

— Gostaria de descansar um pouco — falei baixinho.

A curandeira concordou. Quando estava prestes a sair, alguém bateu à porta.

— Aurora? — Era Roland. — Soube que você acordou. Está bem?

A curandeira estava prestes a abrir a porta, mas eu a impedi.

Não respondi. Roland não ficou irritado. Quando voltou a falar, sua voz soou grave e cansada.

— Sinto muito. Eu deveria ter protegido você primeiro naquela noite. Mas você sabe que Freya salvou minha vida. De qualquer forma, vou compensar você. Seja o que for que queira, eu lhe darei.

Escutei em silêncio, sentindo uma onda de desprezo dentro de mim.

"Me compensar? Eu nem me importo."

Perguntei, sem demonstrar emoção:

— Como está Freya?

— E-ela está aterrorizada. O coração dela continua doendo. A curandeira disse que ela precisa ter alguém ao seu lado o tempo todo para se sentir segura. — Sua voz estava repleta de preocupação. — Por isso, preciso...

— Volte e cuide dela — completei a frase por ele.

Roland fez uma pausa.

— Aurora, prometo que, assim que ela estiver melhor, dedicarei todo o meu tempo a você.

Não disse mais nada.

Após um longo silêncio, ouvi seus passos se afastando gradualmente.

Quando o som desapareceu por completo, sentei-me na cama.

— Você precisa descansar — disse Mira, minha amiga, com preocupação.

— Traga-me alguns remédios e água morna — pedi. — Preciso recuperar minhas forças.

Naquela noite, enquanto Roland estava ocupado fazendo companhia a Freya no alojamento das curandeiras, voltei para casa e entrei silenciosamente no quarto dele.

Peguei a cópia do formulário de registro de companheiros.

Sob a luz do luar, o nome de Freya se destacava dolorosamente, como se declarasse algo em silêncio.

Coloquei o documento bem no centro da escrivaninha, onde ele o veria imediatamente.

Em seguida, escrevi uma única frase em uma folha de papel em branco.

"Parabéns. Seu desejo se realizou."

Assim que terminei de escrever, senti de repente que a dor surda que me atormentara ao longo de duas vidas finalmente começava a aliviar o aperto em meu peito.

Voltei para o meu quarto e peguei a mala que havia preparado muito tempo antes.

Dentro dela havia apenas algumas mudas de roupa, todos os materiais de pesquisa de que precisava para o Instituto de Pesquisa Médica Fenrir e todas as minhas economias, que eu havia retirado da minha própria conta.

Caminhei pelo corredor e saí da mansão sem parar nem olhar para trás.

A porta se fechou lentamente atrás de mim.

Não olhei para trás e nunca mais olharia.

"Adeus, Roland", pensei.

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