LOGINNesse momento a entrada das alianças Isabela foi a alma da cerimônia. Usando um vestidinho branco de tule e flores bordadas, com uma coroa de margaridas na cabeça e sapatilhas douradas, ela caminhou pelo corredor de mãos dadas com Verônica, jogando pétalas no chão enquanto olhava para todos com orgulho. Ao final do trajeto, correu até Alina e a abraçou com força.— Você tá parecendo uma fada — disse, baixinho.Alina ajoelhou-se e respondeu, com os olhos marejados:— E você é o anjo que salvou meu coração.Quando trocaram as alianças, as mãos de ambos tremiam. Mas não de medo — de emoção. E, ao fim da cerimônia, quando o padre anunciou:— Pode beijar a noiva.Joaquim a puxou com cuidado e a beijou com doçura, como quem sela um pacto eterno. Os poucos convidados aplaudiram, Verônica chorava feito criança, e até Matteo disfarçou os olhos marejados com um pigarro.A recepção aconteceu ali mesmo, sob as árvores. Mesas de madeira com arranjos florais, uma banda suave tocando jazz ao fund
— O medo vai existir. Mas o amor que meu irmão sente por você é sólido. E você também ama ele, não ama?Alina assentiu, com lágrimas nos olhos.— Então permita-se viver, Alina. Permita-se sentir. E, se o medo vier, segure na mão dele. Ele vai estar lá.Enquanto isso, Joaquim lidava com os bastidores. Fez questão de manter o casamento em sigilo da mídia. Após o circo em torno do julgamento de Clara, queria proteger Alina da exposição. Escolheu uma capela discreta nas montanhas, cercada por árvores e longe dos holofotes.Encomendou alianças feitas sob medida — ouro fosco com inscrições internas em italiano: Per sempre, con te. (Para sempre, com você.)Reuniu uma pequena equipe de confiança para cuidar de cada detalhe: o vestido, a decoração com flores do campo, os convidados restritos. Não haveria exageros, apenas o essencial — amor, verdade e recomeço.Na noite anterior ao casamento, Joaquim bateu suavemente na porta do quarto de Alina. Ela o recebeu com um sorriso, e os dois caminhar
A imprensa não poupou comentários. "De musa a monstro", dizia a manchete de uma das revistas mais lidas. Programas de televisão debatiam a queda de Clara e a ascensão de Alina — a babá que conquistou o coração do magnata e sobreviveu ao terror. Mas dentro da mansão, a vida corria com outra prioridade: Alina. Joaquim havia mandado transferir todas as coisas dela para o quarto principal. Não como imposição, mas como um convite silencioso. Ele a queria ao seu lado, mas respeitava seu tempo. Alina passava os dias entre terapias, e caminhadas silenciosas pelo jardim. Ela ainda não tinha saído da mansão sequer uma vez, Joaquim respeitava o seu tempo. A dor deixara cicatrizes não apenas visíveis em seu corpo, mas também na alma. Verônica era sua maior companheira. Não havia dia em que não a encontrasse oferecendo chá, propondo passeios no jardim ou apenas sentando-se ao seu lado em silêncio. Joaquim, por sua vez, tentava de todas as formas reconquistar o tempo perdido. Presenteava-a com p
Horas depois, no hospital, Alina já estava sedada, recebendo cuidados médicos. Havia sofrido escoriações profundas nos pulsos e tornozelos, além dos hematomas no rosto. Também foi constatado um início de desidratação e sinais de exaustão. A equipe médica garantiu que, fisicamente, ela se recuperaria — o emocional levaria mais tempo.Joaquim, por sua vez, ainda usava a camisa suja de sangue seco, sentado do lado de fora do quarto de Alina, imóvel, como uma estátua quebrada. Os olhos fixos na porta. Veronica se aproximou em silêncio, segurando um copo de café.— Toma. — disse, estendendo o copo a ele.— Obrigado. — respondeu, sem emoção. Ele aceitou, mas não bebeu.— Os advogados já estão cuidando do caso. Clara vai pagar. A polícia já deu voz de prisão oficialmente, mesmo com ela tentando alegar coação e sequestro.— Ela não vai sair dessa. Eu juro. — rosnou Joaquim. — Ela não vai escapar. Não depois do que fez.Veronica assentiu em silêncio. Ela sabia. A dor que seu irmão sentia não e
— Você existiu. E isso foi o suficiente. Eu amei o Joaquim antes de você sequer saber quem ele era. Você está em um lugar que não te pertence.Alina riu com sarcasmo sendo consumida pela raiva.— Isso não é amor.Clara a esbofeteou com força, fazendo Alina tombar para o lado. Mas não gritou. Não chorou. Clara respirou fundo, tentando se recompor.— Moreli vai conseguir o que quer. E eu vou sumir. Você? Talvez com sorte ele te mate. Do lado de fora, os drones sobrevoavam a área. Joaquim estava com sua equipe tática, homens experientes, todos armados até os dentes. As imagens térmicas haviam detectado movimentação no interior. E ali, uma das assinaturas corporais femininas estava imóvel, presa. Era Alina. O rastreamento do celular de um dos capangas de Moreli, interceptado por um dos hackers da equipe de Joaquim, revelou a localização: uma propriedade abandonada que já havia sido usada como entreposto de armas ilegais.— Entramos em três frentes. Rápido. Silenciosos. Precisos. — Di
Enquanto isso, Alina…O cativeiro era úmido e escuro. As paredes de concreto pareciam absorver qualquer som, qualquer esperança. Alina sentia o corpo doer. As marcas da surra estavam em sua pele, mas o que mais doía era a mente. O medo era constante. A incerteza corroía.Ela pensava em Joaquim, em Isabela, em Verônica. Queria gritar, mas não podia. Miguel estava sempre por perto, observando, ameaçando.— Da próxima vez, a surra vai ser pior — ele dissera após a última tentativa dela de escapar da corda frouxa.Enquanto isso, em um galpão abandonado nos arredores de Sorocaba, Alina estava sentada num colchão velho, encostada na parede úmida. O frio da madrugada deixava sua pele arrepiada, mas não era isso que mais a machucava. Era o medo. Era a incerteza. Era a dor.O rosto ainda inchado, a lateral da testa com um hematoma roxo, os lábios rachados. Um dos homens que a vigiavam havia perdido a paciência quando ela tentou fugir para o banheiro improvisado. Foi brutal. Ela não chorou.







