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Capítulo 5

作者: Washing Wheat

O alarme máximo significava uma única coisa.

O abrigo havia sido completamente invadido. Não havia sobreviventes.

Todos congelaram.

O veterano que momentos antes zombava de mim foi o primeiro a reagir. Cambaleou até a beira do penhasco e ficou olhando para baixo com os olhos arregalados.

— O alarme máximo... é o alarme máximo! Minha esposa e meu filho ainda estão lá dentro!

O jovem guarda também empalideceu, os lábios tremendo sem controle.

Em meio ao silêncio mortal, reuni o que restava das minhas forças e olhei para Henrique.

— Está ouvindo, Henrique? Eles todos morreram...

— Foi esse o nascer do sol que você comprou com a vida de todos. Está satisfeito agora?!

— Até a sua própria mãe — a mulher que você mais admirava — você a matou com suas próprias mãos!

Na base, a porta de segurança estava retorcida e escancarada de forma grotesca. Poças de sangue se espalhavam pelo chão. Membros decepados, roupas rasgadas, vísceras espalhadas — tudo misturado numa visão que não cabia na mente humana.

Alguns zumbis devoravam os cadáveres no chão, emitindo um som de mastigação que cortava os ouvidos.

Não aguentei. Me curvei e vomitei ali mesmo, as lágrimas escorrendo sem que eu pudesse fazer nada.

Cheguei tarde demais.

Me esforcei até o limite — e mesmo assim não consegui salvá-los.

— V-vamos descer... precisamos ver...

A voz do veterano mal se sustentava. Ele desceu cambaleando, pisando no meio das poças de sangue com as pernas bambas.

— Sofia! Sofia!

Ele vasculhava a pilha de corpos como um louco, os olhos tão vermelhos que pareciam prestes a sangrar.

— Mãe! Mãe, onde você está!

A voz do jovem guarda saía em soluços.

De repente, o veterano parou.

Com um baque surdo, caiu de joelhos diante de um corpo que só tinha a metade de cima. Os dedos tremeram ao se aproximar do rosto pálido daquela criança — e recuaram de imediato.

— AAAAAH—!

Um grito dilacerante explodiu da sua garganta. Ele apertou contra o peito o corpo mutilado da filha e chorou com um desespero que não tinha mais forma.

Aquele choro rasgava a alma de qualquer um que ouvisse.

Do outro lado, o jovem guarda havia encontrado sua mãe.

Ela estava caída perto dos escombros com o peito completamente aberto. Os olhos arregalados ainda guardavam o terror do último momento.

O rapaz olhou para aquilo tudo e não conseguiu emitir nenhum som.

Eu também olhei — e senti meu coração ser partido ao meio. Uma dor mil vezes mais funda do que a do dedo esmagado.

Renasci. Sabia o desfecho melhor do que ninguém. Queria mudar tudo isso mais do que qualquer pessoa neste mundo...

Então por que, por que mesmo assim não consegui salvá-los?

O corpo do jovem guarda começou a tremer violentamente. Ele ergueu a cabeça devagar, apontou o dedo para Henrique, e da garganta finalmente saiu uma voz:

— Capitão... olha. Olha pra minha mãe!

Os olhos injetados de sangue cravados em Henrique.

— Por quê?! Me diz por quê! Nós todos ouvimos a senhora implorando pra você voltar — por que você não voltou?!

Ele cambaleou dois passos à frente e acertou um soco no rosto de Henrique.

— Por que você nos mandou todos para cá em cima só pra fazer o aniversário da Melissa?!

— Henrique Valença, você ainda é gente?! Fala alguma coisa! Olha esse chão coberto de sangue! Você não sente nada?!

Soco após soco, Henrique levou tudo sem recuar. Mas os olhos dele estavam fixos em mim.

Então ele abriu a boca devagar.

— Minha mãe?

Uma pausa.

— Luna... onde está minha mãe?

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