MasukO estalo do tapa brutal ecoou pelo salão. A força do golpe me fez perder o equilíbrio e ir direto ao chão frio de mármore. A dor física não era nada comparada à dor que dilacerava minha alma.
— Achou mesmo que ia me enganar pelo resto da vida, sua cadela ingrata? — rosnou Caleb. Ele me agarrou pela gola do uniforme quase rasgando e expondo demais os meus seios , erguendo-me do chão para me chocar com violência contra a parede mais próxima. Seus dedos fecharam-se em volta do meu pescoço, espremendo minha traqueia e me tirando quase todo o ar. — Se não fosse a Viviam ter encontrado o frasco vazio da droga afrodisíaca que você usou contra mim escondidos no seu quarto, a esta hora eu teria caído no seu truque como um imbecil e feito de você a minha Luna! Disse Caleb com os olhos agora vermelhos de fúria e desprezo . — Filho, larga essa vagabunda! Ela não é digna nem de morrer em suas mãos! — gritou Charlote, a mãe de Caleb. Charlote também me odiava com todas as forças, pois eu lembrava muito a minha falecida mãe, principalmente na beleza. O rei Kerim sempre fora obcecado pela minha mãe e, quando ela se recusou a trair meu pai para servi-lo na cama, ele mandou matar os dois. Tudo fora abafado porque meus pais eram meros servos sem valor para o reino. Eu odiava Kerim por isso, na época cheguei a pensar em usar o meu caso com Caleb para me aproximar do pai dele e vingar a morte dos meus pais , mas para minha infelicidade e culpa , acabei me apagando por ele. Agora, vendo Caleb me sufocar sem nenhuma piedade de, percebi que ele era tão cruel quanto o pai e lamentavelmente fraco o batente para se deixar manipular e acreditar nas mentiras de Viviam sem sequer me ouvir. Minha visão começava a escurecer pela falta de ar e eu quase contei a ele o que pretendia naquela noite só para proteger meu filhote , que eu carregava e ele nem sequer sabia . qu Quando Caleb subitamente me soltou. Caí sem forças no chão, tossindo descontroladamente, arfando em busca de oxigênio. — É, meu pai... o senhor tem razão — disse Caleb, tirando um lenço de linho do bolso para limpar as mãos como se tivesse tocado em algo podre. Ao fundo, Viviam ostentava um olhar vitorioso e sórdido sobre mim. — Essa vadia não merece nem que eu suje minhas mãos com ela. Ele deu um passo para trás, encarando a multidão e erguendo a voz soberana: — Quero que todos aqui testemunhem que eu, Alfa Supremo Caleb Crescent, Rei da Matilha Lua Vermelha, rejeito Maya Vegan como minha companheira! E a partir de hoje, ela está banida da matilha e de todo o meu território! No segundo em que ele proferiu aquelas palavras de modo solene e frio, uma dor dilacerante, excruciante, rasgou o meu peito profundamente. Era a dor física e espiritual do vínculo sagrado sendo desfeito. . Meu lobo interior se encolheu em um ganido mudo., embora todos achassem que eu não o tinha .Caleb, no entanto, sequer piscou; manteve a mesma postura inabalável e a mesma expressão cruel. — Mesmo sendo uma traidora golpista da pior espécie, serei piedoso — continuou ele, o tom gélido escorrendo desdém. — Faça suas malas e suma daqui. Tente refazer sua vida em outra matilha que a aceite. Quem sabe, se usar da sua beleza e dos mesmos truques de sedução que usou comigo, consiga encontrar alguém que a queira... mesmo tendo me servido por dois anos e não sendo mais pura. Com um gesto displicente, ele pegou um saco pesado de moedas de ouro da mão de um dos seus guardas e estendeu para mim, jogando-o aos meus pés. — Considere um pagamento por serviços prestados. Afinal, você sempre foi muito boa em dar prazer ao seu Alfa e tão insaciável quanto eu, lobinha e eu costumo ser muito generoso com quem me deixa satisfeito. A dor que me sufocava transformou -se , naquele exato segundo, em algo duro , ardente e perigoso: ódio. Uma fúria ancestral lavou a humilhação do meu peito. Com as lágrimas ainda descendo quentes, levantei o rosto, encarei-o nos olhos e dei um tapa violento no saco de moedas, fazendo o ouro voar pelo salão e se espalhar com um tilintar metálico sob os pés dos nobres. — Eu não preciso do seu dinheiro sujo! — declarei, minha voz projetando-se firme, ecoando no silêncio que se fez. — Afinal, se eu te servi, você também me serviu. Então eu quero que você fique com o dinheiro... por serviços prestados! Ergui-me do chão com a pouca dignidade que me restava, pronta para dar as costas e caminhar para bem longe dele e de toda aquela corja que ele liberava . Mas Caleb, com o orgulho terrivelmente ferido diante de todos, me agarrou pelo braço com uma fúria desmedida. Seus olhos cor de âmbar queimavam, ele ficou tanto tempo com os olhos fixo em meus lábios , que por um segundo, cheguei a pensar que ele fosse me beijar , um beijo punitivo e bruto na frente da matilha, não o beijo apaixonado que costumava me dar nos momentos de paixão que compartilharmos. Mas ele prendeu meu corpo contra o corpo grande e musculoso dele, passeou os olhos pelo meu rosto e desceu pelo meu corpo com uma insolência crua e um desejo bruto que sua raiva não conseguia esconder. Ele arfou contra a minha boca, travado na própria luxúria, até que me empurrou para longe com violência. — Saia da minha frente antes que eu decida mandar acabar com você por seu desacato , sua ômega insolente. Não olhei para trás. Corri. Corri para fora daquela mansão, para fora daquele território, segurando a barriga onde a única realidade que valia a pena estava se formando. Enquanto a chuva da noite começava a lavar as lágrimas do meu rosto, um juramento ecoou no fundo da minha alma: um dia, Caleb Crescent... eu vou fazer você e cada um dessa maldita matilha , ficar de joelhos, por cada humilhação e cada insulto que me fizeram.A noite caiu densa e fria sobre o território da Matilha Eclipse Negro. No silêncio do corredor principal, caminhei a passos silenciosos até o quarto de Brian. Abri a porta devagar, com o cuidado de não fazer o menor ruído, e espiei para o interior do cômodo banhado pela iluminação suave de um abajur. Leila estava sentada na poltrona , lendo um livro e ao mesmo tempo sempre atenta , velando o sono do meu filho. Brian dormia tranquilamente na sua cama, agarrado ao urso de pelúcia, com o peito subindo e descendo num ritmo calmo e cadenciado. A respiração suave do meu pequeno me trouxe um alívio momentâneo no meio de tanta tempestade. Troquei um aceno silencioso com Leila, certificando-me de que a segurança e o conforto dele estavam garantidos, antes de fechar a porta novamente. No pátio dos fundos da mansão, os motores de vários veículos rugiam baixinho na escuridão. Os soldados de elite da Eclipse Negro se ajustavam em suas posições, armados e prontos para a missão. Alex estava para
Alex levantou-se do sofá, tirou um maço do bolso e acendeu um cigarro, soltando uma fumaça densa que subiu devagar pelo quarto. Ele começou a andar de um lado para o outro com passos firmes, refletindo em silêncio. Em seguida, guardou o maço, colocou as mãos nos bolsos da calça e parou na minha frente, encarando-me com uma expressão sombria e absolutamente determinada. — Eu vou invadir uma das principais empresas do Caleb no próprio território dele — declarou ele, a voz fria. — Vou colocar fogo em tudo o que vir pela frente. Arregalei os olhos, ajeitando-me na cama. — Alex, mas isso é muito perigoso! — alertei, preocupada. — Tem pessoas inocentes trabalhando para ele lá, tanto lobisomens , como humanos que não fazem parte do nosso meio , Lembra que combinamos de não ferir nenhum inocente no nosso acordo? — Eu não vou machucar nenhum inocente — garantiu Alex, dando uma tragada lenta antes de continuar. — Apenas os seguranças... Ou melhor, os capangas dele que certamente
MAYA Assim que Caleb e Viviam saíram portão afora, eu me permiti respirar fundo e desfazer a armadura blindada que vesti para lidar com eles , principalmente com o Caleb. O ódio queimava dentro de mim como uma brasa acesa, consumindo cada pedaço do meu peito. Aquele desgraçado me acusou de traição quando foi ele quem me traiu. Traiu o meu amor e tudo o que vivemos quando me tratou como lixo e me expulsou da sua vida e da sua matilha. Pior do que isso: ele mandou me matar sabendo que eu carregava o filho dele no ventre. Claro que na época, mesmo depois de tudo o que ele me fez, eu ainda queria acreditar que ele não sabia do bebê. Mas é claro que ele sabia. Assim como eu, o meu filho era para ele apenas um motivo de vergonha ,alguém que ele nem sequer deveria permitir nascer. — Aposto que está pensando no desgraçado do meu meio-irmão... e, mais do que isso, você está muito mexida ao revê-lo depois de tantos anos. Acertei? — perguntou Alex, adentrando o meu quarto. Na verdade, nem
—Bem , eu quero dizer ...que do jeito que ela era... uma ômega fraca que sequer conseguia se transformar, é provável que tenha morrido atacada por lobos bem mais fortes que ela naquela mesma noite e ... — Ela não morreu, Marcos! — disse, afastando-me d e soltando o colarinho dele. Caminhei até a janela quebrada, tentando domar a fúria que queimava em minhas entranhas ao lembrar que fui eu quem a jogou nos braços daquele bastardo. Eu acreditei na acusação falsa de que ela havia me drogado para me seduzir, e a expulsei da minha vida e do meu território sem piedade. — A Maya está viva. E, diga-se de passagem, muito viva... e mais linda do que nunca. E não é só isso: ela tem um filho, e eu tenho quase certeza de que ele é meu. — Como assim? — Marcos franziu o cenho, pego de surpresa. — Como uma ômega insignificante e fraca como ela sobreviveu a... Antes que ele pudesse terminar de proferir aquelas palavras, meu lobo tomou o controle. Em um fração de segundo, avancei. Minha mão
CALEB O silêncio dentro do Rolls-Royce da Matilha Lua Vermelha era sufocante. Acelerando pela rodovia privada que dividia os territórios, eu cravava as mãos no volante com tanta força que as articulações dos meus dedos permaneciam brancas. O meu peito subia e descia em arfadas descontroladas. O meu lobo interior, ensandecido de raiva, urrava por sangue, exigindo a fêmea e o filhote. Ao meu lado, Viviam tentava ajeitar o vestido amassado, com os dedos trêmulos tocando as marcas roxas que as garras de Maya haviam deixado em seu pescoço. O rosto dela estava pálido e deformado pelo ódio. — Aquela vadia desgraçada! — esganiçou-se Viviam. — Você viu o que ela fez, Caleb? Ela quase me matou! E o Alex... aquele bastardo ousou nos ameaçar ! Nós precisamos convocar o nosso exército e varrer a Eclipse Negro do mapa! Eu não disse uma única palavra. Afundei o pé no acelerador, fazendo o Rolls-Royce rasgar a noite, enquanto as palavras de Maya e o deboche de Alex ecoavam na minha
Eu a teria matado ali mesmo, se Alex não tivesse se aproximado devagar. Ele caminhou com calma, colocou a mão grande e firme sobre o meu ombro e falou com a voz suave, mas carregada de uma autoridade serena: — Não vale a pena sujar as suas mãos com um lixo como ela, minha rainha. Ao invés de morrer, ela tem que ficar viva... muito viva, para ver você cada vez mais linda, soberana e poderosa ao meu lado. As palavras dele agiram como um bálsamo na minha raiva cega. Só nessa hora é que os meus olhos, que faiscavam em um tom selvagem e perigoso, voltaram ao seu tom verde natural. Eu afrouxei o aperto e a soltei de uma vez. Viviam desabou no chão de mármore, tossindo descontroladamente, segurando a garganta marcada pelas minhas garras enquanto tentava recuperar o ar. — Você tem razão, Alex — declarei, limpando a poeira invisível dos meus vestidos com uma elegância assustadora. — Nem ela e nem o Alfa Crescent merecem que sejamos nossas mão com eles .. E eu quero muito que ela viva b







