LOGINMagnus apoiou lentamente as costas na cadeira.— Interessante.A palavra saiu baixa.Evelyn não sabia se aquilo era bom.Provavelmente não.O comandante de têmporas grisalhas falou:— Majestade, permita que os guardas retirem essa mulher.Evelyn registrou a voz.Controlada.Autoritária.O rei não respondeu.O homem prosseguiu:— Ela ultrapassou a segurança interna. Isso não pode ser ignorado.Um dos guardas já segurava o braço de Evelyn.Outro veio pelo lado.Ela não resistiu.Não seria idiota a esse ponto.— Levante — ordenou um deles.Evelyn ficou de pé.O salão pareceu ainda maior.Todos a observavam.O homem do uniforme voltou-se para ela.— Como entrou?Evelyn analisou a pergunta.— Pela porta.Alguns homens tiveram o bom senso de esconder o sorriso.O comandante não.— Não brinque comigo.— Não estou brincando.O guarda apertou o braço dela.— Responda.Evelyn olhou para Magnus.Não para o oficial.— Vim falar com o rei.— E acha que isso lhe dá direito de invadir uma reunião do
Uma empregada surgiu carregando uma pilha de toalhas.Jovem.Talvez vinte anos.Evelyn acompanhou com o olhar.A garota percebeu.— O quê?— Preciso chegar ao salão principal.A criada olhou para as roupas dela.Depois para o rosto.— Então está muito perdida.— Percebi.— É mensageira?— Algo parecido.— De quem?Evelyn sorriu de leve.— Isso complica.— Então não.A moça tentou passar.Evelyn mostrou uma moeda entre os dedos.Ela parou.Olhou para a moeda.Depois para Evelyn.— Não.Evelyn mostrou outra.A criada apertou os lábios.— Não posso levar desconhecidos até a ala real.Terceira moeda.A garota olhou para os dois lados.— Você quer morrer?— Hoje não.— Se me pegarem, perco meu trabalho.Evelyn colocou as moedas discretamente sobre as toalhas.— Então não deixe pegarem.A criada olhou para elas.Longamente.Depois suspirou.— Eu odeio gente como você.— Ainda nem me conhece.— Exatamente.Guardou as moedas no bolso.— Venha.Evelyn acompanhou.— Se alguém perguntar, você es
Evelyn descobriu antes mesmo de chegar aos portões que conseguir uma audiência com um rei sem possuir nome, Casa ou título era exatamente tão difícil quanto imaginara.Talvez mais.O castelo de Asterion erguia-se acima da parte mais antiga da cidade, cercado por muralhas de pedra clara e torres altas o bastante para serem vistas muito antes que alguém alcançasse a praça principal. Bandeiras com o símbolo da Coroa pendiam dos parapeitos, movendo-se preguiçosamente sob o vento da manhã.Evelyn parou do outro lado da rua.Observou.Entradas.Guardas.Carroças de serviço.Criados.Mensageiros.Nobres entrando por um portão lateral com documentos nas mãos e roupas que anunciavam a importância deles antes mesmo que precisassem abrir a boca.Ela olhou para si.Calça de couro.Botas de viagem.Camisa comprida.Capa escura.Cabelo curto.Nenhuma joia.Nenhum brasão.Nenhuma comitiva.Perfeito.Parecia exatamente alguém que não deveria estar ali.— Ótimo — murmurou.Vlaus teria adorado ver aqui
Poderia mandar desmontar tudo ao anoitecer.Poderia obedecer.Levar Orven.Maura.As crianças.Os feridos.Voltar para a estrada.Encontrar outro reino.Outra margem.Outro homem com documento dizendo que não podiam permanecer.Talvez fosse a escolha segura.Também poderia desafiar Magnus Arden.Ficar.Esperar os soldados.Transformar aquela terra desejada em campo de batalha.Isso seria orgulho.E ela já perdera gente demais para alimentar orgulho.Não queria nenhuma das duas opções.Vlaus afastou-se da mesa e sentou.— Você já decidiu que vai fazer alguma coisa idiota.Evelyn lançou um olhar.— Você me conhece há pouco tempo para falar assim.— Tempo suficiente.— Não vou atacar Asterion.— Fico aliviado.— Nem desafiar o rei sem saber o que ele sabe.Vlaus ficou mais sério.— Então?Evelyn pegou a ordem.Leu de novo.As palavras não mudaram.Desocupação.Prazo.Força em caso de resistência.Magnus Arden.Ela dobrou.Uma vez.Duas.Guardou.— Preciso pensar.Darek abriu a boca.Evel
A tenda de Vlaus ficou pequena para todos.Vlaus.Evelyn.Darek.Três batedores.Dois homens responsáveis pelas defesas.Uma mulher que coordenava alimentos e retirada das crianças.O mapa estava aberto de novo.Sobre ele, Evelyn colocou o documento real.Ao lado, a faixa escura.Três coisas.Três problemas.Vlaus observou.— Agora temos uma ordem de verdade.— Sim.Darek não escondia a raiva.— De um rei que nem sabe quem somos.Evelyn respondeu sem olhar para ele:— Isso não torna a ordem falsa.— Torna injusta.— São coisas diferentes.Darek bateu a palma na mesa.— Então vamos obedecer?Ninguém respondeu imediatamente.Evelyn passou o dedo pela assinatura de Magnus.A tinta era escura.Firme.Um rei assinara aquilo.Não um general.Não um oficial tentando assustá-los.O rei.— Se ficarmos depois do prazo — disse Vlaus —, deixamos de ser apenas um acampamento inconveniente.Um dos batedores completou:— Viramos inimigos da Coroa.— Exato.Darek soltou uma risada amarga.— Já nos tr
O acampamento ainda carregava marcas da batalha quando os cavaleiros apareceram.Uma das tendas permanecia inclinada, sustentada por uma corda nova. Havia sangue seco perto da linha onde os soldados de Asterion tinham rompido a primeira defesa. Duas flechas quebradas continuavam enterradas numa carroça, porque ninguém tivera tempo de retirá-las. Mais ao fundo, Maura discutia com um homem ferido que insistia em levantar antes de o corte na coxa fechar.A vida, porém, já havia retomado o próprio ritmo.Martelos batiam.Panelas fumegavam.Crianças corriam outra vez entre as carroças, ainda que sob vigilância mais próxima.Os guerreiros treinavam.Evelyn estava ajoelhada diante da mesa improvisada ao ar livre, com o mapa tomado dos soldados aberto à sua frente.A faixa escura repousava sobre uma das extremidades para impedir que o vento enrolasse o papel.Ela passara boa parte da manhã olhando para aquelas linhas.Rotas.Datas.Pontos de parada.A margem do rio.Sempre a margem.Vlaus est







