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CAPÍTULO 53 — SUBORNOS

last update publish date: 2026-09-24 03:59:55

Evelyn descobriu antes mesmo de chegar aos portões que conseguir uma audiência com um rei sem possuir nome, Casa ou título era exatamente tão difícil quanto imaginara.

Talvez mais.

O castelo de Asterion erguia-se acima da parte mais antiga da cidade, cercado por muralhas de pedra clara e torres altas o bastante para serem vistas muito antes que alguém alcançasse a praça principal. Bandeiras com o símbolo da Coroa pendiam dos parapeitos, movendo-se preguiçosamente sob o vento da manhã.

Evelyn pa
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    A resposta mudou tudo.Evelyn aproximou-se.— Não estou mandando vocês para longe porque acho que são inúteis.Ela olhou para Maura.Depois para ele.— Estou mandando porque, se alguma coisa der errado, aquelas crianças precisam de alguém que não perca a cabeça.Orven olhou para a pá.— Então posso levar.Evelyn fechou os olhos.Maura soltou uma risada.— Deixa.— Ele vai acertar alguém por acidente.— Se estiver tentando entrar na caverna, melhor ainda.Evelyn desistiu.— Leva a maldita pá.Orven abriu um sorriso satisfeito.— Sabia que você acabaria entendendo.Maura não acompanhou o humor.Continuou olhando para Evelyn.— Você vai para onde?Evelyn não mentiu.— Castelo.As rugas ao redor dos olhos de Maura ficaram mais profundas.— Claro que vai.— Preciso—— Não quero explicação.Evelyn ficou quieta.Maura se aproximou.Segurou seu rosto com ambas as mãos.O gesto foi tão maternal que, por um segundo, Evelyn deixou de ser a mulher coordenando três frentes de guerra.Voltou a ser

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    Darek apontou para o acampamento.— Então as carroças ficam?— Todas.Ele começou a sorrir.Não de humor.— Ah.Vlaus percebeu.— Agora entendeu.— Eles entram achando que está todo mundo aqui.— Sim.Darek aproximou-se do mapa.— E encontram quem?Evelyn respondeu:— Nós.O sorriso dele aumentou.— Melhorando.A mulher das provisões não parecia tão feliz.— Quantos homens ficam com os vulneráveis?Evelyn respondeu antes que Vlaus pudesse.— O suficiente.Darek olhou.— Isso enfraquece nossa linha.— Não me importa.A resposta veio dura.— Se alguém descobrir a caverna, quero aquela entrada defendida até o último homem.A mulher assentiu.Vlaus não contestou.— Ninguém escondido lá será sacrificado para melhorar nossas chances aqui.Evelyn olhou para todos.— Entendido?Um a um, assentiram.Só então Vlaus voltou ao acampamento.— O restante fica.Ele apontou para pontos entre as carroças.— Arqueiros aqui e aqui. Dois grupos atrás das tendas maiores. Ninguém reage quando os primeiros

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    Evelyn só diminuiu o ritmo quando as primeiras carroças do acampamento apareceram entre as árvores.O peito ardia.As pernas protestavam depois de quilômetros percorridos quase sem pausa, mas ela continuou.Não havia tempo para cansaço.Não havia três dias.Não havia sequer uma noite inteira.Um dos homens que vigiava a entrada da clareira a reconheceu e imediatamente saiu de trás de uma árvore.— Evelyn?Ela passou por ele.— Vlaus.O homem percebeu o tom e não fez outra pergunta.— Está perto da tenda principal.Evelyn atravessou o acampamento.Pessoas olhavam.Algumas tentaram chamá-la.Ela não parou.A ordem real continuava escondida junto ao corpo, e as palavras que ouvira no castelo ainda martelavam sua cabeça.Hoje à noite.Colocaremos a culpa nos renegados.Amanhã Asterion terá um novo rei.E, pior:Estão no lugar errado na hora certa.Quando entrou na tenda, Vlaus estava diante da mesa improvisada, inclinado sobre o mesmo mapa tomado dos soldados. Darek ocupava um banco mais

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    Ela continuou antes que parecesse afronta:— Não porque desprezamos a sua. Muitos entre nós já serviram reis, Alphas, Casas e chefes. Alguns deram anos. Sangue. Família.Sua voz ficou mais baixa.— E quase todos saíram dessas histórias carregando alguma cicatriz.Magnus ouviu.— Somos livres porque foi a única coisa que sobrou quando tiraram o resto.Evelyn olhou para ele.— Só queremos terra suficiente para construir um lar e saber que, depois de levantar paredes, plantar árvores e enterrar nossos mortos, ninguém aparecerá dizendo que precisamos desmontar tudo porque deixamos de ser convenientes.O silêncio entre eles ficou pesado.Magnus não parecia mais irritado.Também não parecia convencido.Talvez isso fosse pior.— E se eu disser que não?Evelyn não hesitou.— Então eu saio desta sala sabendo que perguntei.O velho rei ficou olhando.Longamente.Então voltou para a cadeira.Sentou.Parecia mais cansado.— Três dias.Evelyn permaneceu imóvel.— A ordem dizia amanhã.— Estou lhe

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    — Asterion não vende território para grupos armados sem lealdade à Coroa.— Então venda para mim.— E qual é sua lealdade?Evelyn ficou em silêncio.Magnus assentiu como se tivesse recebido a resposta.— Exatamente.— Não vim oferecer lealdade.— Veio pedir uma parte do meu reino.— Vim oferecer pagamento por uma parte de terra que sua Coroa considera problemática e que quase ninguém deseja ocupar.— Continua sendo Asterion.— Não disse que deixaria de ser.A resposta o fez parar.Evelyn se aproximou um passo da mesa.— Não quero fundar um reino dentro do seu. Não quero tropas contra você. Não quero imposto de aldeias que já pertencem à Coroa. Quero escritura. Limites reconhecidos. Direito de permanecer.Magnus ficou imóvel.— E dentro desses limites?— Minha gente vive.— Sob quais leis?— As nossas.Agora o rosto dele se fechou completamente.— Então quer exatamente o que acabou de negar.— Não.— Quer uma região dentro de Asterion onde a palavra da Coroa não valha.— Quero uma regi

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    A porta pesada terminou de se fechar.O último ruído dos homens deixando o salão desapareceu pelo corredor, e Evelyn ficou sozinha diante de Magnus Arden.O silêncio que restou era diferente daquele que existira quando a sala estava cheia.Antes havia curiosidade, desconfiança, hostilidade, dezenas de olhos tentando decidir o que ela era.Agora havia apenas os olhos do rei.E, de alguma forma, eram piores.Magnus continuou sentado no extremo da longa mesa, observando-a como se ainda esperasse encontrar alguma coisa que todos os seus sentidos diziam que deveria estar ali.Evelyn permaneceu de pé.Não se curvou novamente.Já havia feito isso uma vez.Era suficiente.O rei respirou fundo.Outra vez.Aquele movimento discreto não passou despercebido.— Aproxime-se.Evelyn obedeceu.Devagar.Não por medo.Porque estava dentro do castelo dele, diante da autoridade dele, cercada por guardas que bastaria uma ordem para trazer de volta.Coragem não exigia estupidez.Parou a alguns passos da me

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