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Capítulo 2

Author: Cocojam
Eu me sentia completamente esgotada.

Silas, o curandeiro, retirava os estilhaços de prata das minhas costas com uma pinça. A cada fragmento removido, uma nova corrente de sangue jorrava.

— Aguente firme, Srta. Vance. — Disse ele, coberto de suor. — Você tem que ficar acordada.

Mordi com força uma gaze dobrada. Engoli todos os meus gritos.

Grandes doses de sangue foram despejadas à força pela minha garganta. O gosto metálico me fez ter ânsia de vômito.

Lucius permanecia ao lado da mesa de operação.

Nos olhos daquele tirano absoluto havia uma rara expressão de inquietação.

— Sobreviva, e eu juro que terá tudo o que merece. — Sua voz era baixa. — A criança que você carrega será protegida pela minha linhagem ancestral. Já mandei chamar Julian. Aguente firme.

Pálida como um fantasma, consegui esboçar um sorriso fraco.

Proteção?

Tarde demais.

O sangue quente escorrendo entre minhas pernas levou embora meu último fio de esperança.

Eu sabia perfeitamente.

Aquele bebê precisava de energia vital pura para sobreviver.

E ele já estava morto dentro de mim.

Eu também sabia que seu pai, Julian, jamais apareceria.

No instante seguinte, as portas foram escancaradas.

O guarda enviado para buscar Julian entrou cambaleando. Estava encharcado de suor frio.

— Onde está Julian? — Lucius lançou-lhe um olhar mortal.

O guarda caiu de joelhos, tremendo.

— Progenitor... o Capitão Julian se recusou a voltar.

O ar pareceu congelar.

— Repita exatamente o que ele disse. Palavra por palavra. — A voz de Lucius era puro gelo.

O guarda engoliu em seco antes de responder, gaguejando:

— O Capitão ficou aflito no início. Mas depois disse... que fingir um ferimento era um truque barato. Com a capacidade de regeneração da senhora, seria impossível ela estar ferida, a menos que tivesse recebido um impacto direto de prata.

— Ele também disse... para avisar à senhora que parasse de fingir fraqueza por ciúmes só para chamar a atenção dele. Lilah está em perigo no baile e precisa de proteção...

O guarda continuava com a cabeça abaixada. O suor frio escorria por sua testa.

Eu sabia que as palavras de Julian tinham sido muito mais cruéis.

O guarda apenas não ousava repeti-las exatamente como foram ditas.

Afinal, Lilah já manchava meu nome havia muito tempo.

E, agora, a insegurança profundamente enraizada de Julian o fazia acreditar firmemente que toda a minha dor não passava de uma encenação para chamar sua atenção.

Na minha vida passada, quando implorei para que ele me poupasse, ele me acusou de cobiçar poder.

Disse que eu nunca o havia amado.

Agora, quando o próprio Progenitor ordenava que ele voltasse para salvar minha vida, ele me acusava de uma farsa.

Se Lilah era tudo o que importava para ele...

Então por que me perseguiu incansavelmente naquela época?

Por que me obrigou a aceitar esse maldito vínculo de companheiros?!

Uma tristeza avassaladora e uma fúria intensa se retorceram em meu peito como uma faca, despedaçando meu coração.

Virei o rosto e vomitei um enorme jorro de sangue negro.

— Droga! — Silas gritou, desesperado. — O veneno da prata está destruindo o coração dela! Ela perdeu completamente o ânimo de vida!

Os olhos do Progenitor fixaram-se em meu rosto pálido.

O antigo rei dos vampiros estava absolutamente furioso.

Ele arrancou o anel negro de osso de seu dedo — o maior símbolo de autoridade — e o arremessou com força contra o rosto do guarda, abrindo um corte sangrento.

— Pegue isto e volte imediatamente para Julian!

Os olhos de Lucius brilhavam em um vermelho sanguíneo.

— Ninguém no Sindicato ousa desrespeitar meu símbolo de autoridade. Se ele se atrever a recusar outra vez... retirem seu status de herdeiro e seu posto de Capitão! Executem-no imediatamente por traição!

Desta vez, o Progenitor estava realmente enfurecido.

Normalmente, ele era protegido por uma guarda rigorosa.

Mas, naquele momento crítico, nenhum guarda de elite estava ao seu lado.

Eu havia arriscado minha vida para salvá-lo, e ele sequer conseguia fazer meu companheiro aparecer.

Aquilo era um tapa na cara de sua autoridade suprema.

O guarda levantou às pressas e saiu correndo.

Fui rapidamente transferida para a ala particular do Sindicato.

Transfusões de sangue frio escorriam lentamente para minhas veias.

Minha consciência oscilava entre o despertar e a escuridão.

Não sei quanto tempo se passou, mas, por fim, a porta se abriu.

— Progenitor Nightshade, o Capitão continua se recusando a voltar. Mas... ele enviou a serva de sangue humana da Srta. Lilah.

Forcei meus olhos a se abrirem.

Vi Ana, a serva de sangue particular de Lilah.

Ana costumava ser minha.

Na minha vida passada, Lilah a comprou.

Ana misturou secretamente uma dose letal do veneno Sangue Morto ao sangue que eu consumia todos os dias.

Isso comprometeu gravemente meu coração.

Quase apodreceu minhas veias por dentro.

Por sorte, os curandeiros do clã chegaram a tempo e sobrevivi por um triz.

Eu jamais quis perdoar aquela traidora.

Mas, justamente quando estava prestes a puni-la, Lilah apareceu.

Lembro daquele dia como se fosse ontem.

Lilah entrelaçou o braço ao de Julian e me repreendeu com uma falsa indignação.

— Como você pode ser tão irracional, Elena? — A voz de Lilah era doce de um jeito enjoativo, mas cada palavra carregava veneno. — Ana é apenas uma simples serva de sangue. Como ela conseguiria adquirir e manipular um veneno tão raro?

— Você não vai me convencer de que não armou tudo isso. Mesmo que quisesse arriscar a própria vida para reconquistar a atenção de Julian, não deveria envolver Ana nisso!

Julian olhava para Lilah com uma adoração sem limites.

Permitiu que ela colocasse toda a culpa em mim.

Então Lilah voltou-se para Julian, falando com uma voz suave e açucarada.

— Julian, por que você não deixa Ana ser minha serva pessoal? Eu jamais faria um escândalo com ela por motivos ridículos, como certas pessoas fazem.

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