LOGIN— Elena...! Olhe para mim! Por favor, olha para mim!Julian rastejou de joelhos, parando a cerca de dez passos de distância, apavorado demais para atravessar a barreira da aura da Dama do Original.Seu rosto estava coberto de lama e sangue. As feições outrora bonitas agora eram fundas e deformadas por anos de fome e humilhação.Aqueles olhos antes tão orgulhosos agora choravam lágrimas de sangue.— Elena, eu estava errado... Eu estava tão errado... — Ele pressionou a testa com força contra os paralelepípedos imundos. — Me deixe ser seu escravo mais insignificante, por favor. Pode me acorrentar do lado de fora da propriedade como um cachorro. Só me deixe ver você todos os dias...Os vampiros de alto escalão ao redor sibilaram com repulsa.O outrora intocável Capitão da Guarda agora chorava no meio da rua como um cão raivoso.Olhei para ele de cima, completamente impassível.Cinco anos, e ele continuava tão patético quanto antes.— Julian. Você ainda sente pena de si mesmo por c
Cinco anos depois.A Cidade Neutra estava completamente iluminada e fervilhando de movimento.O Baile dos Altos Vampiros, realizado apenas uma vez por século, acontecia em seu auge na mais luxuosa propriedade do Sindicato.Eu usava um vestido de veludo vermelho-escuro.Sobre meu peito repousava o brasão da Dama do Original, o símbolo supremo do poder. Eu permanecia elegantemente na varanda.Os mesmos Lordes que antes se julgavam superiores ao lado de Julian agora precisavam se curvar aos meus pés e beijar minha mão com respeito.— Minha Lady, a senhora está absolutamente deslumbrante esta noite. — Um antigo Duque fez uma profunda reverência.Assenti levemente.O sangue do Original correndo em minhas veias me concedia uma aura de autoridade absoluta a cada movimento.Naqueles cinco anos, a mulher frágil e moribunda naquele leito de hospital havia desaparecido por completo.— Certifique-se de que os relatórios fiscais do Território Oriental estejam na minha mesa depois do baile
Gritos de gelar o sangue ecoavam pelo salão do Alto Conselho.Dois Executores de elite mantinham Julian imobilizado sobre o bloco de execução.— Julian Thorne. Acusado do assassinato de um herdeiro puro-sangue e de traição. Pela lei, você está destituído do título de Capitão da Guarda e todo o seu poder será drenado.Com dois estalos nauseantes, o Grande Inquisidor arrancou as presas de Julian com as próprias mãos.Sangue negro e espesso espirrou por toda parte.O outrora arrogante Capitão convulsionou violentamente, soltando um uivo gutural de pura agonia.— Exílio para as Terras Devastadas!Eu estava na galeria mais alta, observando tudo com um olhar vazio.Lucius permanecia ao meu lado, e seu casaco preto e dourado — símbolo do poder absoluto — ainda repousava sobre meus ombros.Os guardas agarraram Julian pelos tornozelos e o arrastaram para fora do salão.Pouco antes de alcançar as portas, Julian reuniu o último resquício de força que lhe restava para virar a cabeça.Se
— Não me matem! Por favor!Ana desabou em uma poça de sangue, com as pernas dobradas em ângulos inimagináveis.Olhou em volta, completamente em pânico. Seus olhos alternavam entre o Progenitor e Julian, até que finalmente percebeu o quanto estava condenada.— Eu vou falar! Vou contar tudo! — Gritou, rastejando até os pés de Lucius. — Foi Lilah quem mandou! Ela me pagou uma fortuna para mentir e dizer que Elena estava traindo Julian!Julian ergueu a cabeça abruptamente, encarando Ana em completo descrédito.— Ela disse que, se Julian acreditasse que Elena o traiu, ela poderia ocupar o lugar dela! — Ana despejou tudo o que sabia para salvar a própria vida. — Ela também disse que, se enlouquecesse Elena, o Capitão Julian só pensaria que ela era uma esposa ciumenta e desequilibrada. O perigo no baile de máscaras também foi armado por ela! Tudo para afastar os guardas e ficar sozinha com ele!O quarto mergulhou em um silêncio congelante.Lilah empalideceu completamente e deu alguns p
A cor desapareceu do rosto de Julian.Sua mão, que segurava a estaca de prata, começou a tremer incontrolavelmente, até que a arma caiu no chão com um estrondo.A pressão esmagadora da aura de sangue puro de um Progenitor caiu sobre todos nós como uma onda colossal.— Ajoelhe-se.Lucius sequer ergueu a mão.Apenas pronunciou aquela única palavra.Os joelhos de Julian bateram violentamente contra o piso de mármore gelado.O estalo nauseante dos ossos se chocando contra a pedra ecoou por todo o quarto.— Não... isso é impossível... — Julian encarava Lucius, com os olhos arregalados de horror. — Por que o senhor está aqui? Eu não... eu não ia...— Não ia o quê? Cravar uma estaca na mulher que salvou minha vida? — Lucius caminhou lentamente até ele. — Ou não ia exibir sua estupidez diante de mim?Nesse momento, a porta foi escancarada.Silas, o curandeiro, entrou empurrando um carrinho médico.Sob um pano branco havia algo terrível.— Você quer provas, Julian? — Silas arrancou
— Confiar em Lilah? — Uma risada fraca e vazia arranhou minha garganta ressecada.Os ferimentos em minhas costas se abriram novamente. O sangue quente encharcou as bandagens, mas eu não sentia dor.— Tarde demais, Julian. — Ergui os olhos e o encarei calmamente. — Seu filho já era.Julian franziu a testa.Um pânico absoluto atravessou seus olhos.— Você enlouqueceu de vez. Está amaldiçoando o próprio filho por causa de um ciúme mesquinho?Quando o coração esfria, nem sentir raiva faz sentido.— Não é uma maldição. — Minha voz era indiferente. — Foi o atentado no salão. Estilhaços de prata envenenados atravessaram minhas costas. A prata contaminou meu sangue e chegou ao meu útero. O bebê morreu envenenado.Julian congelou.A arrogância em seu rosto começou a desmoronar.— Impossível. — Sua voz tremia. — Você já estava prestes a dar à luz. Carrega metade da minha essência. Sua força vital não é tão frágil assim.Nem me dei ao trabalho de explicar.Apenas arranquei o cobertor.







