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Capítulo 7

Author: Echo
Três dias até o fim.

Meu celular começou a vibrar de manhã e não parou mais.

Todas mensagens de Crystal em Nova York.

A primeira era uma foto dela e Andrew no saguão do hotel, se abraçando como um casal apaixonado.

A segunda era uma foto deles num restaurante estrelado pelo Michelin, com Andrew cortando o bife dela com ternura.

Vieram mais fotos, com detalhes ainda mais explícitos.

Salvei cada uma das mensagens, com o rosto sem nenhuma expressão.

Essas fotos seriam a "lembrança" perfeita para deixar para ele.

Nos dois dias seguintes, apaguei metodicamente cada rastro de mim mesma da casa.

Guardei ou destruí minhas roupas, meus livros e qualquer outra coisa que provasse que eu já havia morado ali.

Até repintei meu quarto e tirei todas as nossas fotos, deixando o espaço com uma aparência de nunca ter sido habitado.

Na tarde do último dia, liguei para minha única amiga, Maria.

— Lucia? Você parece… estranha — disse Maria, sua voz cheia de preocupação. — O que está acontecendo?

— Maria, preciso te ver — disse. — Tem algo importante que preciso te contar.

Uma hora depois, nos encontramos num café tranquilo.

Ela abriu a boca de espanto ao me ver. — Meu Deus, Lucia, você emagreceu tanto, e...

— E o quê?

— Sua aura… mudou — disse ela com uma carranca. — Você parece… mais fria. Como se fosse outra pessoa.

Tomei um gole de café. — Talvez essa sempre tenha sido a verdadeira eu.

— O que você queria me contar? — perguntou Maria, preocupada.

Tirei um celular da bolsa e coloquei na mesa na frente dela. — Se Andrew perguntar onde estou, entrega isso a ele.

— Como assim? — Maria pegou o celular. — Para onde você vai?

— Para algum lugar bem longe daqui — disse com calma. — Maria, essa pode ser a última vez que nos vemos.

— Não se preocupe. Essa é minha escolha. O celular tem as respostas que ele vai querer. Quando quiser saber o porquê, vai entender.

Me levantei e afaguei seu cabelo com carinho. — Cuida de você, Maria.

Depois de sair do café, voltei para a casa que em breve não seria mais minha.

Enquanto o sol se punha, fiquei sozinha no quintal, encarando o campo de flores-da-lua arco-íris.

Esse havia sido o começo do nosso amor, e também seria o fim.

A meia-noite se aproximava. O momento final antes que nosso vínculo de companheiros se rompesse de vez.

Acendi uma tocha e a joguei no centro do canteiro de flores.

As chamas se espalharam rapidamente, as pétalas coloridas torcendo, murchando e virando cinza no inferno de fogo.

Bem no momento em que as chamas atingiram seu auge, uma agonia lancinante disparou pela marca no meu ombro.

A dor foi mais intensa do que eu poderia ter imaginado, como um ferro em brasa arrancando a marca da minha própria alma.

— Ah—!

Um grito de dor escapou dos meus lábios enquanto eu desabava de joelhos.

Mas a agonia durou apenas alguns segundos antes de desaparecer completamente.

Em seu lugar, uma leveza sem precedentes preencheu meu corpo.

As correntes espirituais que me haviam acorrentado por cinco anos finalmente se despedaçaram.

Me levantei, lancei um último olhar para o jardim em chamas e caminhei sem olhar para trás em direção ao carro que havia estacionado perto do portão.

Pisei fundo no acelerador e dirigi em direção à liberdade.

Naquele mesmo momento, num hotel de luxo em Nova York, Andrew, envolto nos braços de Crystal, sentiu de repente uma pontada aguda no peito.

Ele se sentou na cama de um salto, apertando o coração, sentindo como se algo vital acabasse de ser arrancado da sua vida.

Tentou alcançar minha presença através do elo mental, mas não encontrou nada.

A conexão que havia sido um zumbido constante no fundo da sua mente por cinco anos… estava em silêncio.

Desaparecida.
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