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Capítulo 3

Author: Echo
— Estou bem — disse, enxugando a boca e tentando parecer apenas indisposta. — Acho que só estou exausta ultimamente.

Andrew franziu a testa, estendendo a mão para tocar minha testa. — Devo chamar o médico da alcateia? Você está pálida.

— Não — disse, afastando sua mão com gentileza. — Só preciso descansar.

Ele me ajudou cuidadosamente a voltar para o quarto, me tratando como se eu fosse uma boneca de porcelana.

— Dorme — disse Andrew, me cobrindo e depositando um suave beijo na minha testa. — Se você não estiver melhor amanhã, vamos ao hospital.

Fechei os olhos e dei um aceno cansado.

As luzes se apagaram, e o colchão afundou quando Andrew se deitou ao meu lado. Conseguia sentir seu calor e cheirar seu aroma fresco e limpo, mas tudo aquilo só me causava enjoo.

Cerca de meia hora depois, quando tinha certeza de que eu havia "dormido", Andrew saiu da cama com cuidado.

Seus movimentos eram silenciosos, claramente tentando não me acordar.

Com os olhos semicerrados, o observei caminhar até a varanda e fechar a porta de vidro.

Então, ele atendeu uma ligação.

Mesmo através do vidro, minha audição de loba captou sua voz abafada.

— Já disse para não ligar quando estou em casa. Lucia pode ouvir.

A voz dengosa de Crystal ronronou do outro lado. — Mas eu sinto sua falta... Você não está com vontade de mim?

— Acho que não te cansei o suficiente ontem à noite — Andrew soltou uma risada baixa e rouca.

Meu estômago revirou de novo, mas me forcei a continuar ouvindo.

— Claro que não. Ainda estou com fome de mais — disse Crystal, sua voz transbordando de provocação triunfante. — Mesmo lugar amanhã? Você pode me dizer o que vestir, o que quiser.

O desejo na voz de Andrew era evidente. — Quero você sem nada. Vou te vestir eu mesmo.

Eles continuaram com sua cantada explícita, cada palavra um estilhaço de vidro nas minhas entranhas.

Dez minutos depois, Andrew encerrou a ligação.

Voltou na ponta dos pés até a cama e depositou mais um beijo suave na minha testa. — Boa noite, minha esposa.

Instintivamente me afastei, virando levemente como se estivesse dormindo.

Andrew não desconfiou de nada, achando que era apenas um movimento inconsciente.

Na manhã seguinte, Andrew acordou cedo e preparou o café da manhã.

Ovos mexidos, bacon, suco de laranja espremido na hora e meu café Blue Mountain favorito.

O café da manhã perfeito do companheiro perfeito.

Foi então que a campainha tocou. Era Logan, seu beta, segurando uma discreta sacola preta.

— Chefe, as coisas que o senhor pediu — disse Logan, desviando o olhar enquanto entregava rapidamente o pacote.

Meus olhos aguçados captaram o logotipo de uma sex shop na embalagem.

Devia ser a "roupa nova" que ele havia mencionado ao telefone na noite anterior, para seu encontro com Crystal naquela tarde.

Andrew voltou para a sala de jantar como se nada tivesse acontecido, escondendo a sacola atrás das costas.

— Quem era? — perguntei com naturalidade.

— Foi o Logan, trazendo uns arquivos de trabalho — mentiu com desenvoltura. — Chato assunto da alcateia.

Assenti, sem confrontá-lo.

Comemos em silêncio. Para qualquer pessoa de fora, pareceria uma cena de harmonia doméstica.

No meio da refeição, pousei o garfo e o olhei.

— Andrew, posso te fazer uma pergunta?

— O que foi? — perguntou ele, o olhar suave.

Encarei seus olhos cinzentos e límpidos e perguntei baixinho: — Você seria capaz de me trair?

A pergunta o pegou desprevenido. Ele pousou a xícara de café e tomou minha mão.

— Por que você pergunta isso? — Sua expressão ficou séria, sincera.

— Só curiosidade — disse, mantendo uma expressão inocente. — Já faz cinco anos que somos companheiros. Você nunca se cansa de mim?

Andrew apertou minha mão com mais força, usando a outra para apontar para a marca de companheiro em seu peito.

— Me escuta, Lucia. Se eu algum dia te trair, que a Deusa da Lua me tire meu lobo e me deixe um pária sem poder. Juro pela minha vida que nunca vou te trair. Nunca vou trair nosso vínculo.

Seu juramento solene e dilacerante ecoou pela sala de jantar. Sua expressão era tão sincera, seus olhos tão verdadeiros, que se eu não soubesse a verdade, teria me emocionado até as lágrimas.

Agora, tudo que sentia era uma ironia profunda e cortante.

Apenas na noite anterior, ele havia planejado o encontro de hoje com outra mulher. Minutos atrás, havia recebido uma encomenda de brinquedos eróticos para a amante.

E agora, conseguia fazer o juramento mais sagrado à Deusa sem pestanejar.

Olhei para seu rosto bonito e mentiroso e, aos poucos, deixei um sorriso surgir.

— Tá bom. Eu acredito em você.
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