LOGIN(Ponto de vista de Lucia)Três dias depois, ao entardecer, eu estava sentada numa mesinha nos fundos da loja, estudando um texto antigo de ervanária.— Laura — disse Margot suavemente. — Você deveria ver isso.Ela ergueu seu comunicador. Um vídeo estava se espalhando viralmente pelas redes dos lobisomens.Olhei para cima e vi Andrew na cama do hospital. Conseguia sentir a vida se esvaindo dele. Cullen parecia velho e destroçado, cada palavra carregada da dor de um pai.Depois de assistir, devolvi o dispositivo calmamente para Margot. — As pessoas não morrem só porque alguém vai embora, Margot.Vê-lo uma última vez? A maior lição que havia aprendido era nunca mais comprometer meu próprio bem-estar por outra pessoa.— Nem mesmo por um companheiro predestinado? — perguntou Margot gentilmente.Balancei a cabeça. — Especialmente não por um companheiro predestinado. O amor verdadeiro deveria te tornar mais forte, não mais frágil.Foi então que o sino de vento na porta tilintou, e um
(Ponto de vista de Lucia)Nas ruas de paralelepípedos do Porto Velho de Marselha, a luz do sol se filtrava por ruelas estreitas. Uma ervanária chamada "Herbes de Lune" ficava quieta numa esquina, com maços de lavanda seca pendurados na porta.Lá dentro, o ar estava impregnado pelo aroma suave das ervas. A dona, Margot, era uma bruxa na casa dos setenta com cabelos prateados e olhos azuis profundos e penetrantes. Ela sabia que eu carregava uma história, mas nunca perguntou, simplesmente me oferecendo um emprego e um lugar para ficar.— Laura, pode ir descansar — disse Margot gentilmente.Laura era meu nome agora. Um recomeço limpo com o passado.Balancei a cabeça. — Não estou cansada, Margot. O trabalho mantém minha mente ocupada.Foi então que o comunicador sobre o balcão vibrou.Era o dispositivo que eu sempre carregava, mas nunca havia usado. Olhei para a tela piscando, uma sensação estranha no estômago. Depois de um momento de hesitação, atendi.— Alô?A voz trêmula de Andr
Uma semana depois, o mundo inteiro dos lobisomens foi abalado por um vídeo que surgiu do nada.Nele, Andrew estava sentado numa cadeira simples contra uma parede manchada.O outrora bonito e poderoso Alfa, objeto de desejo de incontáveis lobas, agora estava tão magro que era irreconhecível.Suas bochechas eram ocas, seus olhos marcados por olheiras, mas a parte mais assustadora eram seus olhos — vazios, desesperados, e faiscando com uma loucura à beira do colapso.— Sou o Alfa Andrew — disse, sua voz rouca. — Estou aqui para fazer uma confissão.Ele pausou, lutando para controlar as emoções.— Três meses atrás, fiz algo imperdoável. Traí minha Luna, minha companheira predestinada, Lucia. Eu… eu engravidei outra ômega.Cada lobo que assistia soltou um grito abafado. Um Alfa admitindo publicamente ter traído sua Luna era algo inédito.— Sei o quanto isso soa patético e vergonhoso — continuou Andrew, lágrimas brotando em seus olhos. — Sou um covarde e um mentiroso que não merece n
Às três da manhã, o luar se escoava pelas janelas da mansão vazia.Andrew estava ajoelhado no frio chão de mármore, as mãos entrelaçadas, de frente para a lua cheia.Estava tão magro que parecia um esqueleto. Seus traços outrora perfeitos agora eram assustadoramente cavados, com as maçãs do rosto salientes e os olhos fundos.Era sua sétima noite sem dormir.— Deusa da Lua… — sua voz era um sussurro rouco. — Sei que pequei… quebrei meu voto… a machuquei…Uma lágrima caiu de seus olhos secos, atingindo o chão frio.— Mas por favor… te imploro… traz ela de volta para mim… Pagarei qualquer preço… minha vida, minha alma, qualquer coisa…O corpo de Andrew começou a tremer, não de frio, mas do vazio que emanava dos próprios ossos.Depois de perder Lucia, sentia sua força vital se esvaindo. Seu lobo uivava, rugía, se debatia em desespero.Os únicos sons no quarto eram suas orações quebradas e um silêncio sufocante.Aquela mansão, outrora cheia de risos, era agora um túmulo. Os empreg
Depois da meia-noite, o distrito de rogues no sul de Seattle estava banhado pelo brilho fraco dos postes de luz.Era o submundo da cidade, um refúgio para lobos expulsos de suas alcateias. O ar cheirava a álcool barato, suor e desespero.Um SUV preto parou na frente do "Bar Lua de Prata", o lugar mais famoso do distrito.As portas se abriram, e dois homens corpulentos desceram.Eles abriram o porta-malas e arrastaram Crystal, semiconsciente.Seu caro vestido vermelho estava destruído por sangue e sujeira, o rosto manchado de lágrimas.Bum.Crystal foi jogada no concreto sujo. Tentou se levantar, mas seu corpo, agora sem sua loba, estava fraco demais para sequer ficar de pé.Os rogues que vadiavam do lado de fora do bar imediatamente se juntaram ao redor.— Meu Deus, essa é a Crystal? — uma mulher de cabelo verde gritou. — A que estava com o Alfa Andrew?— Hahaha! Olha só quem voltou! Nossa "madame" retornou! — zombou outro homem com o rosto coberto de tatuagens. — O que foi?
Andrew a soltou, jogando-a ao chão.Crystal viu sua chance. Assumiu sua usual fachada de fragilidade e começou a semear discórdia. — Admito que menti para você! Mas a Lucia nunca te amou! Se amasse, como poderia ter ido embora tão facilmente?Suas palavras morreram na garganta quando Andrew exibiu o celular, mostrando as mensagens venenosas.Linha após linha de conversas, uma foto explícita após a outra — cada palavra venenosa exposta à luz.Crystal encarou a tela, seu rosto ficando mais branco do que as paredes. Seus lábios tremeram, mas nenhuma palavra saiu.— Você realmente foi longe demais, não foi, Crystal? Fez de tudo para afastar minha companheira.— Eu… — Crystal ficou sem palavras. As provas eram irrefutáveis.— Você acha que eu vou te deixar ir assim?Andrew sorriu de repente — uma expressão gélida que a apavorou.No segundo seguinte, seu poder de Alfa a atingiu com a força de uma maré.Como Alfa supremo, Andrew possuía poderes além da imaginação, incluindo a capaci







