LOGINPermaneci de braços dados com Benício, encarando a enorme porta da mansão do seu avô. Ele estava imóvel havia tempo suficiente para que eu começasse a considerar a possibilidade de passarmos o restante da noite ali.— Você não vai bater?— Não tenho certeza de que quero.Virei o rosto para ele, surpresa. Era a primeira vez que Benício admitia tão abertamente que não estava confiante para enfrentar alguma coisa. Considerando que eu também não tinha a menor vontade de entrar naquela casa, cheguei a pensar em sugerir que voltássemos para o carro.Infelizmente, antes que eu pudesse abrir a boca, ele respirou fundo e tocou a campainha.Fomos recebidos por um funcionário que nos conduziu até o salão de recepção, onde descobri que o jantar em família tinha uma definição bastante abrangente para os padrões dos Marzani.Giulia já estava lá, conversando com duas mulheres que reconheci vagamente da festa de lançamento da Racing. Se minha memória não estivesse me traindo, eram esposas de membros
Eu precisava aprender a ficar de boca fechada.Era impressionante a minha capacidade de falar coisas que não deveria e perceber o tamanho da besteira somente depois que elas já tinham saído da minha boca. Se pretendia sobreviver àquela noite, precisava urgentemente desenvolver algum tipo de filtro entre meu cérebro e minha língua.O problema era que os Marzani pareciam espertos demais. Começava a desconfiar de que aquela família submetia suas crianças a algum treinamento especial para identificar mentiras, interpretar expressões faciais e descobrir informações escondidas nas entrelinhas das conversas. Provavelmente, enquanto as outras crianças aprendiam a andar de bicicleta, os pequenos Marzani eram ensinados a conduzir interrogatórios.E eu estava prestes a jantar com vários deles.Minha sorte era que Giulia era uma pessoa legal. Gostava dela e tinha a impressão de que, mesmo percebendo alguma coisa estranha, não tentaria me encurralar. Já Vittorio era outra história. O avô de Beníci
Acordei no domingo com a agradável descoberta de que tinha uma cama gigantesca praticamente só para mim.Praticamente porque Senhor Marzani ocupava uma parte considerável dela, dormindo de barriga para cima, com as quatro patas apontadas para o teto. Aparentemente, o quarto particular não tinham sido suficiente para convencê-lo de que deveria dormir longe de mim.Benício, por outro lado, não estava em lugar nenhum.Depois de todo aquele discurso sobre a necessidade de dividirmos o quarto para manter as aparências, ele simplesmente não tinha aparecido para dormir.Tomei banho, troquei de roupa e desci acompanhada pelo cachorro, que imediatamente reconheceu o caminho da cozinha.Encontrei Benício e Malu tomando café.— Bom dia, bela adormecida — minha irmã cumprimentou.— Bom dia, cenourinha — Benício acrescentou. — Dor
Quando saí do banho, Benício ainda não tinha voltado para o quarto.Não que eu estivesse esperando por ele.Coloquei meu pijama, sequei os cabelos e passei meus cremes com toda a tranquilidade de uma mulher que definitivamente não estava prestando atenção à porta a cada pequeno barulho vindo do jardim.Quando terminei, ainda não havia nem sinal de Benício.O problema é que eu também não estava com sono e, depois de alguns minutos encarando aquele quarto enorme sozinha, tive uma ideia melhor.Saí e fui buscar Senhor Marzani em seus aposentos. Ele estava esparramado na própria cama, cercado por brinquedos.— Quer dar uma volta?A reação imediata à palavra foi suficiente.Saímos para nossa primeira exploração noturna do apartamento. Eu já tinha feito o tour oficial, mas con
~ BENÍCIO ~Saí do quarto ainda passando a mão pelos cabelos, tentando colocá-los de volta no lugar. Repeti o movimento mais duas vezes antes de perceber o que estava fazendo e enfiar a mão no bolso. Eu tinha entrado naquela provocação para provar um ponto, só isso. Mas talvez eu não tivesse saído tão indiferente quanto pretendia parecer.Desci para o primeiro andar e fui direto para o escritório. Precisava colocar a cabeça em alguma coisa que não envolvesse uma ruiva largada na minha cama, respirando daquele jeito enquanto prendia as pernas ao redor da minha cintura.Servi uma dose razoável de uísque e me sentei à mesa. Ainda tinha algum autocontrole, afinal.Abri o notebook e soltei um suspiro diante da tela. Podia adiantar algum trabalho. Não que sábado à noite fosse exatamente o melhor momento para fazer aquilo, mas sempre havia alguma coisa esperando: relatórios da Racing, avaliações iniciais, mensagens da equipe.Fiquei alguns segundos encarando a caixa de entrada.Então abri o
— Preciso de uma bebida — murmurei.Benício levou a mão ao peito, fingindo uma expressão ofendida.— Você precisa estar bêbada pra transar comigo? Essa doeu.— É claro que não! É só que... — Passei a mão pelos cabelos, procurando uma maneira de explicar por que aquela conversa inteira estava me deixando tão nervosa. — Parece que você quer resolver sexo como se fosse um check na sua agenda. “Tentativa de engravidar a Chiara número um: check.” E não é assim.O sorriso dele diminuiu um pouco.— Eu sei que não.— Não parece. Você fala como se a gente simplesmente fosse decidir um horário, tirar a roupa e pronto. E se eu não estiver no clima?— Aí a gente não faz.A resposta veio tão imediatamente que fiquei alguns segundos sem saber o que dizer. Talvez porque tivesse me preparado para discutir e ele simplesmente tivesse concordado comigo.Ainda assim, havia uma falha naquela lógica.— E se eu não estiver no clima nunca?O canto da boca dele se ergueu.— Aí eu te deixo no clima.Revirei os







