FAZER LOGIN~ BENÍCIO ~Dez minutos.Eu tinha dado dez minutos para Chiara me responder e, durante os primeiros três, consegui permanecer sentado em uma daquelas cadeiras da recepção, olhando para a tela do celular a cada poucos segundos.No quarto, levantei. Liguei novamente. Chamou até cair.No sexto, minha perna já se movia num ritmo irritante enquanto eu encarava a porta que dava acesso ao restante do hospital, como se Chiara pudesse simplesmente aparecer por ela. No sétimo, desisti de fingir que conseguiria esperar e voltei ao balcão.— Preciso falar com alguém responsável pelo setor onde minha noiva está.A recepcionista me reconheceu imediatamente.— Como expliquei, senhor, não posso fornecer informações sem autorização da paciente.— Não estou pedindo o prontuário dela. Só quero saber o que está acontecendo.— Também não posso fornecer informações sobre o atendimento.Respirei fundo e apoiei as duas mãos no balcão.— Ela sofreu um acidente. Está grávida. Eu sou o pai da criança e não cons
~ BENÍCIO ~Acordei e levei alguns segundos para perceber que estava sozinho na cama.O lado de Chiara estava vazio, os lençóis afastados e nenhum sinal dela pelo quarto. Ergui a cabeça, olhei na direção do banheiro e encontrei a porta aberta e as luzes apagadas.Sorri, balançando a cabeça.Era muito a cara dela fugir de mim depois do que tinha acontecido no lago. Na noite anterior, ela mal conseguira olhar na minha direção durante o jantar sem ficar estranha.Tomei um banho, me vesti e desci. Quando entrei na cozinha, encontrei apenas Laura e Lucas. Roberto aparentemente já tinha saído para trabalhar.— Bom dia, querido — Laura me cumprimentou. — Senta. Tem café fresco.— Obrigado.Sentei-me à mesa e ela colocou uma xícara diante de mim, seguida por um prato com broa de milho ainda morna. Agradeci novamente e estava levando a xícara à boca quando Laura olhou para a porta atrás de mim.— A Chiara não desceu com você?— Ela não estava no quarto quando acordei. — Passei o polegar distra
— Sabe, aquele que eu estou gestando e coisa e tal... bem aqui... — Coloquei a mão sobre a barriga, caso ele precisasse de uma indicação geográfica mais precisa. — Tudo bem com ele, certo?A expressão do médico mudou.— Chiara, durante a avaliação de uma mulher em idade fértil, principalmente quando existe a possibilidade de precisarmos realizar determinados exames de imagem ou administrar algumas medicações, precisamos saber se há uma gestação. Por isso, entre os exames de sangue que solicitamos quando você chegou, foi feito também um beta-hCG. — Ele fez uma pequena pausa. — O seu resultado foi negativo. Você não está grávida, Chiara.Levei alguns segundos para assimilar aquilo que estava ouvindo.Não.Eu tinha ouvido errado. Só podia ter ouvido errado.Virei lentamente o rosto para Malu, esperando que ela estivesse com uma expressão que confirmasse minha teoria. Infelizmente, minha irmã estava com os olhos arregalados e o queixo levemente caído, o que significava que ou tínhamos des
Malu surgiu correndo pela estrada e se jogou de joelhos ao meu lado, com os olhos arregalados e uma expressão de puro pânico.— Você tá bem? Ah, meu Deus, você tá bem?— Eu tô... ai!... bem — tentei dizer enquanto ela passava as mãos pelo meu rosto, pelo cabelo e pelos meus ombros como se precisasse confirmar que todas as partes ainda estavam nos lugares certos. — Meio... quebrada.— Tá doendo? Onde dói?Mexi uma perna, depois um braço, e imediatamente me arrependi das duas coisas.— Onde... não dói, você quis dizer?— Ah, Chiara!Antes que eu pudesse tranquilizá-la (ou tentar, porque nem eu estava exatamente tranquila) ouvimos passos apressados vindo em nossa direção. Um casal apareceu logo depois. A mulher estava com as duas mãos sobre a boca, enquanto o homem parecia tão pálido que por um instante achei que talvez precisássemos decidir qual de nós seria socorrido primeiro.— Graças a Deus... — ouvi a mulher murmurar, provavelmente constatando que eu continuava viva.— Moça... moça,
E agora isso!Estávamos novamente ali, no meu quarto, deitados lado a lado como se aquela fosse a coisa mais normal do mundo.Benício estava fingindo direitinho que nada demais tinha acontecido entre nós. Claro, talvez fosse mais fácil fingir quando se estava dormindo. E ele estava. Profundamente, pelo que parecia, com a respiração lenta e regular e uma expressão tão tranquila que chegava a ser irritante.Virei um pouco o rosto no travesseiro para observá-lo.Céus, aquele homem dormindo, tão pacífico, parecia quase uma estátua grega de tão bonito. Quero dizer... salvo as proporções. Porque estátuas gregas tinham certas partes meio insignificantes e Benício tinha certas partes bem ao contrário de insignificantes.Não que eu estivesse pensando naquilo.Não que eu estivesse pensando no lago.Não que eu tivesse começado a sentir calor só de lembrar do jeito como aquele homem tinha me segurado e...Ah, merda!Afastei o lençol e saí da cama antes que meu cérebro resolvesse reproduzir a tard
Tudo bem. Era só manter a calma.Eu não tinha feito nada de errado. Éramos dois adultos, perfeitamente capazes de tomar nossas próprias decisões. Estávamos nos divertindo. Tinha sido divertido. Muito divertido, aliás, mas esse não era o ponto.O ponto era que eu não estava nervosa com aquilo.Nem estava mais pensando naquilo.Na verdade, estava seguindo minha vida normalmente.— Então, o que vocês fizeram essa tarde? — Lucas perguntou.Olhei para ele do outro lado da mesa de jantar.— Nada. Nada de nada. Nadinha mesmo.— Então... nada? — Malu perguntou.Ela estava rindo. Não exatamente com a boca, mas com os olhos. E o olhar que lançou na minha direção dizia que sabia exatamente o que aquele nada significava.Tá, talvez ela não soubesse. Não tinha como saber, tinha? Malu não possuía algum superpoder de irmã capaz de detectar quando eu transava.Embora, pensando bem, eu tivesse descoberto imediatamente quando ela disse que passaria a noite estudando com os amigos do teatro, mas na verd







