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O FIM

last update Data de publicação: 2026-07-14 08:27:18

Dois meses depois.

Helena havia se mudado para um apartamento longe de sua antiga casa depois que Ricardo pediu o divórcio.

Estava morando sozinha, tentando se recompor depois de tudo o que viveu.

Havia aprendido a sobreviver. Não mais a viver, apenas sobreviver.

Existir de forma funcional o suficiente para que ninguém percebesse que algo dentro dela havia sido completamente destruído.

Dentro da editora Mode, a postura se mantinha a mesma, sempre firme, séria, tentando ao máximo ser forte.

Suas vestes continuavam sendo as mesmas, clássicas e modestas. Apesar de ser uma editora de moda, Helena não gostava de chamar a atenção.

Ninguém ali diria que ela havia encontrado o marido na própria cama com outra mulher.

Ninguém imaginaria o som daquela porta se fechando.

Nem o vazio que ficou depois.

Seu foco agora era única e exclusivamente para seu trabalho, seu coração havia se fechado e ela não acreditava que seria feliz novamente.

E assim, mais um dia ela se dedicou a Mode.

Helena entrou na sala de reuniões sem hesitar, colocando a pasta sobre a mesa.

— Vamos começar.

As vozes ao redor cessaram imediatamente.

Ela conduziu a reunião como sempre fazia: precisa, objetiva, impecável.

A Mode era seu refúgio, uma editora de moda responsável por publicações que cobrem tendências, editoriais, alta costura e notícias do mercado de luxo e beleza.

Helena havia se tornado editora chefe somente há dois anos, depois que a empresa foi comprada por alguém que ela nunca conheceu pessoalmente.

E por todo o seu empenho, foi nomeada chefe, pois sua postura era perfeita, sem falhas, sem muitas emoções, sem espaço para fraqueza.

Quando a reunião terminou, as pessoas começaram a sair, uma a uma, deixando apenas o eco das cadeiras sendo arrastadas.

Helena permaneceu sentada por alguns segundos sozinha, e por um instante sua mente voltou para o passado.

Os lençóis bagunçados. A voz de Ricardo tão taxativa:

“Eu procurei o que você não pode me dar.”

Seu estômago revirou.

Helena fechou os olhos com força.

Não, não ali, não agora.

Ela se levantou rapidamente, pegando seus documentos e saindo da sala antes que a memória se tornasse mais forte do que o seu autocontrole.

O escritório parecia mais frio naquele dia. Ou talvez fosse apenas ela. Tentando se manter em pé.

Helena entrou em sua sala e fechou a porta atrás de si. Apoiando as mãos na mesa, respirou fundo sentindo o ar gelado daquela manhã.

— Você vai ficar bem Helena. Tudo vai passar. De tempo ao tempo e tudo vai se ajeitar.

As palavras saíram automaticamente de sua boca. Como se a razão falasse ao seu coração.

Uma batida leve na porta interrompeu o momento.

— Pode entrar.

Alice apareceu, cautelosa.

— Helena… o advogado ligou. Os papéis do divórcio estão prontos. Ele quer saber se você pode ir hoje.

O coração dela falhou por um segundo.

Era isso.

O fim oficial.

Helena assentiu, sem demonstrar.

— Marque para o fim da tarde, por favor Alice.

Alice hesitou. Parada na porta, olhava para sua chefe.

— Tem certeza?

Helena a encarou.

E, por trás do olhar firme, havia algo quebrado.

— Quanto mais rápido resolvermos isso, melhor.

Alice assentiu e saiu.

Helena ficou sozinha novamente com seus pensamentos e lembranças. No fundo ela tinha a esperança de Ricardo desistir do divórcio e reatar o casamento, afinal foram oito anos de casamento.

Muitas coisas foram construídas, uma empresa reerguida e uma fortuna adquirida através de seus esforços e conhecimentos.

Mas isso não aconteceu.

O escritório do advogado era no centro da cidade, um prédio comercial imponente e glamuroso. Mas dentro era silencioso demais. Organizado demais. Impessoal e frio.

Como combinado, no fim da tarde ela estava lá.

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Último capítulo

  • SEGREDOS E OBSESSÃO    CONVITES E CONVOCAÇÕES

    A claridade suave da manhã invadia a suíte, desenhando sombras delicadas sobre o lençol. Ao se espreguiçar devagar, Lucas percebeu que Helena já estava desperta, o olhar fixo no teto em uma contemplação silenciosa. Com um movimento lento e envolvente, ele a puxou mais para perto, colando o peito quente às costas dela e depositando um beijo demorado na curva macia de sua nuca.— Bom dia... — murmurou ele, a voz rouca carregada de um carinho manhoso.— Bom dia — respondeu ela, ajustando-se ao abraço. — Dormiu bem?— Eu sim... mas pelo jeito, você não dormiu quase nada — observou ele, desfazendo sutilmente o abraço para que ela pudesse se virar.Helena girou o corpo na cama, ficando de frente para ele, sustentando aquele olhar âmbar que sempre a desarmava.— Dormi sim, mas tive um sono leve. Nada de mais — respondeu de forma calma, esboçando um sorriso contido. — Toma café comigo antes de sair?Lucas a beijou suavemente nos lábios, prolongando o toque antes de se afastar um centímetro.—

  • SEGREDOS E OBSESSÃO    AVISO

    A volta para casa transcorreu em um silêncio denso. Lucas mantinha as mãos firmes no volante, lançando olhares de relance para o banco do carona enquanto cruzava as avenidas iluminadas. Dentro do carro, a penumbra  suavizava os contornos do rosto dela, mas não conseguia camuflar a melancolia que pesava sobre seus ombros.Ela travava uma batalha interna. Não queria mais se permitir sofrer por aquela história vencida, mas o veneno das palavras de Ricardo ainda a atormentava. Como pôde, um dia, ter amado tanto aquele homem? Como poderia ter se doado com tanta intensidade e admirado alguém que, no fundo, provava não valer nada? A sensação de ter rasgado anos da própria vida diante de tamanha pequenez moral era uma ferida difícil de fechar.No elevador do prédio, o isolamento do espaço pequeno pareceu estreitar a cumplicidade entre os dois. Lucas envolveu-a em um abraço silencioso, acolhendo-a contra seu peito em um gesto de puro conforto.

  • SEGREDOS E OBSESSÃO    NAO PERMITIREI

    Ao fim daquela tarde, Helena retornou ao seu apartamento ainda absorvendo os resquícios da resposta ríspida recebida da diretoria sobre o Grupo Ferraz. O que provava que o novo dono não queria ninguém de fora em sua empresa. Não demorou para que a notificação de seu celular acendesse com uma breve mensagem de Lucas: "A noite está bonita demais para ficarmos trancados. Janta comigo hoje?". O convite simples, carregado de um romantismo sutil, trouxe um sorriso instantâneo aos seus lábios. Helena aceitou sem hesitar. O restaurante escolhido por ele ficava no topo de um edifício elegante no coração da cidade. O ambiente era sofisticado, à meia-luz, decorado com arranjos discretos e embalado pelo som suave de um piano ao fundo. Helena já não estranhava estar em um local tão elitizado ao lado dele; desde que Lucas revelara sua origem como filho de alguém influente da elite, sua postura aristocrática e a naturalidade com que tra

  • SEGREDOS E OBSESSÃO    UM NOVO INVESTIDOR

    Helena compreendeu, com uma clareza quase avassaladora, que já não possuía qualquer defesa contra o charme e a intensidade de Lucas. Naquela madrugada, a reconciliação dos dois se fez através de uma entrega profunda, envolvente e visceral. No calor daqueles lençóis, na penumbra que escondia seus medos e revelava suas fragilidades, renderam-se mais uma vez à luxúria crua, desacelerando os batimentos cardíacos apenas quando o cansaço e a satisfação absoluta finalmente os dominaram. Helena se sentia como uma jovem com os hormônios em alta e sem pudor de se entregar a Lucas. Quanto mais ela tinha dele, mais ela o queria. Quando o dia amanheceu, Lucas despertou e evitou qualquer movimento brusco na cama. Manteve-se imóvel para não despertar Helena, que dormia de forma plena e serena aninhada em seu peito, com a respiração suave roçando sua pele. Ele a contemplou por longos minutos, o olhar tomad

  • SEGREDOS E OBSESSÃO    MEIAS VERDADES

    Na penumbra acolhedora da cobertura, o silêncio era interrompido apenas pela respiração ritmada dos dois e pelo atrito suave dos dedos de Lucas acariciando as costas de Helena. No entanto, a mente dele trabalhava em ritmo acelerado. Lucas sabia que aquele abraço, por mais quente e seguro que parecesse, ainda era frágil. A sombra da dúvida continuaria a assombrá-los a menos que ele abrisse as portas do seu passado; Helena jamais confiaria nele de forma plena se continuasse no escuro.Com a voz baixinha e carregada de uma gravidade incomum, ele quebrou o silêncio:— Existem algumas coisas sobre mim que você precisa saber... coisas que eu nunca disse a ninguém.Ao ouvir o tom dele, Helena afastou-se ligeiramente, erguendo o corpo no colo dele para olhar diretamente em seus olhos âmbar.— Muitas coisas, Lucas — corrigiu ela com suavidade, mas firmeza. — Você sabe praticamente tudo sobre a minha vida, os meus erros e dores, mas eu n

  • SEGREDOS E OBSESSÃO    EU SOU TEU

    — Que jogo, Lucas? — a voz de Helena falhou, o tremor denunciando a tempestade interna que a corroía. — Eu não estou te entendendo!Lucas deu mais um passo, sustentando o olhar com uma firmeza soberana. A intensidade que emanava dele não era de confronto, mas de alguém que domina absolutamente cada peça do tabuleiro.— A sua mente está criando um jogo muito perigoso para te dar respostas que simplesmente não existem — rebateu ele, a voz descendo a um tom grave, aveludado e visceral. — Eu não quero o seu cargo, Helena. Eu definitivamente não preciso dele.— Então me diz! — As lágrimas finalmente transbordaram, descendo quentes pelas bochechas de Helena. A vulnerabilidade de quem já fora traída antes por Ricardo vinha à tona, crua e desarmada. — Por que você sumiu ontem? Por que fez aquilo pelas minhas costas?Os olhos de Helena brilhavam, marejados pelo acúmulo de ansiedade e pavor. Ela ansiava por respostas; precisava desesperadamente resgata

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