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O FIM II

last update publish date: 2026-07-14 08:28:12

Helena estava sentada, olhando para o papel à sua frente.

Seu nome já estava ali, só faltava a assinatura.

Ricardo estava do outro lado da mesa, impaciente e distante, como se aquilo fosse apenas mais um compromisso inconveniente.

— Assina logo, Helena.

Disse ele já alterado pela impaciência.

Ela ergueu os olhos lentamente, mirando no rosto dele.

Por um segundo, quis perguntar por quê. Quis exigir mais explicações. Quis que ele dissesse que tudo aquilo tinha sido um erro.

Mas não havia nada ali para sustentar isso.

— Não precisamos fazer isso, Ricardo. Nós podemos tentar outros meios, achar outras saídas. — disse ela com a voz baixa.

Ricardo soltou um suspiro irritado.

— Tentar o quê? Você sabe muito bem qual é o problema. Você é o problema.

Mais uma vez a acusação.

— Não sou um problema Ricardo!

— Eu quero uma família — ele cortou, frio. — Filhos. E com você… isso não vai acontecer.

— Nós poderíamos ter adotado uma criança!

— Não vou criar uma criança que não seja minha Helena.

Helena apertou a caneta.

O metal frio entre seus dedos parecia a única coisa real naquele momento.

— Há quanto tempo você está me traindo Ricardo?

Ele não respondeu, manteve sua postura altiva e esnobe.

— Eu não escolhi isso… — sussurrou — Não escolhi terminar assim.

— Mas eu escolho não continuar esse casamento fracassado — rebateu ele.

E neste momento tudo acabou de vez, qualquer dúvida ou esperança que Helena ainda carregava.

Nos papéis estavam escritos que ela havia aberto mão de tudo o que compraram e construíram juntos, por que no fundo de seu coração, ela pensava que ele iria se arrepender.

Mas agora já não havia mais esperança. Seu coração já ferido agora estava totalmente quebrado. Seu casamento havia realmente chegado ao fim.

E então Helena abaixou o olhar, e assinou o papel. O som da caneta que desenhava seu nome tornava aquilo definitivo e irreversível.

Ricardo puxou os papéis imediatamente. Sem olhar para ela.

— Era o melhor a se fazer. Ainda que tarde.

Helena não respondeu. Não havia mais o que dizer.

Ele se levantou e sem olhar para ela disse:

— Você vai ficar bem Helena. Você é quase um general. As coisas não serão tão diferentes para você a partir de agora, já que sua vida sempre foi o trabalho.

Ela soltou uma risada baixa.

— Claro! É tão fácil para você dizer isso, não foi você que foi traído.

Antes de sair, ele parou na porta, como se lembrasse de algo relevante.

— Eu espero que você entenda quando me ver com outra pessoa na rua.

Helena ergueu o olhar.

— Você ainda está com ela? Aquela garota?

Ele deu de ombros.

— Sim. Ela é jovem, bonita e espontânea. Me faz feliz e é isso o que eu quero para mim.

E então ele finalmente saiu da sala, deixando Helena totalmente quebrada, travada, ao lado do advogado.

No fim do corredor, encostado discretamente próximo à saída, Lucas Ferraz aguardava.

Óculos escuros escondendo o olhar que estava atento a tudo. Ele acompanhou cada gesto.

Ele viu Ricardo sair.

Viu a forma como ele passou direto, sem olhar para trás. Imponente e com um leve sorriso nos lábios.

E então olhou para a porta que ainda estava fechada. Para onde Helena estava.

Seus dedos que rolavam a tela do celular pararam de se mover. Seu olhar escureceu levemente. E um pensamento silencioso se formou.

— Então acabou!

Ele guardou o celular em seu bolso, endireitou o corpo e também sorriu, de forma leve, como quem ganha um presente.

Helena saiu do escritório com uma postura impecável. Salto firme, cabeça erguida, óculos escuros para que ninguém visse seus olhos vermelhos.

Como se não tivesse acabado de enterrar um casamento de oito anos.

Ela estava se controlando, controlando as emoções e sua imagem.

Ela não era fraca, nunca foi, só estava quebrada.

E isso, para ele, era o ponto mais interessante. Porque pessoas quebradas podem ser reconstruídas, do jeito certo, com a pessoa certa.

Ele tirou o celular do bolso de sua jaqueta.

Digitou uma mensagem rapidamente para o contato já salvo anteriormente.

“Acabou. Você fez muito bem o trabalho.”

Resposta rápida:

“E agora?”

Lucas sorriu.

“Agora faça o que quiser, seu pagamento já foi feito.”

Ele bloqueou o número e saiu do prédio, sem olhar para trás.

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