LOGINCAPÍTULO 5 —
O Silêncio Entre Nós O caminho até casa nunca pareceu tão longo. Lucien caminhava pelas ruas de Coverglen no mesmo ritmo de sempre, mas sua atenção se perdia em detalhes que normalmente passariam despercebidos. As vitrines das lojas refletiam sua imagem conforme passava, comerciantes recolhiam mercadorias para o fim do dia e o vento fazia as folhas secas rolarem pela calçada. Nada havia mudado na cidade. Ainda assim, ele tinha a estranha impressão de que caminhava por um lugar diferente. Em mais de uma ocasião, levou a mão até a pasta de couro pendurada no ombro. O envelope permanecia ali, guardado entre documentos do escritório, como se fosse apenas mais um papel sem importância. Mas não era. Ao chegar diante da pequena casa onde morava desde criança, parou por um instante antes de abrir o portão. A pintura branca da cerca começava a descascar em alguns pontos. Os vasos de flores que Helena cuidava com tanta dedicação continuavam alinhados perto da varanda, e a velha cadeira de balanço de Richard permanecia no mesmo lugar de sempre. Era a mesma casa. O mesmo jardim. O mesmo cheiro de comida que escapava pela janela da cozinha. Lucien respirou fundo antes de entrar. Encontrou Helena colocando a mesa para o jantar. Assim que ouviu a porta abrir, voltou-se na direção dele e sorriu com a naturalidade de todos os dias. — Chegou cedo hoje. — O movimento no escritório foi menor do que imaginávamos. Ela apenas assentiu, voltando a alinhar os pratos sobre a mesa. — Seu pai já deve estar descendo. Lucien deixou a pasta ao lado da cadeira e tirou o casaco. Observou Helena por alguns segundos. Durante toda a vida, nunca tivera motivos para enxergá-la além da mulher que o criara. Naquela tarde, porém, havia perguntas silenciosas ocupando um espaço entre os dois. Perguntas que ainda não encontravam coragem para sair de seus lábios. Então desviou o olhar. Ainda não era o momento. Primeiro, precisava ouvir o silêncio daquela casa mais uma vez. Talvez, nele, encontrasse alguma resposta que jamais havia percebido. Richard apareceu na cozinha poucos minutos depois, ainda ajustando as mangas da camisa. Cumprimentou Lucien com um leve movimento de cabeça antes de puxar a cadeira de sempre. — O trabalho foi tranquilo? — Foi. A resposta saiu quase automática. Richard serviu-se de um pouco de ensopado enquanto Helena colocava a cesta de pão no centro da mesa. — O doutor Álvaro continua fazendo você organizar aquela montanha de documentos? — perguntou ela, ocupando seu lugar. Lucien sorriu de leve. — Acho que ele acredita que ninguém conhece aqueles arquivos melhor do que eu. — Isso é um elogio, então — comentou Richard, levando a primeira colher à boca. — Imagino que seja. A conversa seguiu por assuntos simples. O preço da farinha aumentara outra vez. O telhado dos vizinhos precisaria de reparos antes do inverno. Um antigo conhecido passara pela cidade naquela manhã. Lucien participava quando era necessário, mas, em vários momentos, limitava-se a ouvir. Nunca havia reparado como Richard segurava os talheres sempre da mesma maneira. Nem que Helena tinha o costume de endireitar a toalha da mesa sempre que alguém a puxava sem perceber. Eram hábitos pequenos, repetidos durante tantos anos que pareciam fazer parte da própria casa. De repente, tudo lhe pareceu mais precioso. Ou talvez mais frágil. Em certo momento, Helena estendeu a mão para pegar a jarra de água. — Você está muito calado hoje. Lucien levantou os olhos. — Só estou cansado. Ela o observou por um instante, como se tentasse decidir se acreditava na resposta. No fim, apenas encheu o copo dele. — Então descanse um pouco depois do jantar. — Vou fazer isso. Richard limpou a boca com o guardanapo e se levantou para guardar o prato na pia. A rotina daquela casa seguia exatamente como em todas as outras noites. Cada gesto acontecia no momento esperado. Cada palavra encontrava o silêncio de sempre. Lucien percebeu que bastaria tirar o envelope da pasta e colocá-lo sobre a mesa para transformar aquela tranquilidade em algo completamente diferente. Mas não fez isso. Ainda não. Naquela noite, preferiu apenas observar. Como se estivesse tentando gravar cada detalhe daquela casa antes que alguma verdade mudasse a maneira como enxergava tudo o que vivera ali. O jantar terminou como terminavam quase todas as noites. Helena recolheu os pratos antes que Lucien pudesse ajudá-la. — Deixe que eu cuido disso. Ele insistiu mesmo assim. — Não custa nada. Ela sorriu discretamente e lhe entregou algumas louças. Trabalharam lado a lado por alguns minutos, quase sem conversar. O único som era o da água correndo pela pia e o tilintar dos pratos sendo empilhados no escorredor. Quando terminaram, Helena secou as mãos no avental. — Você anda trabalhando demais. — Esta semana foi um pouco mais corrida. — Aproveite o domingo para descansar. Lucien apenas concordou. Não teve coragem de dizer que já não tinha certeza de como seria o domingo. Richard apareceu na porta da cozinha com o casaco nas mãos. — Vou dar uma olhada na cerca dos fundos antes de escurecer. — Está começando a ventar — respondeu Helena. — Não demora. — Não vou. Ele saiu, fechando a porta atrás de si. Lucien acompanhou o movimento pela janela. Viu Richard caminhar pelo quintal com a mesma calma de sempre, parar diante da cerca de madeira e examinar uma das tábuas soltas. Era uma cena que provavelmente já se repetira dezenas de vezes ao longo dos anos. Nunca lhe parecera importante. Naquela tarde, porém, ficou observando até que o pai desaparecesse atrás de uma árvore. — O que foi? — perguntou Helena, percebendo seu olhar perdido. Lucien voltou a si. — Nada. Ela inclinou levemente a cabeça, como se esperasse que ele dissesse mais alguma coisa. Não disse. Depois de alguns segundos, Helena apenas aproximou-se e ajeitou a gola de sua camisa, um gesto simples que fazia desde que ele era criança. — Você nunca presta atenção nisso. Lucien permaneceu imóvel. Era um gesto pequeno. Tão comum que, durante anos, quase não o notara. — Pronto — disse ela, dando um passo para trás. — Bem melhor. Ele sorriu, desta vez de forma sincera. — Obrigado. Subiu para o quarto logo depois. Fechou a porta com cuidado e apoiou a pasta sobre a escrivaninha. A casa mergulhou no silêncio habitual da noite. Só então retirou o envelope de dentro da pasta. Sentou-se na beira da cama. Passou os dedos pela dobra já marcada do papel, mas não o abriu. Naquele momento, não precisava reler a carta. Sabia de cor cada palavra que havia mudado sua vida naquela tarde. Mesmo assim, continuava sem saber como iniciar a conversa que, mais cedo ou mais tarde, teria com Richard e Helena. Pela primeira vez, Lucien percebeu que algumas perguntas exigiam muito mais coragem para serem feitas do que para serem respondidas. Lucien permaneceu sentado por um longo tempo. A lamparina sobre a escrivaninha espalhava uma luz amarelada pelo quarto, suficiente apenas para iluminar o envelope e parte da parede ao lado da cama. O restante permanecia mergulhado em sombras suaves, familiares. Lá embaixo, ouviu a porta da frente se fechar. Richard havia voltado do quintal. Em seguida vieram os sons de sempre. A chaleira sendo colocada sobre o fogão, algumas palavras trocadas em voz baixa e o ranger da cadeira da sala quando Richard se acomodou para ler o jornal antes de dormir. Era uma rotina tão conhecida que Lucien poderia descrevê-la de olhos fechados. Talvez fosse justamente isso que mais o inquietasse. Se tudo permanecia igual, por que ele sentia que já não pertencia completamente àquela casa? Olhou novamente para o envelope. Pensou em escondê-lo no fundo da gaveta. Pensou em queimá-lo na pequena lareira do quarto. Pensou, até mesmo, em fingir que nunca o recebera. Nenhuma dessas ideias permaneceu por muito tempo. Levantou-se, abriu a porta devagar e saiu para o corredor silencioso. Desceu os degraus sem fazer barulho. Quando chegou à sala, encontrou Richard sentado na velha poltrona, os óculos escorregados na ponta do nariz enquanto lia o jornal da noite. Helena costurava uma camisa à luz da lamparina, concentrada nos pontos miúdos da bainha. Os dois ergueram os olhos quase ao mesmo tempo. — Achei que já estivesse dormindo — disse Helena. Lucien tentou responder imediatamente, mas as palavras demoraram a sair. — Eu... preciso conversar com vocês. Richard dobrou cuidadosamente o jornal e o colocou sobre a mesa de centro. Helena deixou a costura sobre o colo. O silêncio que tomou conta da sala era diferente dos outros. Não era o silêncio confortável de todas as noites. Era aquele instante em que ninguém sabe exatamente o que está prestes a ouvir. Lucien respirou fundo. Sentia o envelope pesar dentro do bolso do casaco, como se aquelas poucas folhas tivessem adquirido o peso de toda a sua vida. Ele olhou primeiro para Helena. Depois para Richard. E percebeu que, qualquer que fosse a verdade escondida entre eles, não existia mais caminho para voltar atrás. Lucien permaneceu em pé por alguns instantes. O silêncio parecia maior do que a própria sala. Richard foi o primeiro a falar. — Sente-se. A voz era calma, mas havia algo diferente nela. Como se já pressentisse que aquela conversa não terminaria da mesma forma que começara. Lucien ocupou a cadeira diante dos dois. Por alguns segundos, ninguém disse nada. Ele levou a mão ao bolso do casaco e retirou o envelope. Colocou-o sobre a mesa de centro. Helena baixou os olhos imediatamente. Richard permaneceu imóvel. — Recebi isso hoje no escritório. Nenhum dos dois tocou no envelope. Lucien continuou. — Nunca vi esse nome antes. Virou a carta até que a assinatura ficasse voltada para eles. — Hyck. Foi suficiente. Helena fechou os olhos por um breve instante. Richard soltou o ar lentamente e passou a mão pelo rosto, como quem carregava um cansaço antigo. Lucien percebeu. Eles conheciam aquele nome. — Então... é verdade? A pergunta saiu baixa. Não havia acusação em sua voz. Havia apenas a necessidade de entender. Richard permaneceu alguns segundos olhando para o envelope. Quando finalmente ergueu a cabeça, parecia muito mais velho do que alguns minutos antes. — Nós sabíamos que esse dia chegaria. Lucien sentiu um nó se formar na garganta. — Por que nunca me contaram? Helena apertou as mãos sobre o colo. — Porque tivemos medo. Ela respondeu quase num sussurro. — Medo de quê? Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas sua voz continuou firme. — De perder você. Lucien permaneceu em silêncio. Richard inclinou o corpo para a frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. — Quando você chegou até nós, era apenas um bebê. Disseram que ninguém podia saber quem você era. Nem de onde vinha. Prometemos que guardaríamos esse segredo. Durante muito tempo acreditamos que era o melhor para você. Ele fez uma pausa. As palavras seguintes pareciam difíceis de pronunciar. — Depois... os anos passaram. Você cresceu. Virou nosso filho. E quanto mais tempo passava, mais impossível parecia encontrar o momento certo para contar. Helena enxugou discretamente uma lágrima que escapou pelo rosto. — Todos os aniversários eu dizia que seria naquele ano. Depois desistia. Achava que, se revelássemos a verdade, você deixaria de nos chamar de pai e mãe. Lucien abaixou os olhos. Nunca os tinha visto tão vulneráveis. A raiva que imaginava sentir deu lugar a outra coisa. Tristeza. Os três permaneceram em silêncio por um longo momento. Foi Lucien quem voltou a falar. — Eu preciso entender quem eu sou. Richard assentiu devagar. Não tentou impedi-lo. Não tentou convencê-lo a esquecer a carta. Apenas levantou-se, caminhou até uma antiga cristaleira no canto da sala e abriu uma das gavetas. De lá retirou uma pequena caixa de madeira, marcada pelo tempo. Colocou-a nas mãos de Lucien. — Há anos esperamos por este momento. Acho que isso sempre pertenceu a você. Lucien passou os dedos sobre a tampa da caixa. Ainda não a abriu. Olhou para Richard. Depois para Helena. Nenhuma resposta apagaria os vinte anos que viveram juntos. Mas também nenhuma resposta seria suficiente para impedir que ele buscasse a verdade. Naquela noite, pela primeira vez, os três compreenderam que o amor que construíram continuava existindo. Só já não era capaz de esconder o passado. Fim do Capítulo 5.CAPÍTULO 40 — O HOMEM QUE ESPERAVAQuando Elara voltou para a mansão naquela tarde, encontrou Agnes no corredor, segurando um envelope antigo. A governanta levantou os olhos assim que percebeu sua presença e guardou o papel dentro do avental.— O que era isso? — Elara perguntou.— Uma carta.— Para quem?Agnes ficou em silêncio por alguns segundos.— Para você.Elara estendeu a mão.— Por que não me entregou?— Porque não sei se deveria.A resposta fez Elara parar.— Você sabe quem escreveu?Agnes respirou devagar.— Sei.— Então me diga.— Eleanor.O nome de sua tia-avó fez Elara sentir o peito apertar.Agnes retirou o envelope do avental e o entregou. A letra na frente era inconfundível.Elara.Ela abriu o envelope ali mesmo.Dentro havia apenas uma folha.“Se alguém aparecer dizendo que conhece Nocthaven, não confie nele apenas porque parece querer ajudá-la. Observe o que ele não diz.”Elara releu a frase.Seu pensamento voltou imediatamente para o homem da cafeteria.Andryan.— Qu
CAPÍTULO 40 — Na manhã seguinte, Elara acordou antes do amanhecer. Durante algum tempo, permaneceu deitada, olhando para o teto enquanto tentava organizar as imagens da noite anterior. A caixa de Nocthaven continuava escondida no fundo do armário, enrolada em um pedaço de tecido que havia encontrado no escritório de Eleanor. A chave estava sobre a mesa de cabeceira. Mesmo à distância, Elara tinha a impressão de sentir o calor do metal.Levantou-se e foi até a janela. A chuva da madrugada havia deixado o jardim molhado, e pequenas gotas escorriam pelos vidros. A floresta permanecia coberta por uma névoa baixa. Elara ficou observando as árvores por alguns segundos, até notar uma coisa.Havia alguém parado perto do portão.Um homem.Ele usava um casaco escuro e permanecia imóvel, de costas para a estrada. Não parecia estar tentando entrar na propriedade. Apenas observava a mansão.Elara aproximou o rosto do vidro.O homem virou a cabeça.Por um instante, os olhos dos dois se encontraram
CAPÍTULO 39 — Lucien encontrou Cael e Kaelay na biblioteca pouco depois do meio-dia. Os dois estavam inclinados sobre uma mesa, com um pedaço de papel envelhecido aberto entre eles. As bordas estavam gastas e havia pequenas manchas amareladas espalhadas pela superfície, como se aquele mapa tivesse passado anos escondido em algum lugar úmido.— Onde vocês conseguiram isso? — Lucien perguntou.Cael levantou os olhos.— Estava dentro de uma caixa antiga. Kaelay encontrou no depósito.Lucien se aproximou. O desenho mostrava Grinvale, as ruas mais antigas e uma parte extensa da floresta que cercava a cidade. Algumas áreas estavam riscadas à mão, enquanto outras tinham pequenas marcas feitas com tinta escura. No meio das árvores, havia um símbolo que Lucien reconheceu imediatamente.Era parecido com aquele que havia aparecido durante o baile.— Esse símbolo... — murmurou.Kaelay passou o dedo sobre a marca.— Também achei estranho. Olha aqui.Ela apontou para uma inscrição quase apagada no
A noite caiu sobre Grinvale sem pressa.As últimas luzes da cidade desapareceram atrás das montanhas enquanto Elara permanecia diante da janela do quarto.O cartão continuava sobre a escrivaninha.Ela havia lido aquelas palavras tantas vezes que já conseguia repeti-las de memória."Pare de procurar portas e comece a procurar quem as esconde."Não sabia se aquilo era um conselho ou uma ameaça.Talvez fosse os dois.Elara pegou o cartão novamente.Virou-o entre os dedos.A pequena árvore desenhada no verso parecia simples, mas havia algo naquele desenho que incomodava.As raízes.Eram longas demais.Algumas se cruzavam de uma maneira quase impossível, formando pequenos símbolos entre os galhos.Ela aproximou o cartão da luz.Foi então que percebeu um detalhe.Uma das raízes formava uma letra."V".Elara franziu a testa.— V...Repetiu baixinho.Pensou em todas as coisas que começavam com aquela letra.Nenhuma resposta veio.Guardou o cartão dentro do caderno e fechou a capa.Decidiu não
CAPÍTULO 38 — Ecos Entre as ÁrvoresA chuva continuou durante boa parte da madrugada.Quando o dia amanheceu, uma névoa espessa cobria os jardins da mansão.Elara despertou mais cansada do que quando havia ido dormir.Passou boa parte da noite pensando nas palavras de Agnes."A porta que você ainda não encontrou."A frase permanecia presa em sua cabeça.Depois de se arrumar, desceu para o café da manhã.A casa estava silenciosa.Estranhamente silenciosa.A mesa já estava posta e o café ainda soltava vapor, mas Agnes não estava ali.— Agnes?Nenhuma resposta.Elara caminhou pela cozinha.Depois, seguiu pelo corredor.Nada.Foi somente quando chegou à varanda dos fundos que a encontrou.A governanta estava parada diante do jardim, observando a floresta ao longe.— Agnes?Ela se virou.Por um instante, pareceu surpresa.— Você me assustou.— Está tudo bem?Agnes demorou alguns segundos para responder.— Sim.Mas Elara percebeu que não era verdade.— Você está preocupada.— Apenas pensei
Elara permaneceu diante de Agnes sem dizer nada.A expressão da governanta havia mudado.Não era apenas preocupação.Havia algo mais.Uma espécie de receio que Elara nunca tinha visto nela antes.— Menos tempo para quê?Agnes desviou o olhar.— Para você ficar longe de problemas.— Isso não responde à minha pergunta.— Eu sei.Elara cruzou os braços.— Então me responda direito.Agnes respirou fundo.Por alguns segundos, pareceu considerar dizer alguma coisa.Mas, no fim, apenas guardou a chave no bolso do avental.— Ainda não.Elara soltou uma pequena risada, sem humor.— Claro.— Elara...— Não, tudo bem.Ela passou por Agnes e caminhou em direção à escada.— Já entendi.— Entendeu o quê?Elara parou no primeiro degrau.— Que todo mundo sabe alguma coisa e eu sou sempre a última a descobrir.Agnes não respondeu.Elara subiu.---No quarto, fechou a porta.Sentou-se na cama e ficou olhando para as próprias mãos.Estava irritada.Não apenas com Agnes.Com a cidade.Com a mansão.Com a







