LOGINEu vi Gabriel novamente pela primeira vez na cerimônia que anunciava meu filho como herdeiro oficial. Como Senhor Vampiro do Coven Blazetooth, Gabriel não teve escolha a não ser abandonar sua busca obsessiva por nós e viajar para o norte para comparecer ao evento.Nos últimos anos, enquanto a Corte do Norte continuava a crescer em poder e prestígio, o Coven Blazetooth havia entrado em constante declínio. Sob o governo instável de Gabriel, a posição deles dentro da hierarquia vampírica caíra cada vez mais.Assim, quando sua mãe e seus parentes se ajoelharam em reverência durante a cerimônia — e ergueram a cabeça para ver meu filho e eu, vestidos em esplendor cerimonial — eles congelaram.Seus olhos se arregalaram em incredulidade.Gabriel, por outro lado, iluminou-se.O cansaço em seu rosto desapareceu enquanto ele avançava, agarrou meu pulso e gritou sem qualquer respeito ao protocolo:— Isabella! Finalmente te encontrei! Você não faz ideia do quanto senti sua falta nesses—Eu afa
No momento em que Gabriel decidiu que pagaria qualquer preço para nos trazer de volta, meu filho e eu já havíamos chegado em segurança ao Norte.Quando meu pai — que eu não via já havia vários anos — colocou os olhos em nós, não disse uma única palavra de reprovação.Em vez disso, ele e minha mãe nos puxaram para seus braços, apertando-nos com tanta força que chegou a doer, lágrimas escorrendo livremente enquanto murmuravam repetidas vezes:— Vocês estão em casa. Finalmente estão em casa.Naquele momento, o poderoso e temido Rei Vampiro do Norte não era um governante lendário — era apenas um pai envelhecido, tremendo de alívio pelos filhos que temera ter perdido para sempre.Fui tomada por gratidão… e culpa.Quanto ao meu filho, que no início estava tímido e cauteloso diante de pessoas das quais mal se lembrava, ele logo se abriu sob o carinho dos avós.Não demorou muito para que a luz voltasse aos seus olhos.Tudo o que ele havia suportado o forçara a amadurecer cedo demais.Logo
Gabriel trancou-se dentro do que um dia havia sido o quarto deles.Ele encarava as mensagens no celular — enviadas, entregues, sem resposta — até que o amanhecer começou a sangrar nas bordas da noite.— Ela vai voltar. — Sussurrou para o quarto vazio, agarrando-se à ideia como se fosse um feitiço. — Minha Isabella nunca me deixaria.Passos soaram do lado de fora da porta.Seu coração disparou.Ele se levantou num salto.Antes mesmo de abrir, sentiu aquele aroma familiar — baunilha suave, era o dela, inconfundível.— Isabella!Ele escancarou a porta e puxou a mulher que estava do lado de fora para seus braços, abraçando-a com uma força desesperada.— Eu sabia. — Murmurou, quase rindo. — Eu sabia que você não me deixaria.— Gabriel…A voz o congelou.No instante em que percebeu quem estava segurando, qualquer vestígio de alívio desapareceu de seu rosto.Chloe.O calor sumiu de sua expressão, substituído por uma fúria crua e mal contida.— Quem lhe deu permissão — rosnou ele
Gabriel acordou ao anoitecer.A luz estava fraca, e as sombras se alongavam pelo quarto.Ele estava deitado na cama deles. O cobertor que o cobria ainda trazia o leve e familiar aroma de baunilha — o cheiro dela.E ao lado da cama havia uma figura esguia, com longos cabelos caindo pelas costas, torcendo um pano quente e úmido.Isabella…Seu coração disparou.Sem pensar, Gabriel estendeu o braço e puxou a mulher para seus braços.— Você voltou!Mas o perfume intenso de jasmim-da-noite o atingiu imediatamente.Seu corpo enrijeceu.— Gabriel… — Chloe soluçou contra seu peito. — Achei que você realmente fosse me abandonar, que não iria concluir o Vínculo de Sangue comigo!— Não se preocupe. — Continuou ela, apressada. — Eu já expulsei aquela mulher vampira. Se você gosta daqui, então eu fico — com a criança — e nós viveremos aqui juntos!Pela primeira vez, Gabriel percebeu o quanto o cheiro de Chloe era insuportável.Franziu a testa com força.A irritação cresceu até virar alg
Antes de partir, enviei uma última mensagem a Gabriel.Ao Gabriel, Senhor dos Vampiros, meu filho e eu fomos embora.Desejo felicidade na sua nova vida.Adeus. Para sempre.Depois de apertar enviar, cancelei o número — e então afundei o telefone nas profundezas do lago, observando as ondulações engoli-lo por completo.Naquele exato momento, Gabriel ainda estava no meio do ritual do Vínculo de Sangue.Sem aviso, uma dor aguda apertou seu coração.Ele olhou para a mensagem na tela, e o pavor inundou sua mente num instante.Ligou para mim — uma vez, duas, repetidas vezes.Tudo o que recebeu foi o mesmo tom frio e mecânico.Desconectado.— Gabriel? O que houve? — Alguém sussurrou com urgência. — Os convidados estão olhando.Chloe percebeu a mudança nele e tentou fazê-lo seguir adiante, mas Gabriel de repente arrancou o anel da família do dedo e o lançou longe.Sem dizer mais nada, virou-se e correu em direção às portas da mansão.Um guarda entrou em seu caminho.— Saia da frent
Meu filho não conseguia entender o que havia acontecido naquele dia.Ele apenas chorava em silêncio em meus braços.Com uma voz pequena e trêmula, ele perguntou se o pai não o queria mais e se eu era a única pessoa no mundo que ainda o amava.Eu o abracei com força.— Não. — Sussurrei. — Você, meu pequeno herói, é amado por muitas pessoas.— Seus avós sentem muito a nossa falta. Eles estão esperando para te conhecer. Você gostaria de ir embora com a mamãe para vê-los?Ele hesitou.Seus dedos apertaram com força o carrinho de brinquedo que Gabriel lhe dera no aniversário do ano anterior.— Mas… eu não quero deixar o papai.Engoli as lágrimas que queimavam na minha garganta e falei com suavidade:— Seu pai e sua avó não querem que fiquemos aqui. Você quer continuar chamando ele de "papai" quando ele quer que você o chame de "tio" pelo resto da vida?Ele congelou.Lentamente, deixou o brinquedo de lado, lágrimas escorrendo enquanto olhava para mim e suplicava:— …Então posso fi