INICIAR SESIÓNTiana
Estou sentada no chão, no meio de uma bagunça de caixas e malas, estou cansada, com sono e com fome. Essas duas últimas semanas foram de adrenalina total. Lúcio me trouxe até aqui, depois de pedir desculpas pela nossa última conversa, mas não pôde ficar, tinha trabalho a fazer. Meus pais ficaram mais tranquilos nos vendo fazer as pazes, mas ainda tenho a mesma sensação de que ele só voltou atrás com medo de eu terminar com ele. E após centenas de beijos, ele relutante vai embora, com a promessa de voltar no final de semana. Trouxe somente o básico, minhas roupas formais, sapatos confortáveis e materiais de trabalho e um retrato dos meus pais. Conheci mais da minha nova amiga e acabei dormindo cedo, porque no dia seguinte eu iria na empresa para me familiarizar. Oficialmente ela será inaugurada em dois dias, mas eu prefiro já ir adiantando meu trabalho. … Acordei cedo, e me arrumei ansiosa para chegar na empresa. Tentarei estabelecer um diálogo eficiente com o meu chefe e entender como ele funciona. Saindo do quarto no segundo andar, desço o lance de escadas e vou direto para a saída. No andar de baixo, tem a cozinha, sala de jantar grande, uma sala de estar e a recepção, mas a escada vai direto para a recepção. O cheiro do café da manhã faz meu estômago roncar, mas não tenho esse hábito. Chegando nas indústrias Carmichael, vejo Ingrid já no seu posto, ela chega aqui no primeiro turno, então às 6 horas ela já deve estar em seu posto, e sai no meio da tarde. Ela me entrega meu crachá que usarei daqui pra frente, e me orienta como chegar no último andar. Meu coração acelera pela ansiedade e expectativa. Enquanto o elevador sobe, eu faço uma oração silenciosa, torcendo para que o embate que eu tive com o Carmichael tenha sido somente aquela vez. E que possamos trabalhar juntos com muita paz. As portas se abrem e entro num ambiente claro, minimalista, uma mulher está sentada numa mesa e assim que ela me vê, abre um sorriso gentil. — Bom dia, em que posso ajudar? — Eu sou Tiana Gonzalez, sou a secretária do senhor Carmichael! — Ah, sim! Achei que começaria daqui a dois dias. Vou te mostrar a sua sala. — Minha sala? Eu terei uma sala? – Perguntei impressionada. — Sim, terá a sua sala e eu sou a sua assistente, Judy! Além de te auxiliar, eu receberei os clientes e servirei o café.– Ela fala numa animação sem tamanho. — Gosto de ver essa energia, boas vibrações e amor ao trabalho são o segredo para um ambiente de trabalho saudável! — Estou feliz em conhecê-la, estarei aqui se precisar de qualquer coisa! Ela me leva até a minha sala, e me encanto com o tamanho e o aconchego do lugar. Claro que está meio estéreo ainda, mas nada como dar meu toque pessoal ao lugar. A parede ao fundo tem uma parede metade de vidro, tornando o ambiente muito claro, com uma mesa de vidro com um computador branco e uma impressora, atrás dela uma cadeira de couro branca e na frente duas cadeiras de vidro. Do lado direito dois armários de alumínio e do lado esquerdo uma porta, que penso ser do banheiro. Quando abri a porta me surpreendo com outro ambiente, que não é o banheiro, definitivamente não é. Se eu estava feliz em ter uma sala só minha agora penso se ficar a uma porta de distância será bom Entro em outro escritório que é duas vezes maior que o meu, ele tem uma mesa de mogno grande com algumas pastas em cima, dois computadores e bem bagunçada. Alguns quadros estão pendurados na parede, com uma luz iluminando cada um deles, o lugar é gostoso, com cortinas escuras, passando um clima de paz, do lado oposto da mesa dele, tem uma sofá de couro marrom grande, com uma mesa de centro de vidro escuro, com um vasinho de plantas. Tem outras duas portas, e me sentindo curiosa, abri uma delas e me deparo com um banheiro grande com decoração bem masculina e com o cheiro de produtos masculinos. Lá tem os habituais vaso sanitário, grande pia e um box com direito a um banco de madeira. Saio do banheiro e tento abrir a outra porta, mas está trancada. Agora me intriguei, o que pode ter ali dentro? Volto para a minha sala, abrindo os armários e vejo algumas pastas, canetas e tudo que preciso para começar. O que preciso é montar um plano de trabalho, cada pasta terá informações sobre tudo o que ele gosta, sua rotina, restaurante de preferência, horários, clientes, etc. Montei planilhas, que estarei preenchendo com o passar dos dias, e de acordo com a nossa rotina, mas além do computador, não abro mão do bom e velho caderno. É sempre bom ter uma agenda física quando tiver algum problema na informática. Passaram-se horas até eu sentir minhas costas doerem por passar tanto tempo sentada. Me empolguei para organizar e adiantar tudo, e quando realmente começar, estarei pronta para receber a minha demanda de trabalho. À noite eu faço uma chamada de vídeo para meus pais, mostrando que estou bem. Eles mandam suas bênçãos e orações para mim antes de se despedirem. Em seguida liga para Lúcio, ele atende perguntando como foi meu dia e conto cada detalhe. Planejamos conhecer alguns pontos turísticos no final de semana e aproveitar até ele ir embora. Estou ansiosa para ver um rosto conhecido, mesmo que eu esteja aqui há pouco tempo.JuniorO escritório estava silencioso naquela tarde de sexta-feira, mas o ar entre nós dois nunca estava calmo.Eu estava sentado à minha mesa, revisando o último relatório da parceria com a Leônidas, quando Tiana entrou na sala com a pasta de documentos. Ela usava um vestido social preto que abraçava perfeitamente as curvas dos quadris, maquiagem básica, mas com um batom mais chamativo, ela usa aquele coque baixo que sempre me fazia querer soltar o cabelo dela. Ela cruzava e descruzava as pernas me hipnotizando. Mas o que realmente me destruiu foi quando ela se inclinou sobre a mesa para me entregar os papéis.O vestido abriu levemente no decote, revelando o sutiã de renda preta e o vale entre os seios. Eu senti o pau endurecer instantaneamente dentro da calça. O tesão bateu forte, quase doloroso. Fazia dias que a gente não tinha um momento só nosso e entre o trabalho intenso, Melissa na escolinha, Elijah ainda pequeno e as famílias sempre por perto, a intimidade tinha virado algo rá
Junior CarmichaelTrês anos se passaram desde o dia em que eu acordei no hospital com a faca ainda latejando na memória e o coração partido pela perda do nosso primeiro filho. Hoje, olhando para o loft iluminado por luzes suaves, com o som distante de risadas infantis ecoando do quarto das crianças, eu percebo que a vida não nos prometeu um caminho fácil, mas nos deu algo melhor, a chance de construir, tijolo por tijolo, a família que merecíamos.A gravidez de Tiana foi um milagre que demorou a chegar, mas quando veio, foi com uma força que nos surpreendeu. Depois da perda, nós dois tivemos medo de tentar de novo, medo de sofrer outra vez, mas Tiana, com aquela força que eu tanto amava, disse um dia, no meio de uma noite em que chorávamos abraçados: “Eu quero tentar. Quero dar um irmão ou irmã pra Melissa. Quero ver você ser pai de verdade”. Eu chorei como criança e nós tentamos.A gravidez foi tranquila, mas intensa. Tiana ficou mais sensível, mais cansada, mas também mais radiante.
3 ANOS DEPOIS…JuniorO ar de Connecticut estava fresco e limpo naquela tarde de primavera, mas dentro da mansão de Logan o calor era palpável. Era o aniversário de 40 anos de Logan, e toda a família tinha se reunido para comemorar. Eu dirigia com Tiana ao meu lado e Melissa no banco de trás, tagarelando sem parar sobre o “bolo gigante” que a tia Samantha tinha prometido. Meu coração batia forte, não de ansiedade, mas de uma alegria profunda, quase sagrada.Quando entramos na mansão, o salão principal estava cheio. Meus pais, Magda radiante, meu pai com seu ar sério mas com um sorriso que agora aparecia com mais frequência. Os pais de Tiana, abraçando Melissa como se fosse neta de sangue. As tias gêmeas contavam histórias animadas. Mary Anne ria com Júlio, Logan estava no centro, cercado por todos, mas com os olhos fixos em Samantha, como sempre. Benjamin corria com os amigos. Lolô trazia travessas para a mesa ao ar livre. E, num canto, conversando com Samantha, estava Jack, o policia
TianaO loft nunca esteve tão vivo quanto naquele Natal.A árvore brilhava no canto da sala com luzes douradas e prateadas, enfeitada com enfeites que Melissa e eu tínhamos escolhido juntas. O cheiro de peru assado, farofa, gemada e biscoitos de canela que Lolô trouxe enchia o ar. Risadas ecoavam por todos os lados, vozes se misturando em espanhol, inglês e um pouco de romani quando Magda contava histórias. Era o nosso primeiro Natal como família completa, com Melissa oficialmente nossa.Eu a segurava no colo, vestidinho vermelho de veludo que Magda tinha costurado com carinho. Após meses de muito amor e carinho, ela já me chamava “mamãe” com aquela vozinha doce que me derretia o coração. Eu a amava como se tivesse carregado ela na barriga, como se ela sempre tivesse sido minha. Toda vez que ela encostava a cabecinha no meu peito, eu sentia uma paz que curava, aos poucos, a dor da perda que ainda doía em silêncio.A família estava toda reunida. Os pais de Junior, Anthony, com um sorri
TianaO processo de adoção de Melissa foi mais rápido do que imaginávamos, mas cada dia pareceu uma eternidade.Depois daquela tarde no orfanato, quando vi aqueles olhos cor de mel me olhando como se já me conhecesse, eu e Junior não conseguimos mais pensar em outra coisa. Conversamos até altas horas da madrugada no loft, chorando, rindo, com medo, com esperança. Decidimos juntos: queríamos adotá-la. Não era pra preencher o vazio do bebê que perdemos, pois nada poderia fazer isso. Era porque ela precisava de nós, e nós precisávamos dela. Foi um amor puro, imediato e inevitável.Os papéis correram com uma velocidade impressionante graças aos contatos da família Carmichael. Assistentes sociais, psicólogos, visitas ao loft, entrevistas intermináveis. Eu tremia toda vez que alguém perguntava sobre nossa perda. Junior segurava minha mão com força, respondendo com calma, mas eu via nos olhos dele a mesma dor que eu sentia. Nós choramos depois, abraçados, mas levantamos no dia seguinte. Porq
Tiana Eu sonhei com o orfanato a noite inteira, e no sonho, eu andava pelos corredores pintados de amarelo desbotado, ouvindo risadas distantes de crianças. Mas quanto mais eu andava, mais o lugar ficava vazio. Os desenhos nas paredes sumiam. Os brinquedos desapareciam, até que eu chegava numa sala pequena, com uma única cama de grades. E ali, no meio do silêncio, um bebê chorava. Um choro alto, desesperado, que me cortava o peito, eu corria até o berço, mas quando chegava, ele estava vazio. Só restava um lençol branco, manchado de algo que parecia sangue. Eu acordava suada, o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito, com aquele choro ainda ecoando nos meus ouvidos. Era a terceira noite seguida. Abri os olhos no escuro do loft, o corpo tremendo, a camisola colada na pele úmida. O choro ainda parecia real, e eu sentei na cama, ofegante, tentando respirar. Junior acordou imediatamente ao meu lado, como se sentisse meu desespero mesmo dormindo. — Amor… de novo? — A







