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Seduzida e Rejeitada pelo Bilionário Inimigo do Meu Pai
Seduzida e Rejeitada pelo Bilionário Inimigo do Meu Pai
Author: Janne Vellamour

CAPÍTULO 1

last update publish date: 2026-09-08 05:16:41

Dante Morelli odiava cada segundo daquilo, não que alguém pudesse perceber. Seu rosto permanecia impassível, a postura ereta, o olhar atento. Aos trinta e quatro anos, ele havia aprendido a parecer perfeitamente confortável em ambientes que desprezava. Era uma habilidade necessária para quem comandava um império construído sobre os escombros de uma família destruída.

Pegou um copo de uísque de uma bandeja que passava, girando o líquido sem pressa enquanto examinava o salão. Homens de terno caro, mulheres carregadas de joias, todos fingindo que não estavam ali para avaliar uns aos outros. Dante conhecia aquele jogo e o jogava melhor do que a maioria. Seu assistente, Bruno, se aproximou sem fazer ruído e inclinou-se levemente.

— A reunião com o grupo japonês foi confirmada para amanhã às nove — murmurou. — E há boatos de que Ricardo Almeida não virá pessoalmente; um representante vai vir no seu lugar.

Apenas assentiu e levou o copo aos lábios.

— Descubra quem é o representante — ordenou com a voz baixa. — E me mantenha informado sobre cada movimento da empresa Almeida.

Bruno assentiu e desapareceu entre os convidados. Dante permaneceu onde estava com os olhos fixos em um ponto distante do salão. Ricardo Almeida era o homem que havia destruído sua família, o responsável pela morte de seu pai e o motivo de sua vingança.

Durante os últimos dez anos, ele havia construído seu império com um único objetivo: fazer Ricardo pagar. Agora, finalmente, estava tão perto que podia sentir o sabor da vitória, mas então seus olhos encontraram algo que o fez parar.

Ela estava do outro lado do salão, afastada dos grupos de empresários, conversando com um dos organizadores do evento. Usava um vestido azul que contrastava com as cores monocromáticas dos outros convidados. Além de estar com um sorriso encantador diferente dos demais, pois não tinha malícia nem segundas intenções.

Dante não sabia por que seus olhos haviam se fixado nela. Era bonita, mas não do tipo que normalmente chamava sua atenção. Não havia nada de artificial em sua aparência. Seus gestos eram espontâneos. Parecia apenas uma mulher conversando com naturalidade, alheia ao jogo de poder que dominava o ambiente.

Ela riu de algo que o organizador disse e Dante sentiu um aperto no estômago.

— Quem é aquela mulher? — perguntou, sem desviar o olhar.

Bruno havia retornado silenciosamente para o seu lado. Seguiu a direção do olhar de Dante e consultou o tablet que carregava.

— Valentina Almeida, senhor.

O mundo de Dante parou; ela era Almeida. A voz de Bruno ressoou em sua mente, despertando sua raiva. Os dedos dele apertaram o copo com mais força do que o necessário.

— Almeida? — repetiu entredentes.

— Filha única de Ricardo Almeida. Vinte e quatro anos. Tem uma pequena empresa de produção de eventos corporativos. Não ocupa nenhum cargo no Grupo Almeida e, aparentemente, mantém distância dos negócios do pai.

Dante não respondeu imediatamente. Seus olhos voltaram para a mulher que agora se despedia do organizador e caminhava em direção a uma das portas laterais do salão.

Ele observou cada movimento dela. Da maneira como se movia com naturalidade, sem nariz em pé das mulheres ricas que frequentavam aquele círculo. A maneira como sorria para os funcionários do resort, tratando-os com uma gentileza que não parecia fingida.

Ele tomou o último gole de uísque e deixou o copo em uma mesa próxima, os olhos ainda fixos na porta por onde ela desapareceu.

Valentina Almeida sentiu o olhar antes de ver o homem. Era uma sensação estranha, um arrepio na nuca que a fez interromper a conversa com o coordenador do evento e olhar ao redor. O salão estava cheio, mas nenhum dos rostos parecia ser a fonte daquela súbita inquietação.

Então ela o viu.

Ele estava do outro lado do salão, parado, os olhos escuros fixos nela. Alto, ombros largos, cabelo escuro e um rosto de traços fortes. Vestia um terno cinza impecável e a sua postura transmitia uma presença que dispensava apresentações.

Valentina o reconheceu imediatamente. Aquele homem era Dante Morelli, o CEO do Grupo Morelli e um dos homens mais poderosos e temidos do país, e ele estava olhando para ela.

Ela desviou o olhar, voltando a atenção para o coordenador, mas sua mente permaneceu presa naquele instante. Havia algo naquele olhar que a perturbava. Não era apenas interesse masculino — ela já havia recebido olhares assim antes, embora raramente com tanta intensidade. Era algo mais profundo. Avaliativo. Como se ele estivesse tentando entendê-la.

— Valentina? — A voz do coordenador a trouxe de volta. — Você está bem?

— Sim, sim — ela sorriu, forçando-se a se concentrar. — Apenas distraída. Pode continuar.

Retomaram a discussão sobre os últimos ajustes para o jantar de encerramento, mas Valentina não conseguia ignorar a sensação de que o olhar de Dante ainda estava sobre ela. Quando finalmente se atreveu a olhar novamente, ele havia se movido. Estava mais próximo, conversando com um grupo de empresários, mas seus olhos se desviavam na direção dela com frequência.

Ela sentiu as bochechas esquentarem.

— Me dê licença — disse ao coordenador. — Preciso verificar algo na área externa.

Era uma desculpa, mas precisava de ar. O salão parecia pequeno e quente demais. Ela caminhou até as portas que levavam aos jardins e sentiu o alívio da brisa noturna assim que as abriu. O resort era deslumbrante, com jardins bem cuidados que se estendiam até uma praia particular. As lanternas criavam um caminho de luz sobre a areia, e o som das ondas preenchia o silêncio.

Valentina respirou fundo, tentando acalmar o coração acelerado.

Era ridículo ter reações assim, pois ele era apenas um homem; podia ser muito bonito e poderoso, certamente, mas ainda assim apenas um homem. Ela estava acostumada a circular entre bilionários, a conversar com eles, a fingir interesse em suas conversas sobre negócios, mas Dante Morelli era diferente. Havia algo nele que a fazia se sentir exposta, como se ele pudesse enxergar através de suas defesas com aqueles olhos escuros e penetrantes.

— Você sempre foge quando um homem demonstra interesse?

A voz veio de trás dela, e Valentina se virou com o coração disparado. Dante Morelli estava ali, a poucos metros de distância, as mãos nos bolsos. Valentina se forçou a manter a compostura na frente dele.

— Só dos homens que parecem perigosos — respondeu, satisfeita por sua voz não ter soado estremecida.

Os lábios dele se curvaram levemente.

— E eu pareço perigoso?

— Você sabe que sim.

Ele deu um passo em direção a ela.

— Sabe quem eu sou?

— Dante Morelli — ela disse. — O CEO do Grupo Morelli e um dos homens mais ricos do país.

— E ainda assim você fugiu.

— Eu não fugi, só precisava de ar.

Ele se aproximou mais, e Valentina lutou contra o impulso de recuar. Não por medo, mas pela súbita consciência da proximidade dele. O perfume amadeirado que ele usava a envolveu, e ela se sentiu levemente tonta.

— E agora? — perguntou ele com a voz baritona. — Ainda precisa de ar?

Os olhos de Valentina encontraram os dele.

— O que o senhor quer, Sr. Morelli?

— Dante — corrigiu ele. — E o que a faz pensar que eu quero algo?

— Homens como o senhor sempre querem algo.

Dante a observou por um longo momento, e Valentina teve a impressão de que ele avaliava cada palavra que ela dizia.

— Talvez eu queira apenas conhecer a mulher que trabalha tanto enquanto todos os outros se divertem.

— Eu tenho minha própria empresa — disse ela. — Gosto de trabalhar.

— Eu percebi e é admirável

— Não precisa me elogiar, Sr. Morelli.

— Dante — repetiu ele. — E não é um elogio, mas sim uma constatação.

Valentina sustentou o olhar dele por alguns segundos. Um arrepio percorreu sua pele quando percebeu a intensidade daqueles olhos sobre os seus. Dante também não desviou. Por um instante, pareceu esquecer completamente o motivo que o havia levado até ali.

— Sr. Morelli...

A voz de Bruno interrompeu o momento. Dante, claramente contrariado, franziu o cenho, deixando sua falta de paciência transparecer, e logo em seguida engoliu em seco antes de se afastar.

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