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CAPÍTULO 4

last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-09 01:08:47

Dante continuava parado diante dela, os olhos escuros fixos nos seus, e Valentina percebeu que ele não havia recuado. Pior: ele havia se aproximado. O ar entre eles estava denso, carregado de algo que ela não sabia nomear, mas que sentia em cada batida do coração.

— Se isso é exatamente o que está te preocupando, por que continua aqui? — perguntou ela, surpresa com a firmeza da própria voz.

Dante inclinou levemente a cabeça.

— Porque ainda estou tentando decidir se devo ir embora.

— E já decidiu?

Ele deu um passo, encurtando ainda mais a distância. Valentina sentiu o cheiro dele, uma mistura de uísque e algo amadeirado, e teve que lutar contra o impulso de fechar os olhos.

— Ainda não — respondeu ele.

Valentina prendeu a respiração.

Por um instante, ela achou que ele a beijaria. Havia uma tensão no maxilar dele, uma rigidez nos ombros que sugeria esforço para se manter onde estava. E, talvez por isso, quando Dante recuou, ela sentiu o impacto da ausência dele com uma intensidade desproporcional.

Ele desviou o olhar, passando a mão pelo cabelo.

— Está tarde — disse, a voz rouca. — Amanhã será um dia longo.

Valentina não respondeu imediatamente. Ainda estava processando a sensação de quase ter sido beijada, o eco da proximidade dele na pele.

— Boa noite, Dante — disse, por fim.

— Boa noite, Valentina.

Ela se virou e caminhou de volta ao prédio principal do resort, sentindo o olhar dele nas costas a cada passo.

---

Na manhã seguinte, Valentina foi acordada por uma ligação de Carolina, sua assistente.

— Tivemos um problema — disse Carolina, sem rodeios. — A Maresias Eventos cancelou a participação no jantar de encerramento. Eles alegam problemas logísticos, mas acho que fecharam contrato com outro evento.

Dante continuava parado diante dela, os olhos escuros fixos nos seus, e Valentina percebeu que ele não havia recuado, mas era pior: ele havia se aproximado. 

— Se isso é exatamente o que está te preocupando, por que continua aqui? — perguntou ela, surpresa com a firmeza da própria voz.

Dante inclinou levemente a cabeça.

— Porque ainda estou tentando decidir se devo ir embora.

— E já decidiu?

Ele deu um passo, encurtando ainda mais a distância entre eles. Valentina sentiu o cheiro dele, uma mistura de uísque e algo amadeirado, e teve que lutar contra o impulso de fechar os olhos.

— Ainda não — respondeu ele.

Valentina prendeu a respiração por um instante e acreditou que ele a beijaria. Havia uma tensão no maxilar dele, uma rigidez nos ombros que sugeria esforço para se manter onde estava. E, talvez por isso, quando Dante recuou, ela sentiu a sua ausência.

Ele desviou o olhar, passando a mão pelo cabelo.

— Está tarde — disse, a voz rouca. — Amanhã será um dia longo.

Valentina não respondeu imediatamente. Ainda estava processando a sensação de quase ter sido beijada.

— Boa noite, Dante — disse, por fim.

— Boa noite, Valentina.

Ela se virou e caminhou de volta ao prédio do resort, sentindo o olhar dele em suas costas a cada passo que dava.

***

Valentina foi acordada por uma ligação de Carolina, sua assistente.

— Tivemos um problema — disse Carolina, sem rodeios. — A Maresias Eventos cancelou a participação no jantar de encerramento. Eles alegam problemas logísticos, mas acho que fecharam contrato com outro evento.

Valentina se sentou na cama, esfregando os olhos. O relógio marcava seis e meia da manhã.

— Eles assinaram contrato?

— Sim, mas a multa é ridícula; o cancelamento afeta a distribuição de mesas, a lista de convidados e o material de divulgação.

— Me dá dez minutos. Vou resolver.

Ela desligou e ficou parada por um instante, organizando os seus pensamentos. Não era a primeira vez que um fornecedor cancelava em cima da hora. Fazia parte do trabalho, entretanto, aquele evento era importante demais para permitir falhas.

Valentina se levantou, tomou um banho rápido e vestiu uma calça de alfaiataria e uma blusa de seda clara. Prendeu os cabelos em um coque baixo e saiu do quarto carregando o notebook.

No saguão, encontrou Carolina com uma equipe reduzida, todos de cabeça baixa sobre tablets e telefones. Valentina mantinha a calma, mesmo sabendo da urgência de resolver esse problema. Ela distribuía ordens, apontava prioridades e delegava tarefas.

Foi nesse momento que ela percebeu que Dante a estava observando. Ele estava encostado em uma das colunas próximas à recepção, os braços cruzados, os olhos acompanhando cada movimento dela. Havia uma expressão curiosa em seu rosto, como se estivesse vendo algo que não esperava.

Valentina o ignorou e voltou a atenção ao trabalho. Minutos depois, Dante se aproximou.

— Posso ajudar — disse ele.

Ela ergueu os olhos dos documentos.

— Eu consigo resolver.

— Eu sei.

Valentina riu sem graça.

— Você parece gostar muito de dizer isso.

— Porque você parece gostar muito de provar que consegue fazer tudo sozinha.

Ela o encarou.

— E você parece gostar de me observar fazendo isso.

Dante ficou em silêncio porque ela tinha acertado.

— O cancelamento envolve uma empresa ligada a um dos meus parceiros comerciais — disse ele, por fim. — Eu posso resolver com um telefonema.

— Eu não quero que você resolva por mim.

— Eu sei, mas posso ajudar.

Valentina hesitou, pois tinha algo na postura dele que não era arrogância, mas uma oferta. Ainda assim, ela não queria depender de Dante Morelli. Não queria que ele a visse como uma mulher que precisava de ser ajudada.

— Se quiser ajudar, pode me acompanhar na reunião com os outros fornecedores — disse ela. — Sua presença pode acelerar algumas decisões.

Dante assentiu.

— Certo.

***

Valentina liderava as reuniões com os fornecedores. Dante permanecia ao seu lado, uma presença imponente que ajudava com os fornecedores que o ouviam com atenção e as negociações avançavam mais rápido do que o normal.

Em um intervalo, os dois ficaram sozinhos em uma das salas de reunião do resort. Valentina revisava uma planilha no notebook, a testa franzida em concentração. O silêncio entre eles era confortável, interrompido apenas pelo som das teclas.

Dante a observava; ela percebeu o seu olhar e ergueu os olhos.

— O que foi?

— Nada.

— Você estava olhando.

— Eu estava.

— Por quê?

Dante sustentou o olhar dela.

— Ainda estou tentando descobrir por que não consigo parar.

Valentina sentiu o rosto esquentar. Ela desviou o olhar para a tela do notebook, mas não conseguia se concentrar nas planilhas. A frase dele ficou presa em sua mente se repetindo como uma confissão inesperada.

— Você sempre investiga as pessoas que conhece? — perguntou ela, retomando um assunto que a incomodava desde o dia anterior.

Dante ficou atento.

— Não.

— Então por que parece saber tanto sobre mim?

Ele hesitou por uma fração de segundo.

— Talvez porque você seja mais fácil de observar do que imagina.

Valentina não ficou completamente convencida. Tinha algo na forma como ele falava que sugeria mais do que simples observação, mas, antes que pudesse pressioná-lo, Carolina entrou na sala avisando que a reunião seguinte estava marcada.

Dante se levantou.

— Vou verificar algo com Bruno. Volto em instantes.

Ela assentiu e ele saiu.

Valentina estava esgotada, pois estava em pé havia horas, e os seus pés latejavam dentro dos sapatos. Quando finalmente conseguiu um momento de pausa, se sentou em um banco no jardim, perto do mesmo local onde havia conversado com Dante na noite anterior. Ele apareceu poucos minutos depois, como se soubesse exatamente onde encontrá-la.

— Você vai embora amanhã? — perguntou ele, sentando-se ao lado dela.

— Não. Preciso ficar até domingo.

Dante não respondeu imediatamente, mas Valentina viu algo cruzar seu rosto. Alívio? Satisfação? Era difícil dizer.

— E você? — perguntou ela.

— Minha agenda foi estendida. Vou permanecer no resort até o fim da semana.

Ela assentiu, tentando ignorar a batida descompassada de seu coração. Ficaram em silêncio por alguns minutos, observando o movimento distante dos funcionários que organizavam as áreas externas. A brisa do mar era suave e o som das ondas preenchia o ar.

— Você está fugindo de mim? — perguntou Valentina, por fim.

Dante a olhou.

— Estou tentando não cometer um erro.

— E eu sou o erro?

— Não. — Ele fez uma pausa. — Você é a parte que eu não consigo controlar.

Valentina sentiu um nó se formar na garganta.

— Então talvez você devesse parar de tentar controlar tudo — disse ela.

Dante olhou para os lábios dela. Valentina percebeu e, dessa vez, foi ela quem diminuiu a distância. O beijo foi lento, hesitante, como se ambos estivessem testando os limites do que podiam permitir. Os lábios de Dante eram quentes contra os dela, e Valentina sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Ela colocou a mão no rosto dele, os dedos roçando a pele da mandíbula, e Dante respondeu aproximando-se mais.

Quando se separaram, ambos estavam sem fôlego. Dante permaneceu olhando para ela, respirando mais pesadamente do que gostaria. Aquele beijo não fazia parte do plano. Valentina também parecia surpresa, os olhos presos aos olhos dele.

— Isso foi um erro? — perguntou ela baixinho.

— Não.

A resposta saiu baixa, quase como um sussurro.

Valentina mal teve tempo de respirar antes de Dante se aproximar novamente. Dessa vez, não havia a hesitação do primeiro beijo. Ele levou a mão até a cintura dela, envolvendo-a com cuidado, enquanto seus olhos permaneciam presos aos dela, como se ainda lhe desse a chance de recuar.

Valentina segurou a lapela do paletó dele e o puxou para mais perto. Os lábios se encontraram outra vez, primeiro devagar, depois com uma intensidade crescente. Dante inclinou o rosto, aprofundando o beijo sem pressa, atento a cada reação dela. Valentina sentiu os dedos dele se firmarem suavemente em sua cintura e correspondeu, aproximando-se até não existir quase nenhum espaço entre os dois.

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