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Capítulo 2

last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-08 06:46:33

Bruno percebeu que havia interrompido alguma coisa, mas teve a inteligência de não demonstrar.

— Preciso falar com o senhor.

Dante lançou um último olhar para Valentina.

— Com licença.

— Claro.

Ele acompanhou Bruno por alguns metros, mantendo a expressão fechada.

— Espero que seja importante.

— É sobre o representante de Ricardo Almeida.

A irritação de Dante desapareceu.

— Quem?

— Ainda não conseguimos confirmar. A informação veio diretamente da diretoria do Grupo Almeida, mas ninguém revelou o nome. Só disseram que Ricardo realmente não comparecerá à reunião amanhã.

Dante olhou discretamente para Valentina.

Ela continuava perto do jardim.

— Continue investigando.

— Sim, senhor.

Bruno percebeu para onde ele olhava.

— E sobre ela?

Dante virou o rosto lentamente.

— O que tem ela?

— Nada.

— Então não pergunte.

Bruno conteve um sorriso.

— Claro.

Dante voltou para o salão antes que seu assistente pudesse dizer qualquer outra coisa.

Não gostava daquilo.

Durante dez anos, qualquer pessoa ligada a Ricardo Almeida havia ocupado uma posição muito simples em sua mente: inimigo. Valentina deveria estar exatamente no mesmo lugar, mas não estava.

***

Valentina permaneceu alguns minutos no jardim depois que Dante se afastou.

Aquilo tinha sido estranho.

Muito estranho.

Ela conhecia a reputação dele. Dante Morelli raramente aparecia em eventos sociais sem alguma razão relacionada aos negócios. Também não era conhecido por perder tempo cortejando mulheres em festas.

Ainda assim, havia atravessado o salão para falar com ela.

— Problema seu — murmurou para si mesma.

Seu telefone vibrou; olhou para a tela e franziu o cenho.

— Ah, não.

Era uma mensagem de Camila, uma das coordenadoras de sua equipe.

"Senhora, temos um problema no salão. Preciso de você."

Respirou fundo e entrou rapidamente. O ambiente estava diferente. Alguns funcionários atravessavam o salão depressa enquanto os convidados começavam a se dirigir para a área reservada ao jantar.

Camila apareceu quase correndo.

— O sistema da mesa foi alterado.

— Como assim?

— Colocaram mais seis convidados na lista há vinte minutos e ninguém avisou nossa equipe. Dois deles são patrocinadores.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

— Quem autorizou?

— A diretoria do evento.

— Claro que autorizou.

Ela respirou fundo.

— Temos quanto tempo?

— Quinze minutos.

— Então temos quinze minutos.

Valentina assumiu o controle da situação. Começou a redistribuir lugares, pediu que duas mesas fossem reorganizadas e orientou a equipe do buffet. Em poucos minutos, funcionários que antes estavam perdidos começaram a trabalhar de forma coordenada.

Dante observava tudo a alguns metros dali. Um dos empresários que conversava com ele continuava falando sobre uma aquisição qualquer, mas Dante havia parado de prestar atenção.

Valentina não levantava a voz, não humilhava funcionários, não parecia desesperada. Ela simplesmente resolvia o problema da melhor forma.

Quando um garçom deixou uma bandeja cair, assustado com a confusão, Valentina foi uma das primeiras a se aproximar.

— Você se machucou?

O rapaz negou rapidamente.

— Desculpe, senhora.

— Não precisa pedir desculpas. Só tome cuidado com o vidro quebrado.

Ela chamou outro funcionário e pediu ajuda para limpar o local. Dante estreitou os olhos.

Aquilo o incomodava mais do que deveria. Ricardo Almeida era arrogante, cruel e incapaz de enxergar qualquer pessoa que considerasse inferior. A filha não demonstrava nada daquilo.

— Morelli?

Dante voltou a prestar atenção ao homem diante dele.

— Desculpe. O que disse?

O empresário repetiu a pergunta, mas antes que Dante respondesse, uma discussão próxima chamou sua atenção.

Valentina estava diante de Augusto Sampaio, um investidor conhecido pela arrogância.

— Isso é inadmissível! — Ele reclamou.

— Sr. Sampaio, sua mesa está sendo preparada.

— Eu não paguei uma fortuna por este evento para ficar esperando porque uma empresa incompetente não sabe organizar um jantar.

Valentina manteve a postura.

— O problema foi causado por uma alteração na lista depois que a organização já estava concluída. Mesmo assim, estamos resolvendo.

— Não quero saber quem causou. Você é responsável pelo evento.

— E estou assumindo a responsabilidade.

O homem soltou uma risada debochada.

— Garotinha, você sabe com quem está falando?

Valentina ficou séria.

— Sei perfeitamente.

— Então deveria aprender a maneira correta de tratar um cliente.

Dante deixou o grupo com quem conversava e caminhou até eles.

— Talvez seja o senhor quem precise aprender a maneira correta de falar com uma mulher.

Augusto se virou, indignado com a audácia de quem quer que fosse.

— Morelli.

Dante parou ao lado de Valentina.

— Sampaio.

— Não estou falando com você.

— Agora está.

Valentina olhou para Dante, surpresa. Augusto soltou uma risada sem graça.

— A empresa dela cometeu um erro.

— Eu ouvi a conversa. A alteração não partiu da empresa dela.

O homem apertou os lábios.

— Não sabia que você tinha interesse na organização do evento.

Dante colocou uma das mãos no bolso.

— Não tenho. Tenho interesse em educação.

O silêncio entre os dois durou alguns segundos.

Augusto percebeu os olhares ao redor e desistiu.

— Vou aguardar minha mesa.

— Excelente decisão — respondeu Dante.

O homem se afastou e Valentina cruzou os braços.

— Eu não precisava que me defendesse.

Dante olhou para ela.

— Eu sei.

— Então por que fez isso?

Ele poderia ter dado uma resposta simples, mas não encontrou nenhuma.

— Ele estava sendo inconveniente.

— Homens como ele são inconvenientes desde que aprendem a falar. Estou acostumada.

Dante quase sorriu.

— Isso não significa que precise tolerar.

— E homens como você sempre aparecem para salvar mulheres que acabaram de conhecer?

— Não.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Então devo me sentir especial?

Dante inclinou ligeiramente a cabeça.

— Talvez.

Silêncio.

— Valentina!

Camila surgiu novamente.

— Conseguimos reorganizar tudo.

Valentina desviou os olhos de Dante.

— Ótimo. Já vou.

Ela olhou novamente para ele.

— Obrigada pela intervenção, Sr. Morelli.

— Dante.

Um pequeno sorriso apareceu nos lábios dela.

— Boa noite, Dante.

Ele acompanhou Valentina com os olhos enquanto ela se afastava.

***

Uma hora depois, o jantar transcorreu normalmente. Valentina havia conseguido sentar por alguns minutos quando percebeu Dante conversando com alguns executivos.

De vez em quando, porém, os olhos dele encontravam os seus. Na terceira vez, ela resolveu não desviar e sustentou o olhar.

Dante interrompeu o movimento do copo antes de levá-lo à boca. Ela sorriu discretamente. Depois voltou a conversar com Camila.

Ele respirou fundo. Aquela mulher estava começando a brincar com algo que ele não sabia explicar.

O problema era que ele também não sabia exatamente o que estava fazendo.

Pouco depois, Valentina levantou para acompanhar alguns convidados até a saída. Dante percebeu quando ela pegou a bolsa.

A festa estava terminando e deveria deixá-la ir.

Em vez disso, caminhou em sua direção.

— Está me seguindo, Dante?

— Ainda não.

Ela riu.

— Ainda?

— Foi você quem escolheu a palavra.

— E para onde está indo agora?

— Para casa.

— Sozinha?

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Isso é uma pergunta ou uma investigação?

Dante se aproximou um pouco.

— Curiosidade.

— Achei que homens como você não fossem curiosos.

— Sobre negócios, não.

Ela percebeu a intenção escondida na resposta.

— Boa noite, Dante — disse e passou por ele.

Segurou delicadamente seu braço, fazendo-a parar. Os dois olharam para o ponto em que os dedos dele tocavam sua pele.

Ela a soltou devagar.

— Boa noite, Valentina.

Ela sorriu.

— Foi um prazer conhecê-lo.

Observou-a atravessar o saguão e sair pelas portas do resort. Bruno surgiu ao seu lado alguns segundos depois.

— O carro está esperando, senhor.

Dante continuou olhando para a entrada.

— Bruno.

— Senhor?

— Quero uma ficha completa de Valentina Almeida.

Bruno permaneceu em silêncio por um instante.

— Completa quanto?

— Tudo.

— Formação, empresa, patrimônio, relações profissionais?

— Tudo — repetiu. — Onde estudou, quando abriu a empresa, contratos, sócios, amigos, relacionamentos, propriedades. Quero saber qual é a relação dela com Ricardo Almeida e por que não trabalha para o pai.

O assistente assentiu. Dante caminhou em direção à saída, mas parou depois de alguns passos.

— E descubra se existe alguma ligação dela com os negócios do Grupo Almeida que não seja pública.

— Acredita que ela esteja envolvida?

Dante olhou novamente para as portas por onde Valentina havia saído.

— Não acredito em coincidências.

— Isso faz parte da investigação sobre Ricardo Almeida?

Dante demorou alguns segundos para responder.

— Claro.

Bruno assentiu.

— Entendido.

Dante voltou a caminhar, entrou no carro e não conseguiu tirá-la da cabeça a noite toda.

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