Compartilhar

Capítulo 2

Autor: Ella Ortiz
last update Data de publicação: 2025-03-13 03:09:58

AMÉLIA

Era difícil imaginar alguém com aquele semblante implacável atendendo por um nome tão... comum.

— Arthur... — murmurei para mim mesma, testando o nome em meus lábios.

Liliana me observava com uma mistura de preocupação e curiosidade.

— Você tá falando o nome dele por quê? — ela perguntou, franzindo a testa.

— Só achei curioso. — dei de ombros, mas minha mente continuava presa naquilo.

— Amélia, você tá brincando com fogo. — Ela alertou nem um pouco contente com aquilo. — Não é um cara com quem você deva ter "curiosidades".

Assenti, tentando ignorar a presença inquietante de Arthur. Mas minha mente não parava de questionar.

O que teria levado um homem chamado Arthur a se tornar o Pesadelo?

— Você já conversou com ele? — perguntei, minha curiosidade não deixando espaço para o bom senso.

Liliana me olhou como se eu estivesse louca.

— Claro que não, Amélia. Não se deve conversar com ele. Ele é perigoso. Melhor manter distância.

— Mas... você sabe alguma coisa sobre ele?

Liliana suspirou, percebendo que eu não iria desistir tão facilmente.

— Só sei que ele apareceu aqui há alguns anos e tomou rapidamente o controle do morro. Ninguém sabe muito sobre o passado dele, e quem sabe, não fala sobre isso. É melhor assim.

— Por quê?

— Porque quem se mete onde não deve desaparece.

Assenti novamente, tentando absorver suas palavras. Mas a curiosidade já estava plantada em minha mente, crescendo a cada segundo.

Havia algo em Arthur, ou Pesadelo, que me intrigava.

Algo que eu sentia que precisava entender, mesmo que isso fosse contra todos os avisos e instintos de autopreservação.

Tentando ignorar a presença inquietante de Arthur, voltei ao meu trabalho. Mas mesmo enquanto distribuía alimentos e conversava com as pessoas, a sombra de minha curiosidade sobre ele pairava sobre mim. Eu sabia que esse impulso de querer saber mais poderia ser perigoso, mas não conseguia evitar.

Como alguém tão assustador poderia ter um nome tão bonito? Mas, mesmo enquanto continuava meu trabalho, não conseguia me livrar da sensação de que algo profundo e irrevogável havia mudado naquele momento.

— Vamos terminar logo isso. — Liliana murmurou ao meu lado.

— Você acha que ele tá olhando pra cá? — perguntei, sem conseguir evitar.

— Você quer que eu olhe? — ela riu nervosa. — Eu não sou doida, Amélia.

O que estava acontecendo comigo? Eu não era assim, mas porque queria saber mais sobre ele?

Continuei distribuindo as cestas básicas, mas meus pensamentos estavam dispersos.

A presença de Arthur era uma sombra constante, e eu sentia seus olhos em mim o tempo todo.

Não sabia o que pensar dele. Parte de mim estava assustada, mas outra parte, uma que eu relutava em admitir, estava curiosa.

O que fazia um homem como ele ser tão temido? E por que ele parecia tão interessado em mim?

Enquanto nos preparávamos para ir embora, Liliana se aproximou de mim mais uma vez.

— Estou tão feliz que deu tudo certo. — abriu um sorriso largo. — Agora você tem meu número, pode me ligar sempre que precisar de uma amiga, viu?

— Pode deixar. — respondi, me sentindo feliz por encontrar uma nova amiga. — E você também, precisando de alguma coisa, liga!

PESADELO

O dia começava como qualquer outro. Acordei cedo, como de costume, e dei as minhas ordens para os rapazes.

Havia muitas coisas para resolver no morro, mas uma coisa chamou a minha atenção. Uma movimentação diferente na praça.

Um grupo de pessoas da igreja tinha vindo fazer uma ação social e eu decidi ficar observando de longe, curioso.

Meu olhar passeava pelos voluntários até que se fixou em uma garota. Ela não tinha nada de especial à primeira vista, mas algo nela me prendeu.

Branquinha. Cabelos pretos e longos. Pequena.

E vestida como uma senhora de oitenta anos.

Fiz uma careta.

— Quem é aquela? — perguntei a Maicon, que estava ao meu lado.

Maicon seguiu o meu olhar e identificou a garota.

— Ah, aquela é Amélia, líder do grupo de jovens de uma igrejinha aí. Ela vem de vez em quando com o pessoal da igreja. — disse. — Ela e o padre que vieram perguntar há uns meses se podiam fazer essa parada de doação.

Eu não consegui desviar os olhos dela. Amélia distribuía cestas básicas, sorrindo e conversando com as pessoas, como se realmente se importasse. E, de alguma forma, aquilo me incomodava e me atraía ao mesmo tempo.

Ela estava tão feliz só por estar ajudando alguém? Assim, sem ter nada em troca?

Caminhei até um ponto onde podia observar ela mais de perto, mas mantendo uma certa distância. Não queria assustar ela, pelo menos não ainda.

Eu percebia que ela sentia o meu olhar sobre ela e isso me fazia repetir isso várias e várias vezes.

Vi quando ela levantou os olhos e os nossos olhares se cruzaram.

Liliana, que eu já tinha visto pelo morro, estava ao lado de Amélia. Acho até que ela já teve um rolo com o Maicon, mas eu não tinha certeza.

Vi Liliana cochichar algo para ela e percebi que Amélia tentava evitar me olhar. Isso apenas aumentava meu interesse.

A maioria das pessoas evitava meu olhar por medo, mas nela havia algo diferente, algo que eu queria entender. Continuei observando enquanto eles trabalhavam.

O dia passava e eu não conseguia desviar a atenção dela e quando a ação social estava chegando ao fim, vi Amélia se despedir de Liliana e começar a caminhar de volta para casa. Senti uma necessidade de seguir ela, de saber mais sobre ela, mas me contive. Haveria tempo para isso. Eu sabia que aquele não era um encontro qualquer.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Seduzida por Ele: Dono do Morro   Epílogo

    AMÉLIANos meses que se seguiram, nossa vida mudou de formas que nunca imaginamos. O amor do Arthur e a dedicação dele se intensificaram ainda mais. Ele fazia questão de estar presente em todas as consultas médicas, cuidando de mim com uma ternura que poucos conheciam. Nossa casa, que antes parecia tão grande e vazia, agora estava cheia de risos, preparativos e expectativas.Nosso pequeno milagre estava bem próximo.Mas enquanto nossa felicidade crescia, percebi mudanças ao nosso redor que não consegui ignorar. Havia algo no ar.Minha mãe estava diferente. Ela parecia mais leve, mais viva, quase como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros.No entanto, eu não podia ignorar os momentos estranhos que flagrava entre ela e PH. Não era só minha imaginação, havia algo ali, eu sentia isso.Os olhares prolongados que trocavam, cheios de significados não ditos, os sorrisos disfarçados que escapavam quando pensavam que ninguém estava olhando.Houve uma vez, em particular, que não consegui

  • Seduzida por Ele: Dono do Morro   Capitulo 56

    AMÉLIAEstávamos deitados no sofá da sala, aproveitando a noite tranquila. Eu estava aninhada no peito de Arthur, sentindo o calor e o conforto de estar nos braços dele. A TV estava ligada, mas eu mal prestava atenção ao filme que passava. Era apenas um ruído de fundo, algo para preencher o silêncio enquanto minha mente vagava pelas lembranças de tudo o que tínhamos passado para chegar até aqui.Eu sentia a respiração calma de Arthur contra o meu cabelo, o ritmo constante do seu peito subindo e descendo sob minha cabeça. Era um som reconfortante, que me trazia uma sensação de segurança. Eu me lembrava de como ele sempre esteve lá para mim, mesmo quando eu me sentia perdida e assustada.Minhas lembranças me levaram de volta ao dia em que nos vimos pela primeira vez. Eu era apenas uma garota assustada, ajudando em uma ação social na comunidade.Nunca imaginei que aquele encontro mudaria minha vida para sempre.Arthur, o dono do morro, parecia tão distante, tão inacessível... tão perigos

  • Seduzida por Ele: Dono do Morro   Capitulo 55

    JUSSARAOlhei para o relógio, buscando uma desculpa para ir embora. Não queria atrapalhar a diversão de ninguém, muito menos da minha filha.Era exatamente 16h20.Resolvi que já era hora de ir embora.Levantei os olhos e vi PH conversando com Arthur e Maicon, cujo nome eu não lembrava, mas que Amélia tinha me dito há pouco. PH sempre dava um jeito de me olhar durante a conversa, e eu não gostava de como isso me fazia sentir. Algo dentro de mim, adormecido há anos, parecia despertar. Uma sensação de calor no estômago, um nervosismo que eu não conseguia controlar.Nossos olhares se encontraram por um momento, e senti uma corrente elétrica passar por mim. O rosto dele estava sério, mas eu sabia que era tudo fingimento. Ele sabia o efeito que tinha sobre mim e parecia se divertir com isso.Seus olhos passearam lentamente pelo meu corpo, fazendo eu me sentir exposta e vulnerável. Meu coração acelerou, e eu tive que desviar o olhar, tentando recuperar a compostura. PH arqueou uma sobrancelh

  • Seduzida por Ele: Dono do Morro   Capitulo 54

    JUSSARAO sol brilhava intensamente sobre o quintal da casa de Arthur e Amélia, onde um churrasco animado estava em pleno andamento. A churrasqueira estava acesa, e o cheiro de carne grelhando se misturava com as risadas.Eu observava todos, tentando me sentir parte daquele momento, mas a verdade era que me sentia deslocada. Minha filha estava à vontade, conversando com os amigos e rindo com Arthur.Eles pareciam tão felizes.Olhei ao redor e vi dois homens e uma mulher. Amélia tinha dito que aquela era Liliana, mas os outros dois eu não lembrava o nome.Era como se todos ali tivessem um lugar, menos eu. A única que conversava comigo era minha filha.— Mãe, você tá bem? — Amélia perguntou, percebendo meu desconforto.— Tô sim, filha. — respondi, forçando um sorriso. — Só um pouco cansada. Acho que daqui a pouquinho vou embora.Eu olhava ao redor, vendo os outros se divertirem, e me sentia ainda mais diferente, fora do lugar.— Acho que o carvão tá acabando. Vou buscar mais lá dentro.

  • Seduzida por Ele: Dono do Morro   Capitulo 53

    AMÉLIAMinha mãe abaixou a cabeça, eu podia ver a culpa e a vergonha no seu rosto. Eu podia ver que as palavras do Arthur a machucavam, e mesmo assim ela não contestou. Em vez disso, levantou a cabeça novamente e olhou diretamente para ele.— Deixe, filha. É a verdade. — disse ela, sua voz fraca, mas firme. — Eu falhei com Amélia de maneiras que nunca poderei perdoar a mim mesma. Eu deveria ter visto o que estava acontecendo, deveria ter protegido a minha filha. Mas fui cega e fraca. — fez uma pausa, engolindo em seco antes de continuar. — Mas quero que saiba que eu vou fazer de tudo para recuperar a confiança dela... E fazer com que você também acredite em mim, Arthur.Arthur ainda parecia relutante, mas o olhar da minha mãe o fez parar por um momento.— Vou provar a vocês que sou capaz de mudar, de ser uma mãe melhor, uma pessoa melhor. — ela disse, olhando para mim com uma expressão de súplica. — Eu sei que não mereço perdão, mas vou lutar para reconquistar sua confiança, Amélia.A

  • Seduzida por Ele: Dono do Morro   Capitulo 52

    AMÉLIA— Você está sozinha, mãe? — perguntei, notando a ausência de Agenor.Minha mãe balançou a cabeça, concordando, mas seu olhar estava cheio de hesitação.— Sim, estou. — ela disse, e então, depois de um momento de silêncio, acrescentou: — Agenor e eu começamos a brigar muito depois que você foi embora. Assim que eu pedi o divórcio, ele foi preso.Fiquei surpresa.— Por quê?Minha mãe suspirou.— Estupro de vulnerável. Foi pego em flagrante molestando duas crianças da igreja.Senti um nó se formar na minha garganta. Embora soubesse que algo assim poderia acontecer, ouvir as palavras de minha mãe tornou tudo ainda mais real. — Eu sabia que algo assim iria acontecer uma hora ou outra. — sussurrei, mais para mim mesma do que para ela.— Você está indo visitar ele? — perguntei, embora já soubesse a resposta.Minha mãe negou veementemente. Mais um vez ficou surpresa.— Não. Já estávamos separados há um tempo quando isso aconteceu e logo depois, o divórcio saiu.Houve um momento de sil

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status