LOGINELE A CONTRATOU PARA CUIDAR DE SEU FILHO. ELA ACEITOU O EMPREGO PARA DESVENDAR O ASSASSINATO DO PRÓPRIO PAI. EM UMA MANSÃO ONDE CADA SORRISO ESCONDE UMA FACA, ELES VÃO BRINCAR DE AMOR E MORTE. Sofia Ramos parece a babá perfeita para o pequeno Léo, especialista em traumas infantis, paciente, dedicada. Mas seu diploma é falso, seu nome é inventado, e seu objetivo nada tem a ver com cuidados infantis. Ela é Sofia Martins, filha do detetive que desapareceu ao investigar a misteriosa morte de Clara Valente. E entrou na mansão para fazer justiça com as próprias mãos. Dante Valente é o CEO mais poderoso e enigmático do país. Viúvo, obcecado, ele observa cada movimento de Sofia com olhos que misturam luto… e um desejo que beira a perversão. Presentes caros aparecem em seu quarto. Toques “acidentais” se tornam cada vez mais ousados. E uma pulseira idêntica à que pertencia à sua esposa morta é oferecida com uma inscrição perturbadora: “Agora você é minha.”
View MoreSofia desceu as escadas da ala leste às 7h45 em ponto, os passos amortecidos pelo tapete persa. Vestia calça preta de alfaiataria, blusa branca de mangas compridas abotoada até o penúltimo botão, cabelo cacheado preso em coque baixo e prático. Nada chamativo. Nada vulnerável. A noite inteira havia sido um ciclo de insônia: virar a peça do quebra-cabeça entre os dedos, reler a inscrição “Ele sabe” em letra feminina curvada, até que as palavras parecessem tatuadas na pele. Guardara-a dentro da caixa de música antiga que Marco lhe dera, um mecanismo delicado que tocava uma melodia lenta e melancólica. Agora, o objeto parecia mais âncora do que presente.Ao entrar na sala de jantar, o aroma de café fresco, pão quente e algo cítrico a envolveu. Mas o ambiente não acolhia: era um palco armado para confronto. Dante ocupava a cabeceira, impecável em camisa cinza-escura e calça social preta, olhos âmbar fixos no tablet. Isadora sentava-se à direita dele, robe de seda azul-marinho, cabelo ainda
— Eu investigo tudo que entra na minha casa. — Ele se virou, seu rosto agora sério. — Especialmente quem cuidará do meu filho. Você acha que isso é invasivo? Talvez. Mas necessário.Sofia levantou-se, as pernas trêmulas.— Eu devia ir.— Por quê? Porque eu sei sua dor? — Ele deu um passo à frente. — Porque eu sei como é perder alguém de forma violenta e abrupta? Como é acordar todos os dias com a pergunta ‘e se’?Ela recuou, mas sua costas encontrou a estante de livros. Não havia para onde ir.— Eu não preciso da sua empatia, — ela disse, sua voz controlada mas tensa.— Não estou oferecendo empatia. Estou oferecendo… reconhecimento. — Ele parou a meio metro dela, perto o suficiente para que ela visse as pequenas fissuras em sua compostura, os círculos quase imperceptíveis sob os olhos, a linha tensa da mandíbula. — Você e eu, Sofia… somos sobreviventes. Mas sobreviver não é o mesmo que viver. Léo nem mesmo sobreviveu. Ele apenas… existe.Sua raiva dissipou-se, substituída por algo mais
— Não sou uma pedagoga comum. — Ela manteve seu olhar. “Perdi meus pais quando criança. Sei como é quando o mundo para.”A revelação pairou no ar entre eles. Dante não ofereceu condolências, nem a olha de pena que Sofia detestava. Apenas assimilou a informação, arquivando-a.— Por que você quer este emprego, Sofia? — A pergunta veio mais suave agora. — Você poderia trabalhar em uma escola, um hospital. Lugares com horários normais, crianças… normais.— Crianças que perderam pais não são anormais. São feridas. — Ela fez uma pausa. — E talvez eu queira este emprego porque entendo Léo melhor do que alguém com uma família intacta jamais poderia.Dante se levantou, caminhando até a escrivaninha. Ele pegou uma fotografia em um porta-retratos de prata, não olhou para ela, mas seus dedos traçaram a moldura.— Minha esposa, Clara, era psicóloga infantil. Ela trabalhava com crianças traumatizadas. — Ele se virou, a foto ainda em suas mãos. — É irônico, não? A especialista em trauma não consegui
O menino não respondeu. Seus olhos estavam fixos em Sofia, estudando sua reação com intensidade perturbadora.Sofia não mostrou surpresa. Não mostrou alarme. Inclinou-se para frente, examinando o desenho como se fosse uma obra de arte em uma galeria.— Esta estrada, — disse ela, apontando para uma das linhas. — É movimentada? Passam muitos carros?Léo olhou para ela. Seus lábios se moveram – um tremor quase imperceptível. Nenhum som saiu, mas a forma que seus lábios fizeram foi clara:— Não.— É uma estrada quieta, — ela interpretou. — Onde coisas importantes acontecem.Ele abaixou a cabeça em um movimento minúsculo, quase um aceno.Na porta, Isadora estava completamente imóvel. Seu rosto havia perdido um pouco de sua compostura, revelando algo por baixo, não preocupação, mas… vigilância intensificada.— Obrigada por me mostrar, — disse Sofia ao menino. — É um lugar importante para você.Léo estendeu a mão novamente. Mas não pelo desenho. Pelo lápis vermelho que ela havia trazido. Ele






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