MasukLiam engoliu em seco.— Eu quero envelhecer com ele. Quero continuar brigando com ele pelas coisas mais idiotas, quero continuar chamando ele de ranzinza quando estiver insuportável, quero criar nossos filhos com ele... — Ela voltou os olhos azuis para Fabrício. — Eu quero ficar com meu marido até que a morte nos separe. Porque eu acredito, de verdade, que nós somos um encontro de almas.Fabrício não respondeu imediatamente.Apenas passou a mão pelo rosto da filha, emocionado.— E sabe qual era uma das coisas que eu mais queria quando pensava em ter filhos?Ele negou devagar.— Que meus filhos tivessem um pai como o meu.A expressão de Fabrício se desfez.— Olívia...— É verdade. — Ela voltou a chorar, mas agora sorriu. — Eu sempre olhei para o senhor com a mamãe, olhei para a forma como cuidava de mim e do Victor, e pensava que, se um dia tivesse filhos, queria dar a eles isso. Queria que meus filhos soubessem o que é olhar para o pai e se sentir seguros.Fabrício baixou os olhos, ve
Ana fechou os olhos.— Eu sei, meu amor.— Eu juro que não queria morrer. — Olívia agarrou a mão dela, chorando. — Eu só... eu não aguentava mais. Eu queria parar de sentir, mãe. Só isso. Queria que aquela dor acabasse. Queria acabar com todo aquele sofrimento.Fabrício chorou abertamente.— Filha...Ela virou o rosto.Fabrício segurou a bochecha dela com a mão trêmula.— Eu podia ter perdido você.Olívia ficou olhando para ele.— Papai...— Eu podia ter recebido uma ligação dizendo que minha filha tinha morrido. — A voz dele se quebrou completamente. — Depois de passar a vida inteira dizendo que você nunca estaria sozinha... minha menina chegou a um lugar em que acreditou que não aguentava mais viver.— Pai, não foi culpa sua.— Como não?— Porque não foi!— Eu sou seu pai!— E é o melhor pai do mundo para mim!Fabrício fechou os olhos, chorando.Olívia segurou o rosto dele entre as mãos.— Olha para mim, pai. Olha para mim.Ele abriu os olhos.— O senhor não falhou comigo. Nunca. Eu
O lábio de Olívia tremeu.— Eu fui tão burra...— Não fale assim da minha filha.— Pai...— Você confiou em um homem que estava há três anos ao seu lado. Confiar em quem dizia amar você não é crime. — A voz de Fabrício falhou. — Crime foi o que ele planejou fazer com a minha menina.Olívia fechou os olhos e abaixou a cabeça.Fabrício a puxou novamente contra o peito.— Quando Liam me contou... — Ele parou, incapaz de continuar por alguns segundos. — Meu Deus, filha...Olívia apertou os olhos.— Pai, não...— Eu fiquei pensando em você naquela noite. — Fabrício beijou os cabelos dela enquanto chorava. — Minha menina indo para aquele hotel acreditando que o homem com quem estava havia três anos finalmente ia pedi-la em casamento.Ana cobriu a boca, chorando.— Você estava feliz, não estava? — perguntou Fabrício.Olívia demorou a responder.— Muito.Aquela única palavra destruiu o pouco controle que restava nele.— Meu Deus...— Eu tinha escolhido a roupa, pai. — Olívia soluçou contra o
Liam não tentou se aproximar.— Porque eu precisava parar de esconder dele coisas que diziam respeito à filha dele. — Liam sustentou o olhar dela, sem tentar diminuir o peso do que havia feito. — E porque eu queria recomeçar com você da forma certa, amor. Sem mentiras, sem segredos, sem nada do nosso passado escondido debaixo do tapete. Se eu estava pedindo para você construir uma vida nova comigo, eu precisava primeiro resolver tudo aquilo que ainda estava pendente entre nós e as pessoas que amamos.— Mas era eu quem tinha que decidir isso! — Olívia bateu a mão contra o próprio peito, desesperada. — Era eu! Eu ia contar quando conseguisse. Quando soubesse que ele estava bem, quando eu tivesse coragem... Eu não queria que meu pai soubesse dessas coisas desse jeito.— Eu sei.— Para de dizer que sabe! — A voz dela subiu antes de se desfazer completamente. — Você não sabe como eu passei a vida inteira tentando não preocupar esse homem.Fabrício se levantou.— Minha filha...Olívia virou
Ísis riu baixinho.— Ele ficou com tanto ciúme assim?— Ficou. Só que o meu marido é fino. Edgar não faz barraco, não rosna, não mija no poste para marcar território. — Laura fez uma pausa e olhou para o marido do outro lado da sala. — Ele fica calmo.Olívia franziu a testa.— E isso é pior?— Muito. — Laura voltou-se para ela imediatamente. — Porque vem aquele “Loirinha...” baixinho. Quando o Nego fala “Loirinha” devagar demais, eu já começo a revisar mentalmente minhas últimas vinte e quatro horas.As duas riram, e Laura precisou levar o indicador aos lábios.— Vocês querem que ele escute? Depois quem vai enfrentar aquele homem na cama sou eu.— Você não acabou de dizer que ele é calmo? — Ísis provocou.— E é. Mas na cama…Olívia balançou a cabeça, ainda sorrindo.— Mas ele nunca implicou com você por causa do Victor?— Não. — Dessa vez, o sorriso de Laura se tornou mais suave. — Como já disse, o Nego nunca jogou homem nenhum do meu passado na minha cara. Pelo contrário. Ele sustent
Victor olhou ao redor da sala por alguns segundos, como se lamentasse precisar interromper aquele momento.— Era isso que eu tinha para falar. Está muito bom ficar aqui com vocês, mas eu realmente preciso ir.Olívia se aproximou com Meredith no colo e abraçou o irmão com o braço livre.— Boa viagem, irmão. A gente vai se falando por telefone, está bem?— Todos os dias, se você quiser.Olívia sorriu e beijou a bochecha dele.— E eu estou muito orgulhosa de você, Victor. De verdade. Estou vendo o quanto você mudou, o homem que está se tornando... e fico muito feliz por você.Victor a abraçou um pouco mais forte antes de beijar a testa dela.— Obrigado, irmã. Eu também estou feliz. Acho que finalmente estou aprendendo algumas coisas.— Já estava na hora.Ele riu.— Não perde a oportunidade, né?— Sou sua irmã. É praticamente uma obrigação.Victor então voltou a atenção para Meredith e acariciou a bochechinha da sobrinha.— E você, princesinha, enquanto o tio estiver longe, se comporta. —







