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CAPÍTULO 4

Serein M
Eu congelei, enquanto encarava o novo espetáculo que Isabella estava encenando. Aquilo era pior do que qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado.

Lá embaixo, os membros da alcateia soltaram exclamações assustadas quando o cheiro de sangue se espalhou pelo ar.

— Socorro! Alguém está ferido!

O grito despedaçou o silêncio. Passos apressados vieram de todas as direções.

— Isabella!

O rugido de Damien cortou o ar como um golpe físico.

Ele correu até ela, e olhou fixamente para os ferimentos ensanguentados em sua garganta. Então a recolheu nos braços.

O rosto de Isabella estava pálido, enquanto o sangue jorrava do pescoço.

— Amor, acorda! — a voz de Damien tremia de fúria e medo.

Os outros membros da alcateia se amontoaram ao redor, e os olhares que lançaram para mim eram como punhais.

— Ela atacou a Isabella! — alguém gritou, apontando para mim. — Seraphina tentou matar a Luna!

— Eu senti o cheiro da luta! Foi ela!

— Assassina!

Abri a boca para me explicar, mas nenhum som saiu.

Aquilo era mil vezes pior do que na vida passada.

— N-Não... não foi culpa dela... — As pálpebras de Isabella estremeceram ao se abrir, e sua voz saiu num sussurro fraco e lastimável.

Todos ficaram em silêncio.

— Isabella, não fale. O médico já está vindo. — Damien a apertou ainda mais contra si.

— Não foi... culpa dela... — ela soluçou. — Ela só... só perdeu o controle... Por favor, não culpem ela. Eu sei que ela tem ciúmes de mim, mas...

As palavras dela foram gasolina jogada no fogo.

— Ela enlouqueceu!

— Como Seraphina pôde fazer isso?! Ela é um monstro!

— Chega! — Damien se pôs de pé num salto, e um inferno assassino ardia em seus olhos.

Ele avançou na minha direção, sua aura Alfa despencou sobre mim como uma onda esmagadora.

— As câmeras... — consegui forçar as palavras para fora. — Verifiquem as câmeras...

— Cale a boca! — O rugido dele fez meus ouvidos zunirem. — A prova está na garganta dela! Você ainda ousa mentir na minha cara?

Então ele se virou para os guardas.

— Tragam ela para mim!

Dois guardas avançaram de imediato. Eles agarraram meus braços com força brutal, me arrastaram pelo chão e me atiraram aos pés de Damien.

Meus joelhos bateram no mármore gelado.

Minha cabeça se chocou contra o chão com violência.

A dor explodiu na mesma hora. O sangue escorreu da minha testa, embaçando minha visão.

— Olha o que você fez! — Damien se ergueu sobre mim, a voz baixa, carregada de ameaça. — Você tentou matar a futura Luna só para chamar a minha atenção?

— Eu não...

— Ainda está negando?!

O corpo dele começou a mudar.

Os ossos estalaram com um som horrível. As unhas cresceram, afiando-se até virarem garras cruéis.

— N-Não... Damien, não... — recuei para trás em pânico, tentando escapar.

Mas não havia saída.

Ele agarrou um punhado do meu cabelo e puxou minha cabeça para trás. As garras dele brilharam diante dos meus olhos.

— Você queria marcar a garganta dela? — Damien zombou, com o rosto coberto por pura crueldade. — Então vamos ver se você gosta disso também!

No segundo seguinte, as garras geladas dele rasgaram minha bochecha.

A carne se abriu. O sangue jorrou.

A agonia foi tão intensa que quase apaguei.

A multidão arfou em choque, mas ninguém se moveu para impedi-lo.

Damien lambeu o sangue de suas garras, como um predador provando a própria presa.

Ele estava prestes a atacar de novo quando, de repente, congelou.

As pupilas dele tremeram violentamente, e seus olhos se fixaram no meu rosto coberto de sangue.

Naquele instante, algo estranho mudou no olhar dele.

— Não... — ele sussurrou, tão baixo que só eu consegui ouvir. — E eu não me importaria nem um pouco de despedaçar você toda de novo! Agora ajoelhe-se e implore!

De novo?

Ele se lembrava.

Ele se lembrava da vida passada.

Encarei aquele rosto distorcido, e um frio profundo percorreu meus ossos antes de se transformar numa maré avassaladora de ódio.

Na nossa vida passada, Damien me humilhou, me matou... e queria fazer tudo de novo?

— Eu me recuso — falei, com a voz baixa e dura.

— O que foi que você disse?!

Cuspi sangue no rosto dele.

— Damien, seu covarde nojento! — eu gritei. — Morra de uma vez!

— Então morra você!

Ele perdeu completamente o controle e ergueu as garras para arrancar minha garganta.

BOOM!

O salão inteiro tremeu.

Antes que as garras de Damien pudessem tocar em mim, um poder real e esmagador despencou sobre todos.

Uma voz glacial trovejou pelo salão.

— Quem lhe deu o direito de tocar na minha companheira?!
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