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CAPÍTULO 3

Serein M
Ao amanhecer, Caspian partiu de avião para as alcateias do Sul para resolver assuntos da alcateia.

Antes de ir embora, ainda com a respiração irregular, ele se inclinou até meu ouvido e fez uma promessa em voz baixa:

— Voltarei em breve. E, quando eu voltar, vou oficializar tudo.

Eu não perguntei o que ele quis dizer.

Assim que o Caspian soubesse que eu carregava o seu filhote, ele me faria sua Rainha.

Mas os dias em que ele ficou longe foram um verdadeiro inferno.

Minha conversa com Isabella tinha sido ouvida.

Os membros da alcateia passaram a acreditar que eu tinha seduzido um guarda qualquer.

Ao mesmo tempo, Damien anunciou publicamente, durante uma reunião da alcateia, que Isabella era sua única e futura Luna. Ele exigiu que todos a tratassem com o mesmo respeito que davam a ele.

— Você ouviu? A nossa tão certinha organizadora de cerimônias enlouqueceu de vez.

Os cochichos no refeitório vinham como dardos envenenados.

— Dormir com um guarda? Ela não tem vergonha nenhuma. — Alguém comentou.

— O jovem mestre Damien não quer mais saber dela. Agora ela precisa se contentar com um ninguém qualquer para matar a vontade. — Outra disse.

Ninguém me viu entrar na suíte do Rei, então todos fofocavam sem o menor receio.

Damien ouviu tudo.

O rosto dele ficou sombrio, mas ele não disse uma única palavra para me defender. Apenas se virou e foi embora.

Os membros da alcateia que queriam bajular a futura Luna começaram a me desafiar abertamente.

Baixei os olhos para a mesa e larguei o garfo. Meu prato estava intocado.

Eles tinham mexido na minha comida.

Um cheiro rançoso de óleo de peixe subia do bife. O pão tinha fragmentos de vidro. Na sopa, uma substância escura boiava na superfície.

— O que foi? Não vai comer? — Uma criada se aproximou com um sorriso falso. — Nós preparamos isso especialmente para você.

Os olhos dela estavam cheios de malícia. Eu sabia que aquilo tinha sido obra de Isabella.

Levantei sem dizer nada.

Saí do refeitório ao som das risadas deles.

— Senhorita Seraphina, há um problema no salão de baile — o mordomo veio correndo.

Corri até o salão e o encontrei em ruínas. As flores estavam rasgadas e espalhadas pelo chão.

O lustre de cristal tinha sido reduzido a pedaços.

A celebração da lua cheia, que eu vinha planejando, estava destruída.

— Que pena. — A voz de Isabella veio da porta. — Ouvi dizer que essa cerimônia era muito importante para você.

Ela estava cercada por várias lobas de alta posição da alcateia, todas com sorrisos debochados no rosto.

— Agora que a celebração foi cancelada, o seu trabalho também acabou. — Isabella soltou um suspiro teatral. — Mas não se preocupe. Ouvi dizer que você já tem novos... planos de carreira?

Uma gargalhada áspera ecoou ao meu redor.

Fechei os punhos, deixando as unhas afundarem na palma da minha mão.

— E tem mais uma coisa. — Isabella deu um passo à frente. — Ouvi dizer que você anda bem íntima dos homens da patrulha.

Mentiras.

Mentiras espalhadas por ela.

— É tão preocupante... — Ela baixou a voz, cada palavra pingando veneno. — Uma mulher tão desesperada a ponto de se atirar naqueles guardas grosseiros. Você está tão desesperada assim? Está tentando engravidar de algum vira-lata só para manter seu lugar nesta alcateia?

As mulheres atrás dela explodiram em mais uma rodada de risadas e zombarias.

— Ah, eu disse alguma coisa errada? — Isabella perguntou, admirando suas unhas manicuradas.

— Pensando bem, com um sangue tão fraco quanto o seu, qualquer filhote que saísse de você serviria no máximo para ser um criado.

Meu sangue ferveu. Eu queria arrancar o rosto dela com as próprias mãos.

Mas eu não podia.

Não ali. Não naquele momento.

— Já terminou? — Minha voz saiu completamente calma.

Isabella piscou, depois torceu os lábios num sorriso de desprezo.

— Continua bancando a durona. Isso não vai durar muito.

Ela se virou e foi embora, seguida pelas outras.

Todas elas eram cachorras de Isabella, tentando me expulsar à força. Eu não lhes daria a satisfação de me ver quebrar.

Quando a noite caiu, eu estava voltando para o meu quarto quando encontrei Damien retornando da parte externa da mansão.

Ele me empurrou contra a parede.

O cheiro poderoso de Alfa dele caiu sobre mim como uma rede, me prendendo, dificultando até respirar.

— Você está tão desesperada assim? Não consegue passar um segundo sem homem?

O rosto dele estava inexpressivo, mas o desprezo em seus olhos era evidente.

Entrei em pânico e tentei me soltar, porém a força dele era esmagadora.

— Está falando de você mesmo? — encarei os olhos dele, com a voz baixa e firme.

Os olhos de Damien arderam de raiva.

— Sua vadia! Uma mulher como você é capaz de qualquer coisa.

Ele me encarou como se quisesse atravessar meu rosto e enxergar minha alma.

Talvez a minha resistência o tenha irritado.

— Seraphina — ele disse —, eu posso manter você ao meu lado. Mas minha Luna sempre será Isabella.

Meu mundo escureceu.

Todos aqueles anos em que eu o amei... tudo não passou de uma piada.

— Vá para o inferno.

De repente, Damien agarrou meu queixo.

— O quê? Quer procurar outro homem? Seraphina, não abuse da sorte!

— Você me pertence! Caso contrário...

O aperto dele era brutal, e a carne macia das minhas bochechas começou a doer.

Ele me encarou por alguns segundos. Então afrouxou a mão e a deslizou até meu rosto, acariciando minha pele.

A expressão dele ganhou um ar astuto.

— Apenas seja uma boa menina.

— Eu não posso me casar com você, mas posso te dar todo o resto.

Fiz uma careta de repulsa.

— Damien! Eu recuso.

Ele explodiu de raiva, agarrou meu cabelo e bateu minha cabeça contra a parede.

— Você veio para a alcateia Lua Crescente só para dormir com outros homens? Ótimo! Então suma daqui! A nossa alcateia não precisa de uma mulher nojenta como você!

Consegui me soltar e saí correndo.

Ir embora era, na verdade, uma boa ideia. Eu precisava de um lugar tranquilo para a minha gravidez.

Mal virei a esquina, Isabella surgiu e bloqueou meu caminho.

— Seraphina — ela zombou —, tentando roubar o meu companheiro?

Fiquei sem palavras. Estava cansada demais para lidar com as provocações dela. Tentei passar ao lado.

— Não ouse me dar as costas! — ela gritou, avançando e agarrando meu braço.

Arranquei o braço da mão dela com um rosnado:

— Tira a mão de mim!

Isabella tropeçou para trás.

Por uma fração de segundo, os olhos dela enlouqueceram, como se uma ideia súbita e aterrorizante tivesse surgido em sua mente. Um sorriso cruel retorceu seus lábios.

— Você vai pagar por isso, cadela! — ela sibilou.

Antes que eu pudesse reagir, Isabella arrastou as próprias unhas perfeitamente feitas pela própria garganta. Quatro cortes profundos e sangrentos apareceram na mesma hora.

Então emitiu um grito agudo e penetrante, cheio de um terror absolutamente falso.
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