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Capítulo 5

Author: Pouco Poder
Depois de voltar da escola infantil, Giovanna começou a entrar novamente em contato com advogados.

Para evitar João, fez questão de descartar todos os advogados de divórcio do Reynolds Legal Group.

Porém, depois de procurar por todos os lados, percebeu que vários escritórios renomados da Cidade do Mar se recusavam a assumir o caso.

O pai de Samuel era o prefeito, uma figura poderosa.

Nenhum advogado estava disposto a comprar briga com a família Gomes por causa de um simples processo de divórcio.

Giovanna passou o dia inteiro fazendo ligações e, finalmente, no fim da tarde, conseguiu contato com uma advogada chamada Josiane.

Josiane disse estar disposta a assumir o caso.

As duas marcaram de se encontrar no fim da tarde, no Jardim das Folhas.

O local foi escolhido por Josiane, que afirmou ser um lugar mais tranquilo.

Depois de deixar Júlia aos cuidados de Patrícia, Giovanna chamou um táxi e foi ao encontro.

Quando chegou, Josiane já aguardava.

— Sra. Giovanna, o trajeto deve ter sido cansativo. Tome um chá para se aquecer um pouco. — Disse Josiane, com um sorriso suave e uma postura extremamente cordial.

Ela pegou o bule e despejou um fio de chá claro na xícara de Giovanna.

— Obrigada.

Giovanna segurou a xícara, mas não bebeu de imediato.

Só depois de ver Josiane tomar todo o chá da própria xícara é que deu um pequeno gole.

As duas trocaram algumas palavras de cortesia e então entraram no assunto principal.

Depois de se informar sobre a situação do casamento entre Giovanna e Samuel, Josiane perguntou:

— Você disse que o seu marido te agrediu. Você tem alguma prova direta disso? Por exemplo, imagens de câmeras de segurança ou testemunhas.

Giovanna balançou a cabeça:

— Não.

Aquela havia sido a primeira vez que Samuel a agredira.

Ela não imaginava que ele chegaria a esse ponto, muito menos pensou em registrar qualquer coisa com antecedência.

— Eu não tenho provas diretas, mas chamei a polícia. Existe o registro da ocorrência.

Josiane analisou o boletim policial e perguntou:

— Quando a polícia chegou, o seu marido não estava lá?

— Ele soube que eu ia chamar a polícia e fugiu antes.

— Ou seja, foi um chamado unilateral, sem provas concretas. — Josiane arqueou a sobrancelha. — Então como você prova que houve violência doméstica? Existe a possibilidade de que ele nem estivesse no local e que você esteja fazendo uma falsa acusação.

Giovanna ficou paralisada.

Um arrepio gelado subiu pela espinha:

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que o Sr. Samuel, na verdade, não te agrediu. Você estaria inventando essa história para conseguir uma divisão de bens mais vantajosa no divórcio.

— Isso não é verdade!

— Se é verdade ou não, você mesma sabe.

— Se você é o tipo de advogada que faz esse tipo de suposição leviana sobre a própria cliente, então não há mais nada a ser discutido.

Giovanna pegou a bolsa e se levantou, mas, assim que ficou de pé, sentiu a cabeça girar.

A visão ficou turva, e o rosto sorridente de Josiane começou a se mover diante dos olhos dela, se multiplicando em imagens sobrepostas.

— Minha cabeça está girando, você colocou alguma coisa no chá...

— Eu não fiz isso. Não venha me acusar. — Disse Josiane, contornando a mesa e segurando o braço de Giovanna. — Talvez seja só hipoglicemia. Descansa um pouco e vai ficar tudo bem.

O mundo começou a rodar.

O corpo de Giovanna amoleceu.

A parte de trás da cabeça bateu contra a cadeira dura, mas quase não doeu.

Uma dormência intensa se espalhava por todo o corpo.

Antes de perder a consciência, ela viu Josiane de pé ao seu lado, olhando de cima para baixo.

O semblante já não tinha nenhum traço de gentileza, apenas a frieza de quem havia concluído uma tarefa.

— Já confirmei. Ela não tem nenhuma prova de violência doméstica. — Disse Josiane, num tom leve, como se buscasse reconhecimento. — Conforme o senhor ordenou, ela já caiu...

Giovanna entendeu tudo num lampejo.

Aquela mulher havia sido enviada por Samuel.
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