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Capítulo 6

Author: Pouco Poder
Giovanna acordou novamente, desta vez em um quarto desconhecido.

A cabeça doía intensamente, e as pálpebras pareciam pesadas demais para se erguer.

Levou um bom tempo até que a visão começasse, aos poucos, a se ajustar.

Era um quarto amplo. Acima da cabeceira havia uma enorme pintura a óleo.

O teto, de cor única, tinha uma sanca com iluminação embutida, que naquele momento estava apagada.

O lustre central tinha um design simples e refletia a luz que vinha do banheiro.

As cortinas cinza estavam totalmente fechadas, isolando a claridade externa e tornando impossível distinguir se era dia ou noite.

Giovanna sentou-se na cama.

No instante em que o cobertor escorregou, percebeu que estava nua.

As roupas que vestia antes haviam sido retiradas e jogadas de forma descuidada no chão.

Felizmente, os lençóis estavam arrumados e, além da dor de cabeça, ela não sentia nenhum outro desconforto no corpo.

Giovanna se inclinou para a frente, prestes a pegar as roupas no chão, quando ouviu um som ao lado — a porta do quarto estava se abrindo.

Alguém entrou.

O coração de Giovanna disparou.

Ela se enrolou rapidamente no cobertor e olhou em direção à porta.

A figura vinha contra a luz, mas dava para perceber que era um homem alto.

À medida que se aproximava, os traços foram ficando nítidos: contornos profundos, feições frias e severas.

Era João.

"Este é o quarto do João?"

"Quem me drogou foi gente do Samuel... como eu vim parar no quarto do João?"

A mente de Giovanna estava em completo caos.

João vestia um sobretudo escuro sobre o terno.

Enquanto entrava, começou a tirar o casaco.

Ao jogar o casaco sobre o sofá, lançou um olhar distraído para a cama, e viu Giovanna.

Havia alguém ali a mais no quarto, sem qualquer explicação. O cenho dele se fechou de imediato.

— O que você está fazendo aqui? — O olhar afiado de João se fixou nela.

Giovanna estava envolta no cobertor dele, com os cabelos longos completamente bagunçados, deixando os ombros brancos à mostra.

No chão, além das roupas, havia também uma peça íntima clara, largada de forma desordenada, como pétalas murchas, bem ao lado dos sapatos dele.

A garganta de João se moveu levemente.

Ele desviou o olhar e deu um passo para o lado.

— Giovanna. — João chamou o nome dela, a voz fria como uma câmara de gelo. — Que truque é esse?

— Eu também não sei como vim parar aqui. Só lembro que fui dopada.

— Dopada?

— Sim, você pode me ajudar um pouco...

— Não posso! — João a interrompeu com firmeza, recusando sem hesitar. — Nem pense nisso. Eu não durmo com mulher casada.

Dormir?

Ficou provado que, quando alguém fica sem palavras, acaba rindo.

Mesmo com a cabeça latejando, Giovanna soltou uma risada irônica.

— João, não entenda errado. O que eu tomei foi um sedativo, não um afrodisíaco. E eu também não quero dormir com você.

— O que eu quero dizer é... você pode virar de costas primeiro? Preciso me vestir.

O clima ficou constrangedor.

João pressionou os lábios finos e se virou rapidamente, ficando de costas para ela.

Giovanna apanhou as roupas no chão e se vestiu o mais rápido que pôde.

Nesse breve intervalo, batidas bruscas ecoaram da porta do quarto ao lado.

— Giovanna, sua vagabunda! Eu sabia que você não prestava! Teve coragem de vir até aqui para me trair! Abre essa porta agora! — Era a voz de Samuel.

— Casal de adúlteros! Saiam já daí! Quero ver quem é o desgraçado que ousa dormir com a minha mulher! Abre essa porta! Saiam agora!

Do quarto ao lado vinham os gritos furiosos de Samuel, misturados ao som de uma mulher gritando.

Giovanna entendeu tudo de imediato.

Desde o momento em que Josiane a drogou até esse suposto [flagrante de traição], tudo fazia parte do plano de Samuel.

Ela só não sabia em que ponto algo dera errado para que fosse enviada, por engano, ao quarto de João.

João também compreendeu rapidamente o que estava acontecendo.

Ele se aproximou da parede que fazia divisa com o quarto ao lado, ouviu por alguns segundos e então curvou levemente os lábios em um sorriso frio.

— Seu marido realmente se deu ao trabalho. — Disse, enfatizando de propósito [seu marido]. — Tudo isso só para garantir que, no divórcio, você não leve absolutamente nada.

Giovanna e Samuel estavam casados havia tantos anos, mas ela nunca tinha sentido aquela relação de interdependência típica de um casal — prosperar juntos, cair juntos.

Ainda assim, naquele momento, sentiu uma vergonha profunda pelos métodos baixos de Samuel.

E também medo.

Por sorte, ela havia sido levada ao quarto errado.

Caso contrário, agora estaria sendo julgada por Samuel do alto de um falso pedestal moral.

No quarto ao lado, Samuel logo percebeu que tinha pegado a pessoa errada.

— O que está acontecendo? Você não disse que a Giovanna estava aqui, traindo? Onde ela está?

O barulho do lado de fora cessou por alguns segundos.

— É aqui mesmo...

— Será que mandaram ela pro quarto ao lado?

Os passos se aproximaram do quarto de João.

— Toc! Toc! Toc!

Samuel começou a bater na porta de João.

As pancadas violentas soavam como tambores, martelando o coração de Giovanna.

— Abre a porta! Giovanna, sai daí agora! Sua vadia! Vocês dois, saiam já!

Giovanna entrou em pânico.

Samuel era autoritário e obstinado; quando colocava algo na cabeça, não desistia.

Se quisesse abrir aquela porta, faria isso — nem que tivesse de arrancar a porta à força.

Ela não podia ser acusada daquela forma. De jeito nenhum.

Giovanna ergueu o olhar e encarou João.

— Me ajuda... — Pediu em voz baixa.

João havia sido arrastado para aquela confusão sem querer.

Um traço de impaciência surgiu entre as sobrancelhas dele, mas a expressão permanecia calma, quase indiferente.

Ele não respondeu de imediato, nem fez menção de ir até a porta. Apenas ficou olhando para Giovanna, em silêncio:

— Por que eu deveria te ajudar?

— Porque agora estou no seu quarto. Estamos no mesmo barco.

— Eu não encostei em você. Não sou o seu amante. Mesmo que ele invada este quarto, não pode fazer nada comigo. — O tom de João era relaxado, como se aquilo não tivesse nada a ver com ele. — Já você, ao entrar no meu quarto, cometeu um ato ilegal.

Essas palavras caíram sobre Giovanna como um balde de água gelada.

— Giovanna, se você não sair agora, eu vou arrebentar essa porta! Vou fazer todo mundo ver como você me traiu pelas costas!

A porta continuava fechada.

Samuel parecia convencido de que ela estava ali dentro.

De um lado, o marido lixo, enlouquecido como um cão raivoso. Do outro lado, estava o ex-namorado, decidido a empurrar ela ainda mais para o fundo do poço.

Giovanna sentiu que havia chegado a um beco sem saída.

"Já que estão me encurralando, então não me culpem se eu resolver afundar todo mundo junto."

Depois de alguns segundos de reflexão, Giovanna avançou de repente até João.

Ficou na ponta dos pés, passou os braços pelo pescoço dele e, antes que ele pudesse reagir, pressionou os lábios com força contra a pele exposta do pescoço dele.

Não foi um toque leve, mas uma sucção intensa.

O corpo de João enrijeceu instantaneamente.

Ele sentiu a leve dor no pescoço, o calor do corpo dela, o perfume suave que a envolvia.

Aquela atitude de Giovanna estava completamente fora de qualquer expectativa.

— Giovanna, você enlouqueceu?!

João empurrou ela, mas já era tarde.

No pescoço dele, uma marca avermelhada surgia rapidamente.

— Você não me tocou, mas eu toquei você. Agora você é o meu amante. — Disse Giovanna, ofegante pelo esforço, com as bochechas coradas. — João, ou você é pego comigo nesse escândalo... ou me ajuda. A escolha é sua.

Ela encarou João diretamente, um sorriso provocador surgindo no canto dos lábios.

João levantou a mão e tocou a pele marcada onde ela havia beijado.

A voz dele saiu mais grave:

— Muito bem. Você tem coragem.
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