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Capítulo 3

Author: Cocojam
Por sete dias seguidos, Rhydian não voltou para nossa mansão.

Não perguntei nada. Apenas protocolei o pedido de dissolução do vínculo de companheiros e comecei a fazer as malas.

A primeira propriedade que tínhamos adquirido juntos era uma mansão com vista para o Lago da Deusa Lua. Estava abandonada havia anos.

Guardava pertences pessoais que tinham um valor profundo para mim.

Entrei em contato com a gestora de ativos do clã, planejando recolhê-los e fazer um acerto final com aquela parte do meu passado.

Quando cheguei à porta com a gestora, a encontrei entreaberta. Deveria estar trancada.

De dentro, vinha uma risada abafada de mulher e o murmúrio baixo e suave de um homem.

Pela fresta da porta, vi Rhydian pressionando Isla contra a parede da entrada, beijando seu pescoço, a mão percorrendo as suas costas.

Um instante depois, ele estava dentro dela.

Uma foto nossa, a nossa preferida, costumava ficar pendurada exatamente naquela parede.

A dor familiar e cortante flamejou pelo nosso vínculo de companheiros.

Cravei as unhas nas palmas das mãos, tentando me manter firme.

Soltei o ar devagar e fechei a porta com cuidado, bloqueando a cena nauseante.

A jovem loba ao meu lado olhou boquiaberta, paralisada pelo choque. Não olhei para ela.

— Hora ruim — disse, a voz plana. — A gente volta.

A gestora era uma jovem loba. Olhou para mim com uma mistura de pena e fúria nos olhos.

— Luna, isso… O Alfa foi longe demais! Devo reportar aos Anciãos?

Balancei a cabeça.

— Não. Isso é assunto meu.

Para quê? Gritar? Chorar? O coração dele já tinha ido embora. Qualquer coisa que eu dissesse seria só ruído.

Caminhei depressa em direção ao estacionamento, mas Rhydian correu atrás de mim e agarrou meu pulso.

Ele respirava pesado, a gola da camisa aberta. O ar ao redor dele fedia a outra Ômega.

— O que você está fazendo aqui? Agora há pouco…

Soltei minha mão. Meu olhar passou por ele em direção à mansão, a voz plana.

— Vim pegar minhas coisas. Como o Alfa está com uma visita, não vou atrapalhar.

Minha calma fez um lampejo de pânico cruzar seus olhos. Ele se apressou a explicar.

— Não interprete errado! Isla estava sendo intimidada no clã, as pessoas estavam importunando ela na casa dela. Aqui é tranquilo e seguro, então deixei ela ficar temporariamente. Eu só estava… checando como ela estava.

"Só checando como ela estava, mas não conseguiu se conter para não beijá-la, para não transar com ela?"

Não me dei ao trabalho de expor a mentira patética dele. Me virei para ir embora.

De repente, o som de um vidro se estilhaçando explodiu dentro da casa, seguido de uma labareda de fogo!

O rosto de Rhydian mudou. Ele agarrou meu queixo, os olhos ardendo com uma raiva aterrorizante.

Rosnou, as palavras pingando veneno.

— Você fez isso?! Calista, pensei que você finalmente tinha entrado em razão, mas vai aprontar uma dessas! Deixa eu ser bem claro. Isla é frágil. Se algo acontecer com ela por sua culpa, os Anciãos vão cobrar caro de você!

Me empurrou de lado e mergulhou de volta para dentro do fogo.

Me virei para ir embora, mas então o sangue gelou nas minhas veias.

O cofre.

Dentro estavam os documentos para a minha nova vida. Minha única saída.

Mas mais do que isso… a pequena urna. A única prova de que um dia tive um filhote.

Sem aqueles documentos, nunca seria livre. Seria propriedade de Rhydian para sempre.

Sem aquela urna, seria como se meu filhote jamais tivesse existido.

Preferia morrer naquelas chamas a deixá-los para trás.

Tinha que voltar.

Peguei um machado de bombeiro da parede, quebrei uma janela e me joguei para dentro do calor.

A fumaça era densa e sufocante. Rhydian carregava Isla tossindo, tentando sair.

Quando me viu, seus olhos viraram gelo.

— O que você está fazendo? Não piora as coisas!

Ignorei e corri em direção ao quarto.

As chamas já estavam devorando as cortinas. O cofre ficava ao lado do guarda-roupa em brasa.

— Calista! Você ficou louca?! Sai daí! — Rhydian rugiu da porta.

Me joguei sobre o cofre e girei o disco.

No momento em que a porta se abriu, o lustre de cristal no teto desabou!

Naquele segundo, o corpo dele se moveu sem pensar. Ele se lançou na frente de Isla, protegendo-a com o próprio corpo enquanto a arrastava para fora.

E eu? Fui apenas dano colateral. A explosão me jogou no chão como um farrapo.

Cacos de vidro cortaram minha pele, o sangue encharcando meu vestido na hora.

Com os dentes cerrados, puxei a caixinha para fora e a apertei contra o peito.

A fumaça densa tomou meus pulmões. Minha visão embaçou.

Antes de a escuridão me levar, as últimas coisas que ouvi foram os passos de Rhydian saindo correndo do incêndio com Isla nos braços.

E o som do alarme de incêndio do clã começando a soar.
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