LOGINNa porta do laboratório, os repórteres formavam uma fila enorme.Aquele exame de DNA tinha chamado tanta atenção que até os próprios jornalistas estavam curiosos. Todo mundo queria conseguir a primeira informação.Nesse momento, um carro de luxo preto se aproximou. Os repórteres correram na direção do veículo. Todos sabiam que Heitor tinha chegado.Ele tinha chegado exatamente na hora marcada.Nos últimos dias, Heitor tinha viralizado na internet. Ele sempre tinha levado uma vida discreta, mas, quanto mais os internautas cavavam, mais descobriam o quanto ele era impressionante.Ele tinha assumido o grupo em plena crise e quadruplicado o valor de mercado da empresa, colocando a marca na liderança do setor de joias no exterior. Ele tinha uma capacidade fora da curva, além de ser bonito, com 1,92 m de altura e um corpo de fazer inveja.De repente, a porta do carro se abriu. Heitor desceu.O tempo não estava bom. Depois de uma madrugada inteira de vento gelado, uma chuvinha fina tinha come
Mesmo assim, Patrícia ainda sentia que tinha sido egoísta demais. Ela achava que pelo menos deveria ter conversado com Heitor antes. Mas ela sabia que, se conversasse, ela não iria embora. Heitor jamais concordaria.Quando ela pensou nisso, ela ficou ainda mais triste e angustiada.De repente, Heitor entrou no cômodo. Ele puxou Patrícia para o colo, segurando firme pela cintura, e afundou o rosto no peito dela.Depois de abraçá‑la por um tempo, ele ergueu a cabeça e beijou a boca dela. Ele foi a beijando enquanto a levava, aos poucos, em direção ao quarto.Quando chegaram ao quarto, ele se jogou na cama com ela, segurando Patrícia junto ao corpo, e a intensidade dos beijos dele ficou ainda maior, quase obcecada.Patrícia percebeu claramente a intenção dele. Ela apoiou as mãos no peito de Heitor e tentou afastá‑lo, enquanto dizia:— A gente… já está divorciado.Heitor sentiu o golpe. Ele saiu de entre as pernas dela e se ergueu um pouco, encarando Patrícia com uma expressão magoada:— A
Patrícia, sem saber direito por quê, de repente sentiu uma pontada de pena de Heitor.Ela e Heitor não tinham feito nada de errado. Mesmo assim, o destino parecia determinado a brincar com os dois.O filho que ela sempre tinha sonhado em ter tinha ido parar justamente no ventre de uma mulher ardilosa e cruel como Avni.A família Mendes estava sob ataque constante da opinião pública e, no fim das contas, não teve escolha a não ser aceitar aquela criança. Para Patrícia, porém, aquilo era cruel e profundamente injusto.Se Heitor não tivesse proposto o divórcio, aquele bebê seria uma ameaça imprevisível para o casamento deles.Heitor sabia disso. Ele sabia que Patrícia tinha medo: medo do que aconteceria quando a criança crescesse, medo da influência que a mãe biológica, maldosa como Avni, poderia exercer, medo de que, pouco a pouco, o filho arrancasse de Patrícia o amor de Heitor.Além disso, Patrícia vivia dilacerada por um tormento ético e moral. Ela se sentia presa num lugar em que qua
Daquele jeito, mesmo que a existência da criança fosse reconhecida, Avni jamais conseguiria usar a pressão da opinião pública para arrancar pensão deles.Quando o jogo virasse e eles ganhassem a guerra de imagem, bastaria fazer Avni sumir dos holofotes. Mais tarde, se ela "desaparecesse" de vez, o público, que já teria passado a enxergá‑la como criminosa, dificilmente daria muita importância.Heitor ficou suando frio ao ouvir o plano até o fim. Aquela estratégia sombria só podia ter saído da cabeça de Marcelo.O advogado de Avni, porém, não percebeu nada. Pelo contrário, ele saiu extremamente satisfeito com o acordo.Isso acontecia porque a exigência central de Avni era simples: ela queria que o filho fosse reconhecido e que a família Mendes garantisse o direito dela de levar a gravidez até o fim.Ela e o advogado estavam convencidos de que, uma vez que Heitor reconhecesse o bebê em público, ele não teria mais motivos para persegui‑la até as últimas consequências. Avni, em sua ingenuid
Marcelo também sabia que, quanto maior fosse o barulho na imprensa, mais a família Mendes sairia perdendo.Avni, sozinha no mundo, não ligava para o que a sociedade pensava dela. Mas o Grupo Mendes era um conglomerado gigantesco, e qualquer mancha na imagem virava manchete.O escândalo tinha ido tão longe que já era notícia até no exterior. O grupo SEA, filial internacional, também tinha sido arranhado, principalmente em alguns países onde a pauta dos direitos das mulheres era levada muito a sério.De repente, o Grupo Mendes passou a ser acusado de machismo e de desrespeito à vida.Os acionistas estrangeiros começaram a pressionar sem dó, exigindo uma solução rápida, mesmo que significasse ceder a exigências absurdas de Avni.O caso lembrava, quase cena por cena, aquele famoso episódio nos Estados Unidos em que uma funcionária de hotel tinha usado um preservativo usado para engravidar do bilionário.Heitor jamais tinha imaginado que uma decisão tomada lá atrás fosse gerar um efeito bor
A opinião pública na internet começou a virar de novo. Uma parte enorme das pessoas passou a acreditar em Avni.O debate se dividiu em dois lados. Um grupo defendia que Avni devia levar a gravidez até o fim e receber pensão como qualquer mãe. Esse pessoal dizia que, se ela estava apanhando e sendo pressionada a abortar por causa de um crime que nem estava provado, isso era um absurdo num país que se dizia regido por leis. Eles exigiam que o Grupo Mendes desse explicações.Na prática, aquele grupo tinha sido fabricado com dinheiro de Avni, que tinha pago caro para impulsionar o discurso. O objetivo dela era só um: forçar a família Mendes a reconhecer oficialmente a criança.O segundo grupo era contra a gestação. Essas pessoas afirmavam que o esperma tinha sido obtido de forma ilegal, que o verdadeiro dono não aceitava aquela criança e que, em tese, Avni deveria interromper a gravidez por iniciativa própria.Só que esse segundo grupo começou a ser bombardeado com argumentos jurídicos: di
Hana percebeu imediatamente que seus atos contra Patrícia haviam sido expostos. Ela tentou pensar em uma desculpa, mas Joana, com um sorriso frio, a observava caída no chão, sem esconder sua satisfação ao vê-la naquela situação humilhante.Antigamente, elas eram irmãs que compartilhavam tudo. Quando
— Não, ele não acordou. — Respondeu Fábio.Patrícia também despertou. Ela piscou algumas vezes e logo percebeu que conseguia ouvir a conversa ao telefone.Fábio continuou:— A Hana chegou. Ela tá com a Tábata, o Ivo, dois filhos dela e… ah, sim, um senhor mais velho. Eles querem entrar pra ver o Rui
Heitor olhou para o jeito ansioso de Patrícia e, sem conseguir se conter, esticou a mão e apertou de leve o rosto dela:— Como é que eu ia dar ações pra ela? Você é boba mesmo.Patrícia soltou o ar, aliviada, mas em seguida retrucou:— Mas ela não parece que vai desistir fácil.Ela via claramente qu
— Amanhã eu não vou conseguir ir com você assinar o divórcio.No sofá da sala, Heitor encarou Patrícia com aqueles olhos claros e brilhantes.Patrícia perguntou:— Por quê?Heitor respondeu:— Eu preciso viajar pro exterior. Tenho que resolver, o mais rápido possível, as cento e quarenta e seis empr







