LOGINJúlio Martim
Acordo com o despertador tocando, a noite não foi das melhores mesmo com um banho demorei a dormir, entro no chuveiro e tomo banho. Vou para o closet escolho um terno azul marinho e uma camisa branca, pego uma gravata vermelha e o sapato e Voilá. Lindo, gostoso, cheiroso, e espera o perfume esqueci, pronto agora sim cheiroso. “Acordei magnifico hoje.”— digo ao meu reflexo no espelho. Desço para a cozinha, Léia está de costas na pia vou de mansinho e agarro por traz. — Bom dia, minha gatona, já tem a resposta para meu pedido?— pego um pedaço de fruta que ela está cortando para a salada que faz para mim todos os dias. — Sai pra lá garoto, e não tem pedido nenhum não, tome vergonha. — diz rindo me empurrando para colocar o café na mesa, me sento e continuo a provoca-la. — Não acredito que me encantou, me fez cair de amores por você e agora não me quer. — faço uma cara de cão sem dono o que não faz nem diferença para ela. —Já vi que esqueceu o olho de peroba não é menino, vai comer vai. E como passou a noite moleque danado?— fala tudo rindo e me servindo um pão e os acompanhamentos, já disse a ela que não gosto disso, mas ela não liga nunca me ouve então desisti. — Passei a noite muito bem Léia e a sua como foi? As crianças estão bem?— pergunto tomando um gole do café. — Estão todos bem querido pode ficar tranquilo, algo especial para o almoço? — nego com a cabeça e relaxo, os filhos dela deram um trabalho danado há um tempo atrás por conta de más companhias, graças a Deus de pois que tivemos uma conversa e mostrei para eles o caminho que aquilo levava nunca mais fizeram algo errado de novo. — Já vou indo para o trabalho meu bem, quaisquer problemas com eles e se precisarem de ajuda sabe que pode contar comigo. — reafirmo o mesmo que lhe digo sempre. Dou um beijo em seu rosto e pego o pote com a salada e saio sorrindo. Chego ao trabalho em minutos graças ao pouco trânsito, abro a loja e espero o pessoal chegar. A vejo chegando com uma calça das bocas largas, uma blusinha de manga com decote discreto na cor azul, que me enchem os olhos o cabelo de algum modo preso e um pouco solto sorrio mais ela nem me olha está conversando com o amigo. Vejo que todos já chegaram e os chamo para minha sala, deixando a porta da loja fechada. Começo a reunião rápida. — Bom dia, já que estamos todos presentes vou me apresentar e falar sobre as mudanças ok. — Sim chefe.— todos assente em confirmação a resposta de Nico, não sei o porquê ainda mais Margaret disse que não posso chamá-lo pelo nome. — Sou Júlio Martim, ontem não consegui conversar com vocês porque tive que analisar os papéis e ver o que precisava melhorar. — explico sério e rápido, no trabalho costumo ser assim para que as coisas não desandem. — Pretende demitir alguém?— pergunta Bruna a caixa da loja. — De antemão não vou demitir ninguém, mas quero empenho de cada um de vocês nessa nova empreitada. Como sabem Margaret não consegui administrar mais e decidiu vender, aqui funcionava com três atendentes e um caixa e um repositor certo? —questiono diretamente Dhaedra, ela leva um tempo para responder e só o faz depois de levar um cutucão de Nico. — Sim senhor.— responde firme mais ruborizada, acho isso uma maravilha da natureza. — Vou mudar isso a partir de amanhã alguém se opõe. — falo negam e eu continuo. — Antes do almoço já passo para vocês com o será o novo funcionamento e quem irá mudar de cargo. Podem ir, você senhorita Dhaedra fica preciso tirar umas dúvidas. Ela olha para o amigo acho que pedindo socorro, mas ele não faz nada para ajudá-la, assim que todos saem vou até ela dá um passo para o lado evitando me tocar, eu já quero o contrário sinto o cheiro cítrico e ao mesmo tempo doce que vem dela e isso me embriaga de uma maneira tão forte que perco o rumo por segundo. — Preciso de sua opinião em um assunto. Qual dos seus amigos você acha que é mais bem colocado para atender as pessoas? Aquele que atrai mais. — digo me sentando na cadeira, ela se senta em minha frente e fica seria. — Acho que deveria tirar suas dúvidas com o Nico, ele quem atende e tem mais propriedade no assunto.— desconversa sem nem ao menos me olhar, de certa forma isso me irrita e intriga muito. — Quero a sua opinião senhorita e, por favor, olhe para mim quando falar comigo. — falo não te deixando alternativa a não ser responder. — Tudo bem, Nico, Duda, e Jessica são o melhore em minha opinião. — Porque não está nessa lista pelo que sei você também atende.— a instigo mais um pouco e ela dá de ombro. — Quase não fico trabalhando como atendente, são algumas vezes na semana, e como viu meu humor não ajuda, não tenho paciência para lidar com dondocas e suas frescurinhas. — ainda evita me olhar e tenho a sensação de que ela teve os mesmos pensamentos que eu e não sabe como agir agora, claro né sou eu e meu instinto não me deixa pensar em outra coisa. — Nesta lista Margaret deixou as considerações sobre seus funcionários, agora imagina minha cabeça ao ouvir você dizer que é uma das piores vendedoras, mas é uma das melhores segundo sua ex-chefe. — provoco e ela me olha espantada, mas o olhar muda para algo carnal, ficamos preso nessa química intensa e inexplicável. — Você só acertou quando disse que Nico e Duda eram bons, porque a outra é uma das piores que já vi, aqui diz que seu amigo e a Jessica não está nem em um rank aceitável de vendas. Vou fazer as mudanças com base nela e já adianto que será a nova vendedora. — sorrio maroto para ela que ainda me olha tensa. — Tudo bem senhor Júlio, manda quem pode, obedece quem tem conta para pagar né. Posso ir trabalhar agora? — diz meu nome de um jeito tão simples mais tão sensual que quase perco meu controle. — Como passou a noite senhorita Dhaedra?— quando dei por mim já tinha perguntado, ela me olha de uma forma estranha e responde despretensiosa. — Sim senhor a noite foi muito proveitosa, era só isso posso ir agora?— não contenho a minha cara de desgosto misturado com raiva pela resposta atravessada. — Pode ir Dhaedra.— digo o mais seco e raivoso que consigo. Ela tinha mesmo que dizer isso para mim, sou seu chefe merda, aquilo não é coisa que se diga, olho para ela saindo rebolando aquela bunda monumental, desço o olhar para as pernas torneadas pela calça e diga oi para meu pau duro, parece que isso vai ser constante até tê-la para mim. Depois que ela sai volto ao trabalho e monto a planilha pelo que vi a loja tem uma situação melhor do que esperava, precisa só controlar os gastos até se estabilizar novamente. Quase na hora do meu almoço, saio e chamo os funcionários deixando somente Bruna no caixa. — Bom pessoal, chamei vocês aqui para falar sobre as mudanças, a partir de amanhã serão mantidos os três vendedores e dois caixas. Caixa ficará com Bruna e agora Jessica, você Dhaedra, Nico e Duda, ficaram responsáveis pelo depósito e atendimento, no depósito que era somente de uma pessoa agora será uma semana de cada, começando por Nico e depois seguimos a sequência. Por enquanto é só, alguma dúvida?— todos negam com a cabeça. — Pelo que sei os almoços são alternados peço que os mantenham assim, de resto está tudo bem, bom almoço a vocês.— digo e me viro para ir almoçar mais não antes de dar uma piscadela disfarçada para minha morena que me lança um olhar incrédulo.O grande dia chegou. Olho para a minha barriga quase explodindo e sorrio.— Calma, meninos, ainda falta um tempo para vocês saírem. — Brigo com eles e faço um carinho para diminuir os chutes.Hoje faremos mais um ultrassom para ver como estão; o último foi há quase um mês. Entramos na sala do médico, e ele sorri.— E aí, mãezinha, como está hoje? — Me sento em frente à mesa dele.— Cansada, doutor.— Imagino que está bem pesado aí. — Ele aponta para a barriga; concordo com a cabeça.— Bastante. — Ele acena e vem para o meu lado.— Vamos medir esses pequenos? — Ele estende a mão; seguro, e o Beni pega pelo outro braço. Os dois me ajudam a levantar e me colocam na maca.Graças a Deus a recuperação foi ótima — hoje tenho somente a cicatriz na barriga, e as das pernas mal dão para ver. O pé deu um pouco mais de trabalho para tirar o gesso, e mesmo depois de tirado ainda manco um pouco; o doutor disse que é normal, e
Como é bom estar em casa.Ontem recebi alta no fim de tarde, e tivemos um pequeno pé de guerra para sair do hospital — sorrio só de lembrar a confusão."Ela ficará lá em casa, tem bastante espaço." — Minha sogra diz."Não, ela ficará na casa dela. Eu estarei lá para tomar conta." — Minha mãe grita do outro lado, e eu começo a ficar apreensiva."Mas em casa tem espaço para vocês também." — Meu sogro diz em tom apaziguador."Uma casa enorme, e se ela precisar de socorro, até chegarmos lá demora." — Minha mãe alega, como se eles morassem no Maracanã."Acho que minha opinião vale também." — Entro no meio, tentando mostrar que estou acordada e não moribunda.As duas me olham numa disputa silenciosa para ver quem eu escolho. Realmente era o que me faltava — ciúmes entre as duas."Vou ficar em casa, mas deixarei a disposição para ir para a sua se precisar, Dete. Meus pais ficarão por um tempo, então vou aproveitar, tud
Estou nervosa; as mãos estão suando frio. Quero muito ver meu bebê, saber como ele está com os meus próprios olhos.— Vamos fazer um ultrassom transvaginal para vermos melhor, tudo bem? — Fico com vergonha, mas concordo. O Beni já viu tudo, mas ainda é constrangedor.Ele apoia minhas pernas na maca com cuidado e prepara o aparelho. Sinto um gelinho, mas me acostumо; ele começa. Vira a tela para o nosso lado, e escuto um chiado, depois um barulho forte e ritmado.— Olha só o coração do nosso campeão. Espera — isso eu não tinha visto no primeiro exame. — Gelo. Será que tem algo errado?— Tem algo errado, doutor? — O Beni pergunta primeiro.— Não, esperem só um pouquinho. — Pego a mão dele e aperto; ele devolve o aperto, e o rosto dele estampa a mesma preocupação que o meu.— Isso mesmo, olha só. — O médico fala consigo mesmo e abre duas telas na TV.— Olha a surpresa — esse pequeno estava escondido. Querida mãezinha, dê ol
Saio do quarto extasiado. Me encosto na parede e começo a chorar; me sento no chão e choro de alegria, de gratidão a Deus por cuidar não só da minha mulher, mas do meu filho também.— Obrigado. Obrigado.Não faço ideia de quanto tempo fico ali. Meus sogros saem do quarto, e ele me ajuda a me levantar.— Ela está bem, querido. Respire fundo — é hora de ficar ao lado dela. — Minha sogra diz, me consolando.Ela está certa. É hora de mostrar que vou estar com ela para sempre.— Vou fazer isso, sogra.Beijo a testa dela e saio correndo. Vou até o carro buscar a aliança que já tinha comprado — e não a encontro. Devo ter deixado na empresa. Dou partida e vou buscar.Vasculhei a sala toda e não achei; perguntei ao Carlos e ele também não encontrou. Droga, onde fui enfiar essa coisa — vou olhar em casa.— Sr., boa tarde. Queremos notícias da Lua. — Ainda tenho um resíduo de raiva dele por estar de conversa com a minha mu
Pisco os olhos lentamente. Onde estou?Por que essa luz está tão clara assim?Tive um sonho estranho — acidente, e eu grávida. Olha a loucura. Abro os olhos e olho em volta: esse não é o meu quarto.Não foi um sonho.Meu coração acelera, e as lembranças enchem minha cabeça. Estou viva. Estou aqui. Obrigada, Deus. As lágrimas descem molhando minha orelha — alívio, puro alívio de estar viva. E o bebê?Me recordo do médico dizendo isso antes de tudo ficar escuro; o alívio dá lugar à preocupação.Tento mexer o pé para me levantar, e a barriga repuxa. Droga — não vou conseguir sair daqui. Tento de novo e reparo que tem algo pesando nos pés. Me ajeitо um pouco de lado, mas dói; solto um gemido.— Ai, droga. — O Beni se levanta num pulo.— Florzinha, você acordou. Está bem? Está com dor? Vou chamar o médico. — Ele se apavora, e eu choro; é tão bom vê-lo. Pensei que nunca mais poderia olhar para esse rosto que tanto amo
Medo.Paro o carro na entrada do hospital e corro em pânico para a recepção.— Lua Amaral, ela sofreu um acidente. Me disseram que estava vindo para cá. — Quase grito com a senhora sentada atrás do balcão.— Ela ainda não deu entrada. — Ela nem termina de falar, e a ambulância para na porta.Corro para a entrada, e o que vejo me faz perder as forças: a camisa dela vermelha de sangue, uma mulher segurando-a pela barriga, a calça toda rasgada nas pernas. Tento me aproximar, mas o paramédico me para.— Senhor. — Dario me chama, mas não tiro os olhos dela. Deus, cuide da minha mulher.— Senhor, foi a Amélia. — Ele fala de novo. Vou acompanhando a maca com os olhos e trava na entrada da emergência. Começo a andar de um lado para o outro.— Precisamos fazer a ficha dela. Alguém tem os documentos? — Não olho quem perguntou; continuo andando.— Eu devia ter estado lá. Não devia ter deixado ela sozinha. Porra, é culpa mi







